Carpegiani acha Libertadores missão impossível

Técnico usa discurso cauteloso na chegada ao São Paulo e já faz mudanças

Fonte Estadão
Somar o máximo de vitórias que conseguir, além de aprender rapidamente o nome de todos os jogadores. Essas são as primeiras missões de Paulo César Carpegiani à frente do desmotivado time do São Paulo. O novo técnico tricolor acha impossível conquistar classificação na Taça Libertadores se o Campeonato Brasileiro mantiver apenas três vagas, mas vê o trabalho à frente da equipe, aos 61 anos, como uma das últimas grandes oportunidades de sua carreira.
"Sempre peço aos jogadores que sejam profissionais e minha decisão de vir para o São Paulo seguiu essa diretriz. A direção do Atlético-PR sabia que havia possibilidade de sair. É hipocrisia falar de lado sentimental", disse o treinador, que chega com certa desconfiança do torcedor são-paulino. "Não vou fazer promessas. Não tenho varinha mágica. Não sou sinônimo de vitória. Preciso contar com os jogadores."
Carpegiani não obtém um título de expressão desde 1994, quando foi campeão paraguaio pelo Cerro Porteño. Levou o Flamengo às suas maiores conquistas - Taça Libertadores, Mundial (1981) e Brasileiro (1982) - e, em 1999, perdeu para o Corinthians nas semifinais do Paulista e do Brasileiro na sua primeira passagem pelo São Paulo.

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"Talvez não tenha conquistado um título importante por não ter trabalhado em grandes clubes nos últimos anos", explicou o técnico, esquecendo suas passagens por Corinthians (2007) e Cruzeiro (2001). "Título é consequência do trabalho. Nestes últimos 20 anos, passei muito tempo fora do Brasil, fiquei um tempo sem trabalhar também. Sou o tipo de pessoa que rende bem onde se sente bem. Ficarei bem no São Paulo."
Quando saiu do clube, no final da temporada de 1999, no entanto, Carpegiani levou consigo o apelido pejorativo de "Professor Pardal", por "inventar" escalações. "Gosto de equipes organizadas, compactadas. Não sou de improvisar nem sei como surgiu isso (o apelido)", afirmou o técnico, que deixou o Atlético-PR, com sérias limitações de elenco, na 5.ª colocação do campeonato. "As pessoas gostam de dar opinião, mas, muitas vezes, não olham o jogo. Uma vez só transformei um zagueiro em atacante (Bordon, no início de seu trabalho no São Paulo), mas foi porque não havia ninguém. E eu sou ambicioso. Sempre vou procurar a vitória."
O novo treinador são-paulino lembrou que, no elenco tricolor, só trabalhou com Rogério Ceni (em 1999) e Jorge Wagner (em 2001, no Cruzeiro). Ainda não sabe o que os demais podem render, por isso correu para o gramado para dar um primeiro treinamento tático.
Baresi volta à base. Sérgio Baresi, que comandou o São Paulo por 14 rodadas, retorna hoje ao centro de treinamento de Cotia para seguir seu trabalho nas categorias de base . A ideia de Carpegiani é conversar mais com o treinador para colocar mais jovens no time profissional. "Vamos jogar domingo e, na segunda-feira, quero ver o time júnior treinar aqui", comentou o gaúcho. / COLABOROU EVANDRO FADEL
SEM DEMAGOGIA
PAULO CÉSAR CARPEGIANI
Técnico do São Paulo
"Sempre peço aos jogadores que sejam profissionais e a decisão de vir para o São Paulo seguiu essa diretriz. É hipocrisia falar de lado sentimental"
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