Novos áudios revelam conspiração para derrubar Casares e citam apoio até da polícia
Blog do Jorge Nicola
A renúncia de Julio Casares à presidência do São Paulo, anunciada na última quarta-feira, ganhou contornos ainda mais graves com o vazamento de novos áudios que indicam a existência de um plano articulado pela oposição para acelerar a queda do dirigente. As gravações, com mais de uma hora de duração, revelam bastidores que envolvem compra de áudios, estratégia de vazamento, uso da imprensa e até a citação de apoio dentro da polícia.
As conversas foram gravadas por Adriana Prado e seu marido, Tom, personagens centrais da polêmica envolvendo a venda clandestina de camarotes no Morumbi. Nos áudios, o casal dialoga com Fabio Mariz e Denis Ormrod, opositores históricos no clube, que detalham o roteiro para enfraquecer e derrubar Casares. O conselheiro Vinícius Pinotti, candidato à presidência do São Paulo, também é citado como parte do grupo, embora não tenha participado diretamente da reunião.
Fabio Mariz é conselheiro vitalício do São Paulo, enquanto Denis Ormrod foi expulso do clube anos atrás. Nos trechos revelados, a dupla explica como pretendia utilizar a gravação de uma conversa entre Adriana, Douglas Schwartzmann e Mara Casares — adquirida, segundo o áudio, por R$ 400 mil — para atingir diretamente o então presidente do clube.
Em um dos momentos mais sensíveis da gravação, Mariz afirma que os áudios seriam entregues a uma ala da polícia favorável à investigação contra Casares. “Polícia especializada de confiança”, diz ele. Questionado por Tom se isso significaria uma polícia que atuaria conforme os interesses do grupo, Mariz responde: “É isso. É polícia boa, que trabalha de verdade”. A fala ganhou ainda mais repercussão pelo fato de Mariz ser filho de Antonio Carlos Mariz de Oliveira, advogado de grande prestígio no país.
O conselheiro também menciona que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) receberia a denúncia. “A partir daí, o mundo da polícia será um paraíso. Porque aí haverá um leque de coisas para começar a puxar o fio”, afirma, reforçando a estratégia de pressionar e ampliar o alcance das investigações.
Durante a conversa, Adriana questiona a legalidade das gravações. Mariz admite que a gravação é ilegal, mas afirma que as provas seriam encaminhadas a pessoas de sua “absoluta confiança” dentro da polícia. Em outro trecho, ele afirma que parte do material seria direcionada à imprensa. “Uma hora ou outra, vai estourar. A gente só está acelerando os fatos”, diz.
Os áudios revelam ainda a discussão sobre possíveis versões para justificar o vazamento do material. Entre as hipóteses levantadas pelos opositores estão a simulação de um assalto ao celular de Adriana ou a alegação de que o aparelho teria sido hackeado, tudo para afastar suspeitas de uma ação orquestrada dentro do São Paulo.
Embora não tenha participado da reunião por estar em viagem, Vinícius Pinotti foi citado nas conversas. Procurado anteriormente, ele afirmou ter recebido os áudios em primeira mão e confirmado o vazamento, fazendo duras acusações contra Adriana Prado, que, por sua vez, sustenta ter devolvido os R$ 400 mil pagos pelos opositores.
Os envolvidos também foram procurados após a divulgação do conteúdo. Fabio Mariz afirmou que só se manifestará quando Adriana enviar o áudio integral, com cerca de três horas de duração. Denis Ormrod declarou que subscreve integralmente as palavras de Mariz. Já um dos responsáveis pela investigação policial negou qualquer tipo de favorecimento, afirmando que o trabalho é imparcial, acompanhado pelo Ministério Público e que teve início antes da divulgação dos áudios.
O conteúdo reforça a gravidade da crise política que levou à renúncia de Casares e levanta questionamentos sobre a atuação de bastidores no clube, o uso estratégico de investigações e o impacto desse ambiente no futuro institucional do São Paulo.
rapaz tinha que pegar essa turma toda e mais a turma do casares e fazer uma limpa expulsar todo mundo.
Essa conspiração salvou o São Paulo. Imagina se nada fosse descoberto, os corruptos continuariam no poder e o chefe do esquema de camarotes (Carlomagno) fosse eleito, dando continuidade a gestão Casares?