O quanto é importante começar o ano já trabalhando com o elenco?
A diferença é grande. Durante o campeonato você trabalha com o que tem. No início da competição dá para se programar, conhece mais o grupo. Agora mesmo, para o próximo jogo, tenho muitos problemas. Eu estava contando com o retorno de vários jogadores, mas não terei nenhum. É uma dificuldade imensa. Temos de ter mais opções. Se tivéssemos buscando uma classificação, teríamos dificuldades. Só consegui escalar o time que considero ideal contra o Santos e também diante do Cruzeiro, só que com o Fernandão no lugar do Fernandinho. A minha esperança é ter no início da temporada todos os jogadores à mão.
A base do São Paulo de 2011 então será a que enfrentou o Santos?
Sim. Tenho posições carentes que preciso trazer jogadores. Não gostaria de especificar, mas que venha para reforçar, ser efetivo. Preciso de uns dois ou três no máximo. O resto componho com a base. Preciso de reforços pontuais. Vou ter uma conversa com o diretor amanhã e na terça-feira. Temos de ir atrás porque senão os outros chegam na frente.
O fato de não estar na Libertadores pode atrapalhar nas contratações?
Nosso pensamento é reforçar, independentemente de estar ou não na Libertadores. Pode ser que alguns jogadores até deem preferência para times que estão na Libertadores, mas acredito que o São Paulo, por si só, já atraia jogadores, porque não existe no futebol brasileiro um clube tão organizado.
Sem a Libertadores, a pressão ano que vem será maior ou menor?
Temos grande responsabilidade, não é porque não vamos para a Libertadores que não teremos obrigação de ganhar. A grandeza do São Paulo não permite isso. Eu quero entrar para ganhar sempre. E tudo.
A paciência da torcida será menor?
Tem de cobrar mesmo. Estamos em um grande clube e temos de responder à altura.
Vai priorizar a Copa do Brasil?
Eu vou tratar do mesmo jeito todas as competições, quero ganhar todos os jogos, não sei perder. Não sei viver o outro lado da medalha.
Então foi difícil depois da derrota para o Fluminense domingo?
Passei duas noites sem dormir. Não sei perder, mas, no futebol, nada melhor do que ter um dia após o outro.
Como se sente quando falam que o time entregou o jogo?
Meu pai me ensinou uma coisa: a condução da vida profissional, a lisura. Nunca pensei em escalar outro time que não fosse o melhor. O problema é que tive dificuldade para repetir a formação. Talvez se não tivéssemos isso, estaríamos na briga. Faltou um algo a mais contra o Fluminense e esse é o time que quero para o ano que vem. Vou encontrar essa vibração. Essa é uma característica que temos de acrescentar.

Paulo César Carpegiani, técnico do São Paulo
vipcomm