Na temporada de 2008, o São Paulo começou o ano com o astral lá em cima, pois vinha de duas conquistas consecutivas de Campeonato Brasileiro e tinha naquele período o melhor treinador do Brasil (Muricy Ramalho).
O estilo de jogo implantado pelo treinador era o tão comentado “Muricybol”, que consistia em uma defesa muito forte, jogadores altos e eficiente bola parada — estilo esse que dominou o futebol brasileiro por três anos consecutivos e que era extremamente efetivo na sua proposta. Além disso, o time tinha jogadores de grande peso no elenco, como Rogério Ceni, Miranda, Jorge Wagner, Dagoberto, Borges, Hernanes e Aloísio Chulapa, conhecido pelo seu futebol de força física e também pelas broncas que tomava de Muricy. Mas se engana quem acha que a conquista veio de forma tranquila.
Início morno e primeira vitória no Brasileirão 2008 apenas na 5ª rodada
A temporada de 2008 não começou da melhor maneira para o Soberano. Eliminado nas semifinais do Campeonato Paulista no primeiro semestre e vindo de eliminação na Copa Libertadores da América para a equipe do Fluminense nas quartas de final, o São Paulo iniciou o Brasileirão daquele ano cabisbaixo e desanimado por conta das duas eliminações.
Depois das quatro rodadas iniciais sem uma única vitória na competição, o alívio veio apenas na 5ª rodada, quando o Tricolor goleou o Atlético Mineiro por 5 a 1. A partir daí, os comandados de Muricy passaram a ter outra postura e engataram uma sequência de cinco partidas sem derrota. Partida contra o Náutico na 29ª rodada foi o ponto de arrancada para o título Na véspera do jogo contra o Náutico, confronto que valia pela 29ª rodada, o São Paulo estava na 5ª colocação, com 49 pontos — com quatro pontos a menos que o líder Palmeiras naquela oportunidade. Sendo assim, um tropeço diante dos pernambucanos deixaria o Tricolor do Morumbi ainda distante do sonho do terceiro título consecutivo do Brasileirão.
Com muito drama envolvido e atuando sob os seus domínios, no Morumbi, o Tricolor venceu a partida pelo placar mínimo, com um gol salvador de Hernanes, um dos melhores jogadores da história do São Paulo, aos 37 minutos da etapa final, que deu ao Soberano o 4º lugar. Naquela altura, o São Paulo somava nove partidas consecutivas sem derrota no Brasileirão.
Arrancada para o título e 18 partidas sem derrota

Da 21ª rodada até a 38ª e decisiva rodada do Brasileirão de 2008, o São Paulo não perdeu sequer um jogo, o que rendeu 18 rodadas sem derrota — a 12ª maior invencibilidade do Brasileirão em toda a história.
Ainda assim, como o 1º turno da competição não foi dos mais consistentes para quem pretendia brigar pelo título, o Soberano chegou para a última partida do campeonato sem estar com o título garantindo e dependia de um empate para garantir o tri.
Para a rodada decisiva, a situação era seguinte: o São Paulo liderava com 72 pontos e tinha 20 vitórias. Já o Grêmio, vice-líder da competição, tinha três pontos a menos que o Tricolor do Morumbi, mas tinha o mesmo número de vitórias que o seu adversário postulante ao título. Como o primeiro critério de desempate era o número de vitórias, se o São Paulo perdesse na última rodada e o Grêmio vencesse o seu jogo, os gaúchos terminariam o Brasileirão 2008 como campeões, pois ultrapassariam o São Paulo no número de vitórias.
Dependendo apenas de um ponto para ficar com título na última rodada, o São Paulo viajou a até Brasília para encarar o Goiás, no estádio Bezerrão. Atuando fora de seus domínios e precisando de ao menos um ponto para se sagrar campeão, o Tricolor Paulista tinha 50% de probabilidades de vencer a partida contra os goianos, segundo sites de aposta online como Betway, por exemplo.
Em um jogo tenso por tudo que envolvia, os comandados de Muricy eram muito experientes e conseguiram vencer o Goiás no estilo do treinador: defesa sólida, vitória por 1 a 0 e gol de Borges. Com o triunfo, o Tricolor deu a volta olímpica para o tricampeonato brasileiro consecutivo e o sexto da história do clube.
Estilo de jogo do São Paulo atual é o oposto do “Muricybol”
Hoje, a proposta de futebol do Tricolor sob o comando de Fernando Diniz é bem deferente do que Muricy implantava de forma muito eficiente há mais de dez anos e condiz mais com as exigências d futebol atual. No entanto, nem toda a torcida gosta do estilo de jogo de Diniz, algo que rende críticas desproporcionais a ele.
O tempo passou, o futebol mudou em alguns pontos e o que deu certo no passado para o Tricolor, no futebol contemporâneo é bem mais difícil de se aplicar. O jogo moderno é praticado em toques mais curtos, com times compactados encurtando as linhas e com poucas bolas alçadas na área. Características essas que fazem parte das rotinas dos treinamentos de Diniz.