Não sou homem de pedir para sair, diz Carpegiani

Fonte Folha.com
20 de Maio de 2011
Paulo César Carpegiani, por enquanto, sobrevive à sua primeira crise no São Paulo. Mas sabe que as eliminações do Paulista e da Copa do Brasil colocaram fortes dúvidas sobre o seu trabalho.

Paulo César Carpegiani gesticula durante entrevista para a Folha
Acredita que não é hora de arriscar, de fazer desafetos e de fortalecer inimizades. Por isso, é cauteloso.
Em entrevista concedida para a Folha nesta quinta-feira mostrou nítida preocupação em evitar críticas aos dirigentes que defenderam sua demissão, explicou-se sobre assuntos que nem foram questionados e só reclamou mesmo da apatia mostradas pelo seu elenco nos momentos decisivos.
Folha - Por que você continua como técnico do São Paulo apesar de toda a pressão recebida nos últimos dias e declarações de dirigentes admitindo que sua saída era o caminho mais provável?
Paulo César Carpegiani - Ninguém vai mudar a filosofia do futebol brasileiro. Nós dependemos apenas de resultados. Mas os números expressam meu sucesso. Tivemos o melhor índice da primeira fase do futebol paulista e perdemos para a melhor equipe do Estado, o que não é demérito nenhum. Em oito meses de trabalho, esse é o nosso primeiro momento de cobrança. Se a diretoria me mantém é porque deve ter reparado nisso. Tenho aproveitamento alto, lancei jogadores jovens. Alguma coisa deve ter pesado para esta manutenção. Não deve ter sido por questão financeira, o São Paulo tem condições de pagar a multa. Não tenho como entrar na cabeça deles, mas talvez tenha sido isso, tenham pensado no lado da filosofia do clube.
O estudo que precisa ser feito é que quando ficamos em desvantagem, o time muda de cara. Aconteceu na semifinal contra o Santos e também contra o Avaí [pela Copa do Brasil]. Não gostaria de falar publicamente sobre isso porque é um assunto muito interno. Mas o São Paulo tem se caracterizado por trazer grandes jogadores, de talento. E talvez isso não seja o suficiente. Você precisa de competitividade. Se não tiver alguns jogadores com essa característica, fica difícil. Esse é o X da questão. Precisamos encontrar esses nomes para deixar a equipe mais competitiva.


