Reflexão sobre Técnicos Brasileiros e a Imprensa
Derrotas podem ser boas, se lições forem aprendidas e se auto-críticas forem feitas. Não é que tudo esteja ruim na Seleção, mas acho que uma coisa precisa ser pensada. O Brasil do Tite estava longe de ser uma das equipes mais organizadas taticamente dessa Copa. A diferença entre Bélgica e Brasil era nítida. E olha que o Tite é o melhor técnico brasileiro da atualidade. Até o Japão era muito mais organizado que o Brasil quando pegou a Bélgica, e com um técnico que assumiu o time há dois meses.
Não acho que o resto da América do Sul tenha técnicos ruins. A Seleção Argentina não serve muito de exemplo porque três técnicos diferentes passaram e não resolveram. Então o problema não parece ser só o técnico. Mas se não me engano, são nada menos que 6 técnicos argentinos nessa Copa.
O que quero dizer é que o Brasil está atrás de outros países até da América do Sul. Veja o exemplo do próprio São Paulo. Quanta diferença entre os técnicos brasileiros que passaram e o trabalho do Bauza, que com Bruno, que hoje é reserva do reserva, e Wesley, por exemplo, levou o São Paulo até as semi-finais da Libertadores. E agora o trabalho do Aguirre, que reergueu o São Paulo que era visto como quarta força no começo do ano.
Até hoje não entendo por que existe pouco intercâmbio de técnicos estrangeiros com a base, que é onde tudo começa, por exemplo. Quase todo jogador brasileiro diz que cresceu muito taticamente depois que foi pra Europa. Infelizmente a resposta da maioria dos comentaristas esportivos e dos técnicos brasileiros é de que na Europa o jogador muda de comportamento, mas não significa que seja problema dos técnicos daqui. Somos pentacampeões, não temos nada que aprender lá fora, como costuma dizer o Luxemburgo e boa parte da imprensa. O Dorival Júnior ficou uns dias na Europa e disse que o treino deles é igual aos que os técnicos daqui fazem, só a intensidade que muda...
A mídia especializada também merece observações. DEPOIS da derrota apontam os problemas táticos e de escalação do Brasil. Antes do jogo quase a unanimidade disse que o Brasil era favorito, no mínimo 60% a 40% como disse o Léo Bertozzi da ESPN. A Bélgica tem um bom ataque, mas a defesa deixa MUITO espaço, que é o que o Brasil mais quer, como disse o PVC. Bem, o PVC disse que o Brasil era favorito contra a Alemanha antes do 7x1 em 2014.
Toda experiência, principalmente as ruins, devem servir para as pessoas melhorarem, evoluírem. O Brasil melhorou muito com o Tite se comparado ao Dunga, mas é preciso mais.
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