Matéria do Estadão:
Investigada por envolvimento em um esquema de exploração clandestina de camarote no MorumBis, a intermediária Rita de Cássia Adriana Prado também atuou em eventos do clube social do São Paulo, onde firmou contratos sem autorização da organizadora oficial. Segundo apuração publicada nesta sexta-feira, Adriana falava frequentemente em nome de Mara Casares e negociava parcerias comerciais para levar empresas ao estádio e às dependências do clube.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu durante a festa junina do São Paulo, realizada entre junho e julho de 2024. A reportagem teve acesso ao contrato firmado entre a empresa The Guardians Entretenimento, pertencente à intermediária, e uma hamburgueria que operou no evento. O acordo previa o pagamento total de R$ 18 mil, sendo R$ 14 mil destinados diretamente a Adriana e R$ 4 mil, segundo o documento, à empresa FGoal, responsável pela organização da festa.
O contrato foi assinado no dia 26 de junho de 2024, poucos dias antes do início do evento, que ocorreu em dois fins de semana consecutivos. No entanto, em 3 de julho, Adriana devolveu os R$ 14 mil à proprietária da hamburgueria. A defesa da intermediária afirma que o contrato foi desfeito porque “as exigências não foram atendidas”, embora não tenha detalhado quais seriam essas exigências.
A empresária Gabriela Ziegelmann, dona da hamburgueria, afirma que só recebeu o dinheiro de volta após entrar em contato direto com a organizadora do evento, que teria informado que encerraria qualquer relação com Adriana. “Caí numa furada grande com ela, me gerou um estresse e desespero bem grandes. Entendo que ela agiu de má-fé”, declarou.
O empresário Flávio Franco Duarte, proprietário da FGoal, afirmou que o contrato foi firmado sem sua anuência e que os R$ 4 mil mencionados no documento não se tratavam de comissão, mas sim de custos de estrutura, como montagem, elétrica e cenografia, pagos diretamente a fornecedores. Segundo ele, a hamburgueria foi induzida a pagar um valor indevido pela intermediação.
De acordo com Duarte, assim que a empresa organizadora tomou conhecimento da negociação, exigiu a devolução imediata do valor. “A FGoal não teve participação nem conhecimento prévio desse contrato”, afirmou.
A atuação de Adriana não se restringia à festa junina. Registros em redes sociais e relatos de pessoas que conviveram com a intermediária indicam que ela atuava ao lado de Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo, na captação de patrocínios e parcerias comerciais para camarotes em grandes eventos realizados no MorumBis.
A proximidade entre Adriana e Mara é documentada em publicações conjuntas nas redes sociais e em agradecimentos públicos por convites a eventos no clube. A parceria também teria se estendido a camarotes utilizados durante shows internacionais, como os de Shakira e Bruno Mars, além de outros grandes artistas.
Embora Adriana não tivesse cargo formal no São Paulo ou no MorumBis, ela atuava há anos no estádio e intermediava a entrada de marcas em camarotes durante eventos. Empresas de diferentes segmentos citaram a intermediária em postagens, agradecendo convites para ações promocionais em espaços VIP durante shows.
O caso ganhou maior repercussão após o Ministério Público e a Polícia Civil passarem a investigar a exploração ilegal de um camarote no estádio, que não era comercializado oficialmente pelo clube. Um áudio divulgado revelou diálogos envolvendo Mara Casares e Douglas Schwartzmann, então diretor do São Paulo, pressionando Adriana a encerrar uma cobrança judicial relacionada ao esquema.
O escândalo, somado a outras investigações que apuram supostos desvios de verba no clube, culminou no afastamento e posterior renúncia de Julio Casares da presidência do São Paulo, após aprovação de seu impeachment pelo Conselho Deliberativo.
Na última semana, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Adriana, Mara Casares e Douglas Schwartzmann. Na residência da intermediária, os investigadores encontraram um caderno com anotações consideradas relevantes para o avanço das apurações.
A defesa de Mara Casares afirma que ela colabora integralmente com as autoridades e que a lisura de seus atos será comprovada. Já a defesa de Adriana sustenta que a intermediária “nunca praticou qualquer ato ilícito” e que todas as acusações serão esclarecidas ao final das investigações.
Essa aí tem que fazer companhia para a Mara cutaia na cadeia
Imunda
Só tenho uma dúvida:" Na reunião em que o Casares assumiu seu primeiro mandato, havia no auditório uma mulher bêbada, falando um monte de groselha, quem era esse Ser?"