Miguel Aguirre tem 18 anos e há cinco foi para o Brasil para trabalhar com tecelagem, como fazem a maioria dos imigrantes da Bolívia que vivem na capital paulista. Antes mesmo de se mudar, no entanto, ele já era são-paulino.
“Acompanhava tudo pelos sites brasileiros, vi jogos do São Paulo na Bolívia. Sempre gostei do time, pela TV eu achava o Morumbi lindo. Ainda quero fazer um teste para ser jogador do São Paulo”, conta ao ESPN.com.br Miguel, que nesta quarta foi pela primeira vez ao estádio tricolor e teve suas impressões confirmadas.

Ele até torce pelo Bolívar na terra natal, mas neste confronto ficará do lado do time brasileiro. Miguel queria ter entrado com a camisa são-paulina, mas foi impedido pela polícia. Ele não tem dúvidas de que o São Paulo vai se classificar para a fase de grupos da Libertadores.
“Vai ganhar porque tem o melhor goleiro, o Rogério, porque tem um zagueiro campeão do mundo, o Lúcio, porque tem Luis Fabiano e porque o Osvaldo está em grande fase”, argumenta. “Espero que seja 3 a 0 e que o Rogério faça um gol para comemorar o aniversário de 40 anos, que foi na terça.”
Miguel não era o único ‘vira a casaca’ no meio da torcida do Bolívar. Um boliviano que disse se chamar Luis Fabiano conseguiu entrar com a camisa do São Paulo na arquibancada dos visitantes e virou alvo de piadas dos compatriotas. “Mas eu juro que vou torcer para o Bolívar”, justificou-se.

Veltran Tola se defendeu da mesma forma que Luis enquanto recebia as vaias dos torcedores do Bolívar. Veltran foi ainda mais hostilizado: ele estava com a camisa do arquirrival do Bolívar, o The Strongest. “Hoje estou com a Bolívia, vou torcer pelo meu país”, garantiu.
A grande maioria dos presentes no setor dos torcedores do Bolívar realmente foi torcer pelo adversário do São Paulo e vestiu o uniforme da equipe, azul celeste. Alguns mais exaltados inclusive trocaram ofensas com são-paulinos através das grades do Morumbi e provocaram com gritos de “vai, Corinthians.”