De Vitor Birner
Ponte Preta 0×2 São Paulo
Foi um jogo de contradições.
O São Paulo fez gols quando a Macaca estava melhor em campo e só conseguiu marcar bem o adversário depois de Edson Silva ser expulso e o time ficar com um atleta a menos.
O time de Ney Franco sofreu para fugir da marcação na saída de bola e errou muitos passes atrás durante o primeiro tempo, quando balançou as redes duas nas raras falhas do adversário.
A Ponte Preta criou mais que o adversário, mas cometeu o pecado mortal, para quem pretende vencer, de finalizar mal.
O Tricolor foi mais competente quando teve a posse da gorduchinha na frente, mas ficou pouco tempo lá e errou bastante na hora de tentar recuperá-la.
No segundo tempo, após a correta expulsão do seu zagueiro, o Tricolor melhorou e conseguiu controlar o jogo.
Escalações
Ponte Preta – Edson Bastos; Cicinho, Cleber, Diego Sacoman e Uendel (Rodrigo Biro); Baraka (Alemão) e Magal: Rildo (Everton Santos), Ramirez e Chiquinho; William.
Técnico: Guto Ferreira.
São Paulo – Denis; Douglas, Lúcio, Edson Silva e Carleto; Denilson, Rodrigo Caio e Jadson; Silvinho (Paulo Miranda) e Osvaldo (Wellington): , Luis Fabiano (Aloísio)
Técnico: Ney Franco.
Diferentes objetivos
A Ponte Preta entra no Brasileirão para não ser rebaixada.
O São Paulo pretende ser campeão.
O torneio é longo, os elencos de todos os times do torneio podem ser modificados, a janela de transferências talvez mude a perspectiva de cada uma das vinte equipes, por isso é impossível ter qualquer tipo de certeza.
Mas se não acontecessem tais mudanças, a Macaca estaria mais preparada para cumprir sua meta.
Tem time para brigar por no meio da tabela de classificação.
O São Paulo precisa subir um degrau para ser campeão. Necessita acabar com as crises internas, contar com seus principais atletas em plenas condições, evoluir na parte tática, em especial defensivamente, para encerrar as oscilações de jogo para jogo.
A direção vai reforçar o elenco e o trabalho diário do departamento de futebol, não apenas da comissão técnica, pode fazer o tricolor lutar pelo título.
Tais coisas devem acontecer ao longo do campeonato.
Por isso, cada ponto conquistado no começo do Brasileirão, quando o time tende a render menos que pode, é muito importante.
Diante da Macaca, alguns problemas ficaram claros.
São Paulo vence por causa dos erros do rival
Lúcio, de cabeça, aos oito minutos, aproveitou o cruzamento na cobrança de escanteio, levou a melhor contra o defensor, e deu a vantagem no placar ao Tricolor.
O confronto começara equilibrado.
A Macaca reclamou do gol corretamente anulado de Baraka, impedido, após Denis rebater o chute na entrada da área.
A Ponte Preta conseguiu espaço para chutar diversas vezes ou trabalhar a bola naquela posição.
Ney Franco escalou Silvinho do lado direito da linha de três do 4-2-3-1. Jadson, centralizado, e Osvaldo na esquerda completaram o principal setor responsável pela criação e proteção aos volantes e laterais.
Luís Fabiano e eles não conseguiram cumprir corretamente a segunda parte da missão. Carleto tem dificuldade na marcação. Douglas sofre mais que o companheiro com isso.

Foto: Rubens Chiri/Site do São Paulo
Ponte Preta, superior
A equipe de Guto Ferreira pressionou a saída de bola e impediu o adversário de sair da defesa trocando passes, tal qual gostam e costumam tentar.
A Macaca também atuou no 4-2-3-1. O trio formado por Rildo, Ramirez e Chiquinho e o centroavante foram bem na parte defensiva.
Forçaram diversos erros de passes do rival e ficaram com a redonda na frente em busca do empate.
O lado direito, com o apoio do lateral Cicinho e o veloz Rildo, deu muito trabalho aos comandados de Ney Franco.
Osvaldo foi obrigado a recuar o tempo todo para ajudar Carleto e Denilson.
Mesmo assim, várias vezes o pesado e limitado Edson Silva teve que fazer a cobertura na lateral e marcar Rildo.
São Paulo aproveita outro erro
O time de Ney Franco, nos momentos em que trabalhou com a bola na meia, mostrou qualidade.
O problema é que ficou a maior parte do primeiro tempo se defendendo.
Tinha velocidade para ao menos contra-atacar mais.
Aos 43, num dos poucos contragolpes, Diego Sacoman, sem necessidade alguma, derrubou Silvinho.
Jadson cobrou com perfeição e aumentou a vantagem.
Melhor com um a menos
Aos 12 do segundo tempo, Edson Silva foi corretamente expulso. O árbitro poderia ter excluído o zagueiro ainda na etapa inicial, após ele fazer uma falta digna de cartão amarelo quando já havia levado um.
O soprador, bem na hora de interpretar infrações, falhou na hora de punir os atletas.
Mostrou amarelo para Lúcio em jogada que o veteranos sequer falta fez e não expulsou Rildo, após o ponte-pretano lhe dar um tapa na mão enquanto reclamava, sem razão, da penalidade.
O São Paulo melhorou depois de ficar com um a menos.
Discordei de Ney Franco, que tirou Silvinho, aos 16, e recompôs a dupla de zaga com Paulo Miranda.
Luís Fabiano tinha que sair, pois o substituído é veloz e obviamente o Tricolor dependeria do contra-ataque para levar perigo.
O centroavante continuou em campo e uma oportunidade no contragolpe.
O treinador do São Paulo acertou nas outras mudanças.
Tirou, aos 23, Luís Fabiano e Osvaldo, colocou Wellington e Aloísio, e a Ponte Preta, mesmo com um mais, enfrentou muito mais dificuldades para criar do que na parte do jogo em que ambos os times estavam com o mesmo número de atletas.
Ney Franco posicionou o São Paulo no 4-4-1, com as linhas do meio e da defesa bem próximos, deixou o guerreiro Aloísio, que se desdobrou na ajuda ao sistema defensivo e para ser referência do contra-ataque, e viu sua equipe garantir os três pontos.

Foto: Rubens Chiri/Site do São Paulo