O São Paulo Futebol Clube anunciou a rescisão de contrato com a empresa Milclean após uma auditoria interna detectar irregularidades significativas. Essa análise revelou que a empresa não fornecia a quantidade de funcionários acordada, fato que impactou diretamente na qualidade dos serviços de limpeza na sede social do clube.
O clube alegou que, desde setembro de 2024, havia um número alarmante de faltas mensais, variando de 1.300 a 1.500, bem acima da tolerância estipulada de 60 ausências. Em resposta às reclamações, a Milclean alegou estar enfrentando "dificuldades operacionais" e "reequilíbrio financeiro", sem contudo justificar adequadamente sua incapacidade de atender ao contrato.
Além do problema de ausência de funcionários, a Milclean afirmou ter investido em equipamentos que substituiriam a necessidade de mão de obra, mas esses instrumentos não foram usados nos serviços contratados. O São Paulo, por sua vez, buscou resolver a questão através de notificações e reuniões, visando retomar a conformidade contratual e recuperar valores pagos a mais.
A ação judicial movida pelo clube requer o pagamento de aproximadamente R$ 615,4 mil devido ao não cumprimento contratual, além de R$ 2 milhões como restituição de valores excedentes pagos entre setembro de 2024 até março de 2026. Apesar disso, o clube considera um desconto de R$ 1,6 milhão pelos serviços não quitados que foram efetivamente prestados.
O valor pendente à Milclean é, portanto, de R$ 1 milhão, considerando um contrato que estipula um pagamento mensal de R$ 570 mil pela limpeza. O vínculo contratual ainda está vigente até junho de 2027 e para o clube representa um impacto significativo em sua gestão de custos operacionais.
A Milclean foi fundada em 1998 e tem suas origens ligadas a um dirigente do Taubaté. A relação entre a direção do Taubaté e a empresa trouxe questionamentos sobre a escolha da Milclean, uma vez que a contratação foi baseada na proposta de menor custo.
A situação envolvendo a Milclean se insere em um contexto maior de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, que analisam práticas dentro do clube. As investigações, que abordam questões acerca do uso de camarotes, agora se ampliam para o tema da gestão de contratos e a qualidade dos serviços prestados.
O São Paulo, neste momento crucial, deve monitorar de perto o desenrolar da ação judicial e o impacto que essa situação pode ter na imagem institucional e no seu funcionamento diário. A agilidade na resolução desses problemas é vital para manter a eficiência organizacional e a confiança dos associados e torcedores.
