O Conselho Deliberativo do São Paulo se reuniu nesta quinta-feira após a denúncia envolvendo a filha do presidente do clube, acusada de suposta venda irregular de ingressos de camarote no Morumbi. Em meio a um ambiente de forte tensão nos bastidores e expectativa de parte da torcida por uma possível manobra política para afastar a atual gestão, o desfecho foi bem diferente do que muitos imaginavam.
De acordo com documento oficial assinado pelo presidente do Conselho Consultivo do São Paulo, José Eduardo Mesquita Pimenta, a reunião teve como foco discutir e deliberar sobre a criação de um novo regime na distribuição de ingressos de cortesia, com redução significativa desse tipo de benefício, além da apuração de eventuais irregularidades ocorridas no passado.
O texto deixa claro que, caso sejam identificadas distribuições incorretas, o caso será encaminhado à Comissão de Ética do clube, precedido de duas sindicâncias — uma externa e outra interna. Em nenhum momento o documento menciona afastamento de dirigentes, abertura de processo político contra o presidente ou qualquer medida que caracterize tentativa de golpe institucional.

A denúncia havia sido apresentada por Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, e rapidamente ganhou repercussão entre torcedores, que passaram a interpretar o movimento como uma possível tentativa de desestabilizar a gestão de Massis. O resultado da reunião, no entanto, desmonta essa narrativa e aponta para um caminho estritamente administrativo e institucional.
Na prática, o Conselho optou por endurecer regras, reduzir privilégios e estabelecer mecanismos formais de investigação, sem prejulgar pessoas ou antecipar punições. A decisão foi vista internamente como uma resposta para dar transparência ao processo e, ao mesmo tempo, evitar que o clube voltasse a mergulhar em disputas políticas que historicamente causaram prejuízos ao São Paulo.
Para o torcedor, o recado é direto: não houve golpe, não houve manobra para retirada do presidente e não houve julgamento sumário. O que houve foi a formalização de um processo de apuração, dentro dos trâmites estatutários, com foco em corrigir falhas e estabelecer controles mais rígidos na distribuição de ingressos.
O episódio passa a ser mais um teste de credibilidade para a atual gestão, que agora terá de transformar a promessa de transparência em ações concretas. Ao mesmo tempo, a decisão do Conselho afasta o clima de ruptura institucional e mantém o São Paulo focado no que mais importa: estabilidade fora de campo e competitividade dentro dele.
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