O principal motivo da irritação que tornou o grito de "burro" até um elogio perto do que o técnico ouviu depois foi a saída do centroavante, minutos antes do primeiro gol adversário. A contestação é pela entrada de Carlinhos Paraíba, atraindo o rival para o campo de defesa. Mas o técnico se defende: Lucas, expulso aos nove minutos do segundo tempo, estragou sua estratégia.
"Claro que não era o Carlinhos que entraria no lugar do Luis Fabiano. Seria o Rivaldo ou o Henrique dentro da nossa programação. Sem a expulsão, poderíamos ter mudado o jogo", imaginou o treinador, que deixou o camisa 9 pouco mais de 60 minutos atendendo a um pedido do próprio astro, que não suportaria atuar mais tempo.
Na visão de Adilson, reforçar o meio-campo com a entrada de Carlinhos Paraíba foi uma atitude racional. "Tentei agir com a razão. Independentemente da carga negativa e das vaias, que fazem parte do futebol, eu tinha que pensar no coletivo e no melhor para o São Paulo naquele momento."

Willians sofre dura falta de Lucas; minutos depois, o volante flamenguista foi expulso após derrubar Carlinhos Paraíba
Foto: Fernando Borges/Terra
O problema é que até Carlinhos virou algoz por desviar chute de Renato Abreu, selando o gol do triunfo carioca. A jogada confirmou a frustração que virou irritação para quase todos que vieram ao estádio do São Paulo, para tristeza do próprio Adilson.
"Lamentamos. Gostaríamos de presentear a torcida pela festa que fez. Foi presente, transmitiu empolgação, incentivo e uma energia positiva que o Luiz trouxe assim como no milésimo jogo do Rogério. Mas faz parte do futebol. O campeonato está aberto ainda", argumentou.
Sempre tranquilo publicamente diante das cobranças, o técnico só não aceita ser criticado por sacar Luis Fabiano. "Respeito e entendo a reação. E sei da importância do atleta, o torcedor veio em função dele, o jogo era para ele. Mas pensei no aspecto físico, para não sobrecarregá-lo demais e tê-lo por mais jogos", justificou.