A Defesa de Ceni Valeu mais que a vaga! Bog do Guilherme Cimatti, LANCENET!
TEXTO MUITO BOM SOBRE O MITO!
Twitter: @guicimatti
guilherme483@hotmail.com
Faltam palavras para explicar como dois corpos ocuparam o mesmo espaço por um suspiro na última chance do Penapolense no Morumbi. Até isso explicou Rogério Ceni ao são-paulino. Quando o material da luva, o objeto, fez a diferença em um desvio providencial do arqueiro.
Par de luvas dispensado por Félix em 1970. Que talvez tenha feito a diferença pela primeira vez a um mito. Um semideus, que só poderia ser Ceni. Nada seria mais tricolor que a defesa que garantiu a vaga para a semifinal e o enfrentamento direto contra o Corinthians.
O meia Sérgio Mota pareceu um malabarista recebendo um cruzamento rasteiro, pretencioso. A perna direita, em solavanco, puxaria de repente para a esquerda. Um compasso perfeito. Desafiando o tempo e o espaço, juntando a bola para a esquerda. Um pé tocou para o outro, sem pensar, no alto, como a mãe dá de comer ao filho. Na mesa, um golpe seguido por outro, de canhota, após dois passos. Era certo. Era gol.
Era. Mas não foi. Só deu o maior jogador de todos os tempos do São Paulo. Um reflexo. Uma prova aos físicos que só ele poder ocupar o tamanho da baliza quase sempre quando a chapa esquenta. Quando a vitória, ainda não vencida, viraria empate. Cinco cobranças alternadas e sorte ao que melhor se sair nas prováveis cinco cobranças da igualdade.
Mota, humano, correu ao canto esquerdo do arco. Como o convencimento de comemoração e a certeza de estar levando ainda mais longe uma campanha interiorana. Nada superaria os passos sincronizados, impecáveis, até o encontro da chuteira, do cadarço bem amarrado dela, com o objeto. Um passo antes da pequena área, aguardando a chegada do artilheiro. Até descobrir que quase sempre, em decisões, a bola tem hora marcada com Ceni. E não trai.
Ele voltou sem acreditar. Pulou – e chutou - a placa publicitária, olhando para o campo, que o esperava como se aguarda os que tentam – e deveriam conseguir. Os olhos, sem piscar, pela primeira vez pensaram junto com a cabeça: de que material é feito o ídolo do time de lá? Como ele conseguiu?
Rogério Ceni, então, se levantou. Mostrando que há muito ainda na carreira quase perfeita construída em chutes destes, a favor ou contra. Nestes, repetidos, entrando em sol na composição mais bem-feita em um ritmo alterado, incomum. Ligeiro.
Um goleiro que neste jogo fez a bola desafiar as luvas. E as pontas dos dedos mostraram para os físicos que o semifinalista do Paulistão 2013 é o São Paulo!
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