Não consegui falar com ninguém do São Paulo ainda para obter os detalhes.
A nota oficial no site do Atlético PR deixa claro que Paulo César Carpegiani é o novo treinador do time do Morumbi.
“O técnico Paulo César Carpegiani pediu demissão do comando técnico do Atlético Paranaense, neste domingo, por volta das 13h. O treinador aceitou uma proposta irrecusável do São Paulo e já assume o clube paulista na segunda-feira à tarde. Até o presente momento, o presidente do CAP, Marcos Malucelli, não recebeu nenhum contato por parte da diretoria do São Paulo. Quem assumirá a equipe será o assistente técnico Leandro Niehues, até a contratação de um novo treinador”.
Não sei se a direção acertou
Eu contrataria. Falei aos meus amigos, quando havia a polêmica sobre a permanência de Ricardo Gomes antes dos jogos semifinais da Libertadores, que Juvenal deveria buscar Adilson (estava livre ) ou Carpegiani.
Como treinador, dentro de campo, gosto muito de Paulo César Carpegiani. Muito mesmo!
A postura dele fora dos gramados também é elogiável.
Não se mete em rolo de ida e vinda de jogadores, faz o que acredita em campo e não muda escalações para agradar a opinião pública e manter o emprego (deve ser o técnico mais desapegado do país).
O problema é a agressiva e injusta pré-disposição de torcedores e jornalistas contra um dos poucos profissionais da área que merece ser chamado de professor.
Dirão que inventa muito, e irão chamá-lo sim de professor, mas acrescentarão o pardal junto.
Como a relação do São Paulo com parte da mídia não é das melhores, desconfio que hoje mesmo as piadas aparecerão.
Piadas que na verdade exercem extrema pressão.
A repetição dele transforma o nada em fato.
Já vi o Pacaembu pleno de corintianos xingando Carpegiani porque queriam a entrada de Lulinha. De tanto ouvir que Lulinha fazia muitos gols na base e que tinha multa de rescisão de 50 milhões de euros, ele “virou” solução para a má fase.
Poderia citar vários exemplos.
As pessoas no Brasil só avaliam quem foi o primeiro lugar. Se sujeito tem o sexto melhor elenco, trabalha bem, e o time acaba com o vice-campeonato, ele ganha fama de perdedor.
Era o caso de Celso Roth até vencer a Libertadores com o Internacional. É mais ou menos o de Adilson Batista, que não ficou com fama de derrotado, mas ouviu muitas críticas injustas quando achava soluções que o amante de futebol, por conta dos limites de conhecimento, não compreendia. Cuca também ainda carrega um pouco a fama de fracassar, apesar de ser ótimo na hora de montar o time.
Carpegiani carrega a fama de perdedor e de inventor.
Sofrerá pesadas críticas toda vez que errar e também quando acertar o time e não conseguir o bom resultado.
O mundo do futebol adora dividir as coisas em céu e inferno. Não tem o planeta terra.
Carpegiani tá lá embaixo. O trabalho dele fica constanetente sob constantes, rígidos e pesados julgamentos.
Se estivesse no outro mundo, os críticos conviveriam meses com falhas táticas e de escalações piores enquanto aguardam o time acertar.
Assim é o mundo do futebol. Passional, desprovido de avaliações técnicas, cruel e injusto algumas vezes, deveras generoso noutras…
E ele está contra Carpegiani, seja qual for o time dele.
Blindagem de Juvenal é necessária
Juvenal teve peito na hora de escolher. Sabe que vai ser ainda mais criticado.
Para Carpegiani dar certo, ele não pode se deixar levar por pressões externas.
E também não deve, de forma alguma, admitir jogador de cara virada porque discorda das mudanças feitas pelo técnico.
Terá ajuda na Barra Funda.
Rogério Ceni e Milton Cruz devem estar felizes
Ambos sempre que podem, nas conversas com pessoas próximas, elogiam Paulo César Carpegiani.
Certamente estão felizes com a volta dele.
Se recordam da passagem dele em 1999 pelo clube. Na época, mesmo com um time meia-boca e contra curiosos fatores extra-campo levou o São Paulo ao mata-mata do Brasileirão, o que não aconteceu nos 4 anos anteriores.
Exemplo de avaliação que discordo
Era a fase da desastrosa administração de José Augusto Bastos Neto, o presidente que tentou ensinar Márcio Santos a cabecear.
Além de montar elenco limitado (Paulão, Nem, Wilson eram os zagueiros, tinha o meia Souza ex-Corinthians, Fabiano genro de Luxa, o centroavante Jacques, Edmilson e Fabio Aurélio ainda em início de carreira, o volante Sidnei que hoje auxiliar de Mano Meneses), perdeu, em decisão singular até hoje no Brasil, os pontos da vitória por 6×1 contra o Botafogo por causa da escalação de Sandro Hiroshi. O jogador havia falsificado documentação, para dizer que era mais jovem, anos antes de alguém no São Paulo saber que ele existia.
A decisão, vale lembrar, salvou o Botafogo do rebaixamento e ajudou o Inter também a não cair. Derrubou o Gama, a equipe do Distrito Federal entrou na Justça, a CBF ficou impedida de organizar o torneio seguinte, e aconteceu a Copa João Havelange, ganha pelo Vasco noutra final polêmica diante do São Caetano.
Carpegiani ficou marcado por perder as semifinais do campeonato paulista (4×0 e 1×1) e do brasileirão (3×2, 2×1) de 99 contra o Corinthians.
Ninguém levou em conta o timaço corintiano com o meio-campo e ataque que tinham Gilmar (destoava), Vampeta Marcos Senna, Ricardinho, Rincon, Marcellinho Carioca, Edilson e Luizão que era substituído pelo iluminado Dinei.
Nem o fato de Rai perder os pênaltis contra Dida e o São Paulo, bem inferior, ter equilibrado as ações no confronto do brasileirão que valia vaga na Libertadores.
Assim é o futebol.
E o futuro de Carpegiani no São Paulo?
Pontos positivos: Promoverá os jovens em condições de vestir a camisa sãopaulina e irá ajudá-los no crescimento como jogadores profissionais. Montará boa base para ano que vem. Tentará antes de qualquer coisa acertar o sistema defensivo. Provavelmente encontrará algum jogador fora de posição.
Negativos: Talvez dê força a alguns atletas que o time deveria negociar. Vai precisar de tempo para identificar os problemas.
Futurologia
Meu palpite, e não passa de mero chutão embasado em todas as situação que envolvem a contratação, é que vai reconstruir a equipe, mas dependerá de ótimos títulos para superar os montes de críticas por qualquer coisa.
Como ganhar campeonatos só será possívem em 2010, e os adversários serão o Corinthians bem estruturado, o Palmeiras de Felipão, o Santos de Ganso e Neymar, o Inter campeão continental e talvez mundial pela segunda vez, o Cruzeiro sempre forte. o Fluminense também muito capaz, o Grêmio….
Vai ser difícil atender aos anseios da nação sãopaulina.
Aprovação de comentários
Vou sair em breve para votar. Depois tem escolha de samba enredo no Vai-Vai (torço pelo do Zeca do Cavaco, Afonsinho, Ronaldinho FDQ e Fábio Henrique).
O Leandro Iamin está de folga, mas deve passar de vez em quando para aprovar os comentários.
De qualquer forma, a aprovação neste domingo deve ficar bem mais lenta.
Birner:Carpegiani é o acerto com boa chance de dar errado.
Fonte Blog do Birner
3 de Outubro de 2010
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