A disputa judicial entre a FGoal e o São Paulo Futebol Clube ganhou novos contornos com a inclusão de documentos que sugerem uma autorização verbal sobre descontos financeiros na operação de vendas de alimentos e bebidas no MorumBis. O ex-diretor social, Antonio Donizete, conhecido como Dedé, afirmou que a diretoria financeira do clube estava a par do acordo, mas o São Paulo se opõe a essa alegação, negando qualquer conhecimento sobre o assunto.
A ação da FGoal reivindica a restituição do contrato que foi extinto por justa causa, alegando que a rescisão ocorreu após a identificação de movimentações financeiras questionáveis. A metodologia utilizada para os pagamentos envolvia a utilização de um sistema de maquininhas de cartões, que facilitou a arrecadação, aumentando a receita mensal do clube, mas que gerou divergências em relação aos procedimentos adotados por ambas as partes.
Dedé defende que sua função era meramente operacional, sem poderes de decisão financeira. Ele afirmou que o clube era informado das práticas em curso e que a implementação do novo sistema resultou em um aumento significativo na arrecadação, que subiu de R$ 45 mil para cerca de R$ 160 mil mensais. Além disso, o ex-diretor argumentou que os custos dos funcionários pagos com os descontos eram uma parte necessária da operação.
O São Paulo, por sua vez, destaca que a competência para firmar acordos é exclusiva de seus representantes legais, e a instituição não reconhece a validade das afirmações de Dedé. Este impasse levou a uma liminar que inicialmente impediu a retirada de bens da FGoal do MorumBis, mas uma nova decisão judicial alterou o andamento do caso, elevando o valor da ação para R$ 8 milhões e transferindo a competência do processo para o Foro Central.
A juíza responsável pelo caso indicou que a FGoal pode estar incorrendo em litigância de má-fé ao tentar burlar a jurisdição estabelecida pelo tribunal anterior. Essa mudança traz mais complexidade à situação, complicando ainda mais as relações entre as partes e potencialmente impactando o futuro das operações no MorumBis.
Desde que a gestão de Harry Massis Júnior assumiu após a renúncia de Júlio Casares, o clube também questiona questões de governança que afetam a segurança e a transparência financeira. A nova empresa contratada para gerenciar as operações de alimentos e bebidas, Gourmet Sports Hospitality, já iniciou uma reestruturação no local, visando uma operação mais eficiente e regulamentada.
A FGoal, por sua vez, foi colocada sob investigação pela força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, que analisa as movimentações financeiras vinculadas ao clube. O cenário se complica ainda mais com o surgimento de questionamentos sobre a integridade da gestão financeira relacionada a essas operações, o que pode levar a um aumento da pressão por maior diligência nas práticas contratuais do clube.
