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Telê Santana por muito tempo, injustamente, carregou a fama de “pé frio”, até que no São Paulo conquistou o Bi-campeonato Mundial Interclubes. Muricy Ramalho e Abel Braga também sofreram com o rótulo de bons treinadores que não conquistavam títulos até que vieram os troféus. Celso Roth, atual campeão da Libertadores, era chamado de retranqueiro, de técnico com prazo de validade, daqueles que começam bem e terminam mal os campeonatos. Conquistou a América.
São muitos os rótulos no futebol e na vida, como se houvesse a necessidade de se diferenciar as pessoas por grupos. Esse é bonzinho demais, esse não presta, esse é disciplinador, esse é da turma dos motivadores, esse é do clube da prancheta. Por falar em prancheta, por mais que prove a cada ano com seguidos bons trabalhos, Joel Santana não consegue se livrar do rótulo de ser um sujeito folclórico. Quando se fala em Joel sempre se lembra do folclore, da prancheta, e pouco se destaca a competência.
Conheci Carpegiani há 11 anos, em 99 quando trabalhava como repórter da rádio Record e era setorista do São Paulo. É treinador dos mais competentes. Entende profundamente do riscado. Conhece como poucos esquemas táticos e não tem medo de “dar a cara pra bater” mexendo nas peças, se necessário, para buscar algo novo, inovador. Às vezes erra a mão. Como todos que tentam fugir da mesmice. Na época recebeu o rótulo de “professor Pardal” por supostamente inventar demais.
Lembro-me que em uma conversa informal, Fabiano, genro de Luxemburgo, me disse que os jogadores tinham certa dificuldade em entender o que professor dizia nas preleções. O problema é que os “boleiros” são avessos às teorias, poucos gostam de estudar táticas, entender o jogo. Alguns mudam depois que vão para Europa e voltam com outra mentalidade.
A história conta que Carpegiani sempre esteve à frente de seu tempo. Além de muita técnica, foi um jogador tático e entendia como poucos as funções dentro de campo.

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Como treinador Carpegiani não inventa. Apenas coloca em prática o que sabe sobre futebol. É especialista na matéria. Pode e deve ser chamado de professor, mas esqueçam o Pardal, isso é coisa pra quem gosta de rótulos.