25 anos do título do Paulistão de 1998

O regresso épico de Raí e a história da 19ª conquista estadual do Tricolor

Fonte São Paulo FC .net
por Eduardo Knapp/Folha Imagem

A temporada de 1998 do Tricolor começou de uma maneira especial. No dia 25 de janeiro - aniversário do clube e da capital paulista - o São Paulo enfrentou um combinado Santos/Flamengo em um evento que marcou a reinauguração do Estádio do Morumbi (após reformas) eo retorno do ídolo Raí ao Mais Querido.

Esse regresso do camisa 10, contudo, foi somente um aperitivo. Raí passaria ainda pouco mais de quatro meses no Paris Saint-Germain, da França, antes de voltar definitivamente para o Brasil.

Nesse meio tempo, o São Paulo, com um time de jovens promessas, como Rogério Ceni, França, Denílson - que se despediu do Tricolor ao final da competição, com lágrimas nos olhos -, e outros, alcançou a final do Paulistão após obter a melhor campanha entre todos os participantes – com oito vitórias, um empate e apenas uma derrota na fase inicial (batendo o Santos duas vezes, 3 a 2 e 2 a 1) –, e eliminar o Palmeiras na semifinal (novamente duas vitórias, 2 a 1 e 3 a 1).

Contudo, na primeira partida da decisão, realizada no Morumbi no dia 3 de maio, o Tricolor perdeu por 2 a 1 para o Corinthians. Assim, para sagrar-se campeão estadual, os são-paulinos necessitavam vencer o “jogo de volta” por qualquer placar.

Um dia antes, 2 de maio. Raí conquistara o último título dele pelo PSG: a Copa da França. Ansioso por vestir novamente a camisa do São Paulo, o meio-campista rescindiu de vez o contrato que possuía com o clube francês, no dia 5, e na tarde seguinte já se encontrava em solo paulistano. Foi apresentado como reforço tricolor na quinta-feira, 7.

“Vamos jogar uma bomba no Parque São Jorge”, disse um diretor são-paulino ao Diário Popular, naquela ocasião. Sim. Raí seria essa bomba. Até aquele instante, o jogador havia marcado sete gols em 15 majestosos, além de ter feito a trinca de gols que deu ao São Paulo o Paulistão de 1991 sobre o rival. “Ele tem pinta de campeão e pode ajudar a equipe nesta reta final de Campeonato Paulista”, complementou.

O próprio Raí não contava com a oportunidade de jogar de imediato: ainda mais uma única partida, justamente em um clássico de final de campeonato. Como o regulamento do próprio torneio nada impedia (Anexo I, Artigo 14, “as associações não terão prazo limite para inscrição de atletas na Seção de Registro da Federação Paulista de Futebol, com base no artigo 230 das Normas Orgânicas do Futebol – CBDF), caberia a Nelsinho Baptista, o treinador do Tricolor, o uso do consagrado jogador, ou não.

Tendo realizado somente um treino, e sempre deixando claro que não gostaria de tirar o mérito dos demais atletas do elenco, que batalharam para chegar até aquela decisão e que viam, então, os holofotes mudarem de lado, Raí assumiu a camisa nº 23, que nunca antes havia sequer cogitado usar pelo Tricolor, e foi para o jogo!

A dúvida era se iria como titular ou se ocuparia um posto no banco de reservas.

Ao subir os degraus que separam o vestiário do gramado do Morumbi e ser visto pela multidão de tricolores presentes ao estádio entre os titulares do time, uma certeza tomou conta da torcida: o São Paulo seria o campeão!

E a certeza se fez realidade logo aos 30 minutos da primeira etapa: Zé Carlos, pela direita, cruzou para área. França escorou de cabeça e Raí testou a bola para o fundo das redes! São Paulo 1 a 0! Com gol dele, do ídolo regresso!

No segundo tempo, o adversário chegou a assustar, empatando a partida aos cinco minutos, contudo, França, duas vezes, aos 11 e aos 37 minutos, selou de vez o destino do troféu do Campeonato Paulista de 1998: o Memorial do São Paulo Futebol Clube!

Coube a Raí, não erguer o troféu – o capitão Márcio Santos assim o fez –, nem ser eleito o melhor jogador (Müller, do Santos) ou o artilheiro do torneio (França), mas ser eternizado com o coro da torcida: “Raí, Raí, o Terror do Morumbi”...

O jogo do título

SÃO PAULO Futebol Clube 3 X 1 Sport C. CORINTHIANS Paulista

SPFC:Rogério Ceni; Zé Carlos, Capitão, Márcio Santos (Bordon) e Serginho; Alexandre, Fabiano, Carlos Miguel (Gallo) e Raí (Víctor Hugo Aristizábal); França e Denílson. Técnico: Nelsinho Baptista.
Gols:Raí, 30'/1; França, 11'/2; França, 37'/2.

SCCP:Nei; Rodrigo (Didi), Cris, Gamarra e Silvinho; Romeu (Edílson), Vampeta, Rincón e Souza (Marcelinho Souza); Marcelinho Carioca e Mirandinha. Técnico: Wanderley Luxemburgo.
Gol:Didi, 5'/2

Árbitro:Sidrack Marinho dos Santos
Renda:R$ 814.680,00
Público:79.710 pagantes

O artilheiro

França - 12 gols

Campanha

Semifinais
19.04.1998 – 2 X 1 – Sociedade Esportiva PALMEIRAS (SP)
25.04.1998 – 3 X 1 – Sociedade Esportiva PALMEIRAS (SP)

Finais
03.05.1998 – 1 X 2 – Sport Club CORINTHIANS Paulista (SP)
10.05.1998 – 3 X 1 – Sport Club CORINTHIANS Paulista (SP)

*O clube iniciou o campeonato já na segunda fase.

Classificação final

Os campeões

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Comentários

evandro wosniak bispo
1 0
10/05/2023 16:19:01

Um dos títulos que mais vibrei na minha vida. Para não lembra, o São Paulo perdeu o 1º jogo para as gayvotas, as mesmas já estavam se intitulando campeãs, rixas entre jogadores e técnicos. Entre o 1º e 2º foram exatamente 07 dias, porém, eternos para nós, e com notícia bombástica, a chegada do terror do Morumbi. No 2º jogo a história foi outra, Raí marcou gol, deu passe para gol, e Denílson Show e França acabaram com o jogo.

jailton alves
0 2
10/05/2023 15:16:10

Ficar relembrando conquistas é uma maneira de amenizar sofrimento?

paulo roberto miranda
3 0
10/05/2023 12:27:46

propaganda demais aqui, tá louco! o que fizeram com o app.?!

paulo roberto miranda
2 0
10/05/2023 12:26:46

Um dos maiores títulos que já vi o tricolor ganhar... Na ocasião era muleke, trabalhando em um lava rápido de posto de gasolina, o salário mínimo era de 130 reais, era o mesmo preço de uma camisa oficial e o mesmo valor que recebia também, mesmo assim apostei com o dono da empresa uma camisa e no final pude ter pela primeira vez na vida um manto tricolor que tenho guardado comigo até hoje! E o França fazendo o gesto de que acabou tudo após o terceiro gol, Denilson voando e a volta triunfal do Rai

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