O clima político no São Paulo FC segue cada vez mais tenso e ganhou um novo capítulo que pode ter consequências diretas dentro e fora dos bastidores do clube. A Comissão de Ética concluiu o julgamento do caso envolvendo o vazamento de áudios ligados ao escândalo dos camarotes do Morumbi e decidiu encaminhar ao Conselho Deliberativo um pedido formal de punição a conselheiros influentes da instituição.
O parecer final, assinado pelo relator Antonio Patiño Zorz, considerou procedente a representação disciplinar apresentada por Douglas Schwartzmann. Segundo o documento, houve violação aos deveres institucionais e dano à imagem do clube na forma como os áudios foram obtidos e divulgados, gerando forte repercussão pública e ampliando a crise interna vivida pelo Tricolor.
A Comissão de Ética recomendou a suspensão de 300 dias para Fábio Mariz, com perda dos direitos associativos durante o período. No caso de Vinicius Pinotti, a punição também foi sugerida, mas ainda depende da decisão final do Conselho Deliberativo, que será responsável por confirmar ou rejeitar as sanções propostas.
No entendimento da comissão, ficou caracterizada uma atuação coordenada entre conselheiros e terceiros para obtenção de material relacionado ao chamado “caso dos camarotes”, além da definição de estratégias para divulgação seletiva das informações à imprensa. O órgão apontou que a conduta ultrapassou os limites de uma denúncia legítima e causou prejuízo institucional ao São Paulo.
O relatório ainda destaca que, mesmo diante de suspeitas de irregularidades, os envolvidos deveriam ter utilizado os canais internos do clube, como mecanismos de compliance e instâncias disciplinares, antes de expor o caso publicamente. Para a comissão, o vazamento contribuiu diretamente para o agravamento da crise e para danos à reputação da instituição.
Outro ponto que chamou atenção foi a diferenciação de responsabilidade entre os conselheiros. Segundo o documento, Fábio Mariz teria participação mais ativa nas articulações e reuniões relacionadas ao material, o que justificaria uma punição mais severa dentro do processo.
O caso agora será analisado pelo Conselho Deliberativo, que terá a palavra final sobre a aplicação das sanções. A votação promete ser decisiva não apenas do ponto de vista disciplinar, mas também político dentro do clube.
Isso porque a possível punição a Vinicius Pinotti pode impactar diretamente o cenário eleitoral do São Paulo. O conselheiro vem sendo apontado como um dos nomes fortes para a próxima eleição presidencial, e sua eventual suspensão pode inviabilizar a candidatura.
Aliados de Pinotti ouvidos nos bastidores avaliam que o processo pode ter influência política e interpretam a movimentação como uma tentativa de afastá-lo da disputa. Caso o Conselho Deliberativo confirme a punição, o cenário eleitoral do clube pode sofrer uma reviravolta significativa.
O desdobramento acontece às vésperas de outra decisão importante envolvendo o mesmo escândalo. Está marcada para o dia 8 de abril a votação que pode definir punições a Douglas Schwartzmann e Mara Casares, apontados como protagonistas do episódio dos camarotes do Morumbi.
Os dois processos estão diretamente conectados: enquanto um investiga o conteúdo das gravações, o outro trata da forma como os áudios vieram a público. O que está em jogo agora vai muito além de punições individuais — envolve poder, influência e o futuro político do São Paulo Futebol Clube.