O time parece apático em alguns momentos...
Se você está me perguntando isso, estou batendo na conclusão que a gente chega e vamos tratar disso, trocando... Temos que chegar a um futebol que seja mais competitivo do que temos visto. A equipe campeã mundial [em 2005] mesmo não era um time de tanta técnica. O que prevalecia era que se tratava de um time extremamente competitivo.
Você falou com algum membro da diretoria entre sexta-feira, quando sua possível demissão veio à tona, e segunda, data da reapresentação do grupo?
Não, não houve nenhum contato até a reunião das 14h de segunda. Meu telefone é o do clube, todos têm o número, e ninguém me ligou.
Como foi sua conversa com o presidente Juvenal Juvêncio?
Quando eu cheguei, ele me fez uma colocação para que eu colocar um ponto final na discussão com o Rivaldo. Não vejo problema nenhum no que ele fez na saída de campo. Não posso privar um jogador de falar o que pensa. O Rivaldo veio na reunião e escutei o que ele tinha a dizer. Foi uma conversa muito rápida.
A torcida não erra ao colocar tanta esperança no Rivaldo, um jogador de 39 anos que não é mais o mesmo da época do Barcelona?
O Rivaldo é um jogador diferenciado e teve meu aval no São Paulo. Foi indicado pelo Rogério, mas conversou conosco. Estávamos convencidos de que ele poderia fazer essa transição, ajudar a garotada. Mas ele teve uma lesão, ficou um bom tempo parado, teve mais uma lesão e fomos montando o time sem ele. A garotada foi tomando conta, e ele perdendo seu espaço. Esperávamos o momento de encaixá-lo. Para ser titular, dependo de uma resposta do jogador. O Rivaldo não é exceção, quer ser tratado com merecimento. Para ele funcionar, precisa estar na posição certa, estar cercado pelos jogadores certos. Em um time de movimentação, com só o Dagoberto na frente, não daria certo. Como já não deu certo outras vezes.
Uma semana depois da eliminação, já sabendo o resultado, acredita que errou ao não utilizar o Rivaldo contra o Avaí?
Não, muito pelo contrário. Naquele momento do jogo, não teria como reverter com a entrada do Rivaldo. Ele poderia ajudar com a experiência, mas eles estavam todos atrás e não tinha mais como dar metida de bola. Coloquei o Willian José e o Henrique porque precisava de gente de área. Só errei por não ter voltado com eles de Florianópolis. Isso afetou um pouco, criou-se essa especulação.
Em meio a essa crise toda e ouvindo dirigentes não assegurarem sua permanência, pensou em pedir demissão?
Sou funcionário do clube, tenho contrato, e o resultado é uma soma de coisas. Não sou homem de pedir para sair.
Acha que depois de tudo isso, você entra no Brasil com o cargo mais ameaçado do que os outros técnicos?
Não tenho nenhuma preocupação com isso. Durante o Brasileiro, há muitas trocas de treinadores. Acho que tenho que prosseguir. Dependo única e exclusivamente dos resultados. Outros clubes passaram pela mesma situação.
Como será trabalhar a partir de agora em um clube onde há várias pessoas que queriam sua demissão?
Respeito a opinião de todo mundo, mas tenho que mostrar trabalho. É com resultados dentro de campo que posso responder.
Após a eliminação contra o Avaí, até você falou que faltou experiência ao time. Falta mais gente rodada para ajudar?
O rejuvenescimento é um projeto do clube e vamos dar seguimento a ele. Futebol é uma renovação constante. Temos jogadores suficientes com essa característica de experiência. Quando falei que pagamos o preço por termos um time jovem, não é a inclusão de um jogador, como o Rivaldo, que vai mudar isso. Experiência você vai ganhar jogando.
Inicialmente, o Rivaldo não receberia punição nenhuma, mas acabou multado em 20%. Você teve a ver com isso?
Não. Ele falou aquilo no momento inadequado, mas é um problema da direção. Só complicou ao falar que poderia ser mais útil do que os meninos. Falei para o Rivaldo pedir desculpa ao Willian e ao Henrique. Nunca quis humilhá-lo e talvez mais para frente encontre uma posição melhor para ele, até o coloque para iniciar os jogos.
Depois de segunda, você voltou a falar com ele?
Vou tratá-lo normalmente, como qualquer outro jogador do grupo. Hoje [ontem], ele estava no departamento médico, sentindo um pouco. Fui lá e perguntei como ele estava, como sempre faço.
Por falar em Reffis, é incrível como ele anda cheio, não?
Isso já aconteceu em um momento decisivo no ano passado. Quero crer que é por causalidade, acredito que seja por casualidade. Não tem nenhum reparo a fazer na preparação física. Está boa, melhoramos muito.

Avalie esta notícia: 9 9
VEJA TAMBÉM
- Lucas Arcanjo no São Paulo? Diretoria responde sobre goleiro especulado para 2027
- São Paulo estuda renovação de empréstimo de Artur com o Botafogo
- Novo presidente? Marcelo Portugal revela plano para Cotia e cobra espaço para jovens
- Santos quer jogar no Morumbi, e São Paulo pode abrir as portas para o rival
- Árbitro afastado pela CBF após erro grave vai apitar jogo do São Paulo



Comentários

Nenhum comentario!
Enviar comentário
Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui.

+Lidas Notícias

LogoSPFC.net
©Copyright 2007 - 2026 | SPFC.net