O São Paulo FC voltou a acender um alerta importante no Morumbi. Desde a chegada de Roger Machado, o elenco passou a conviver com uma sequência de problemas físicos que já chama atenção até de quem tentava tratar tudo como coincidência. O novo caso de Marcos Antônio ampliou a preocupação e fez crescer a sensação de que o Tricolor entrou em uma zona perigosa justamente em um momento em que precisava de estabilidade para sustentar a temporada.
O ponto que mais pesa é o número: o São Paulo já chegou a sete lesões musculares desde a reformulação recente na preparação física. Em um calendário apertado, isso por si só já seria motivo de debate. Mas o cenário ganha ainda mais força porque, no começo de 2026, o clube vivia um quadro bem diferente, com controle físico elogiado internamente e até um mês inteiro sem lesões registrado no início do trabalho do Núcleo de Saúde e Performance.
Agora, a realidade é outra. Marcos Antônio virou o caso mais recente ao deixar o jogo contra o O’Higgins ainda no primeiro tempo com dores na coxa. Depois, exames confirmaram lesão no músculo reto femoral da coxa direita, com previsão de até seis semanas de recuperação. Antes dele, outros nomes importantes já vinham entrando na lista de problemas físicos, aumentando a pressão sobre a comissão técnica e também sobre a preparação do elenco.
Entre as ocorrências recentes estão Sabino, Luciano e Ferreirinha, todos afetados por questões musculares em meio à sequência de jogos. Na relação mais ampla dos problemas desde a chegada de Roger, também aparecem Enzo Díaz, Lucas Ramon, Alan Franco, Lucca e outros atletas que, por lesão, desgaste ou trauma, acabaram tirando a comissão técnica da zona de conforto. Mesmo quando nem todos os casos são musculares, o volume de baixas passa a criar um ambiente de instabilidade que mexe diretamente no rendimento da equipe.
É justamente aí que o debate ganha mais força. Quando Roger Machado foi contratado, voltou com ele um grupo de confiança, incluindo Paulo Paixão na preparação física. O nome é respeitado no futebol brasileiro, tem currículo pesado e enorme bagagem, mas o histórico mais recente da comissão também passou a ser lembrado. Isso porque, em 2025, o Internacional treinado por Roger e com Paulo Paixão integrou o grupo dos clubes mais atingidos por lesões na Série A, fechando o ano com 50 ocorrências. A sequência de lesões e a falta de resultados culminaram na demissão de Roger Machado em 21 de setembro de 2025, após uma derrota no clássico Gre-Nal.
Esse dado não prova, por si só, que exista uma causa direta entre o atual trabalho e a explosão de problemas físicos no São Paulo. Mas ele pesa porque reforça a percepção de um padrão que começa a incomodar. No Tricolor, o contraste chama ainda mais atenção pelo fato de o início da temporada ter sido marcado justamente por elogios ao controle de carga, ao uso de GPS, à termografia e aos questionários de fadiga que ajudaram o clube a atravessar um primeiro período sem baixas médicas relevantes.
Com a sequência recente de lesões, a dúvida passou a circular com força: o que mudou tão rápido? A resposta oficial ainda é cautelosa, e Roger chegou a tratar o caso de Marcos Antônio como uma fatalidade. Só que, do lado de fora, o torcedor já não enxerga a situação com a mesma tranquilidade. Mesmo na vitória por 2 a 0 sobre o O’Higgins, parte das arquibancadas vaiou o treinador, deixando claro que o ambiente está longe de ser leve, mesmo quando o resultado ajuda.
O problema para o São Paulo FC é que esse tipo de sequência pesa em várias frentes ao mesmo tempo. Pesa na formação do time, porque o treinador perde opções e é obrigado a mexer mais do que gostaria. Pesa no desempenho, porque o elenco perde continuidade. E pesa no ambiente, porque cada novo jogador entregue ao departamento médico reforça a sensação de que o clube voltou a um roteiro que o torcedor já cansou de ver.
Internamente, o discurso ainda é de controle e atenção. Mas externamente o alerta já foi disparado. Sete lesões musculares em pouco tempo não são um detalhe qualquer, e o histórico recente do trabalho anterior de Roger Machado só aumenta o tamanho do debate. O São Paulo agora tenta impedir que esse número continue subindo, porque, se a curva continuar nesse ritmo, a pressão em cima da comissão vai crescer ainda mais — e muito rapidamente.
Que absurdo