Adversário do São Paulo nesta quinta-feira, pelas oitavas de final da Libertadores, o Deportivo Toluca é propriedade de um dos homens mais poderosos do México: o empresário Valentín Díez Morodo, conhecido como "conselheiro dos super-ricos".
Morodo está por trás de todos os grandes negócios que acontecem em território mexicano. Em 2013, por exemplo, foi diretamente responsável pela maior venda de uma empresa de seu país para um grupo estrangeiro: a do Grupo Modelo (fabricante da cerveja Corona) para a gigante AB InBev, (fusão da belga Interbrew e a brasileira Ambev) por US$ 20,1 bilhões (R$ 71,2 bilhões, na cotação atual), entre outras grandes fusões e aquisições.
Herdeiro do Grupo Modelo, o empresário pode não ser o homem mais rico, mas certamente é o mais influente do mundo do business no México. Não à toa, é figura chave em mais de 30 conselhos de administração de grandes companhias, instituições e até museus, como o famoso Museu do Prado, em Madri (Espanha).
Conhecido pelo jeito falastrão e bem-humorado, gaba-se a todo momento de como fez a Corona tornar-se uma cerveja "mundial", sendo vendida em quase 200 países e ficando conhecida como a marca favorita do personagem Dominic Toretto, interpretado por Vin Diesel na série "Velosos e Furiosos".
Além disso, foi decisivo na expansão de marcas como Telefonica, Kimberly-Clark e Zara no México. Morodo ainda atua no conselho de empreiteiras, como a OHL México, no banco Banamex, que foi comprado pelo Citigroup, na petroquímica Mexichem, na fabricante de vinhos Bodegas Vega Sicilia, na Universidad Iberoamericana e na companhia aérea Aeromexico, entre diversas outras grandes empresas.

Morodo é presidente e dono do Toluca
Ao todo, ele é responsável por 3,4% do PIB mexicano.
"Foi assim que Morodo ganhou toda sua reputação: aconselhando os super-ricos, assessorando operações multimilionárias e estando sempre perto do poder", descreveu o jornal El Financero, em artigo sobre o empresário.
O poder de Valentín Diez é tanto que ele foi apontado como chefe do Comce (Conselho Mexicano de Comércio Exterior), atuando como "ponte" para grandes negócios entre México e outros países. Recentemente, isso rendeu até uma "bronca" ao Brasil.
Em entrevista recente ao jornal El Economista, o businessman criticou a "desorganização" do comércio brasileiro, dizendo que o país oferece grandes oportunidades para investidores, mas "tropeça nas próprias pernas" ao não oferecer regras claras a empresários estrangeiros e também se atrapalhar com a crise política atual em Brasília.
"O Brasil é um dos países que infelizmente mais conseguiu destruir seu próprio desenvolvimento. Segue sendo um país atrativo, tem uma capacidade econômica boa e é muito interessante. O que temos que esperar é que eles mesmos organizem sua casa", disparou, em um dos trechos da entrevista.
"Os empresários mexicanos têm experiência e gostam do Brasil. Eu mesmo tive várias indústrias, algumas como conselheiro, outras de maneira direta. A forma de atuar e se desenvolver no Brasil é interessante, mas o que acontece é que eles têm que estabelecer regras mais claras em matéria do que é controle do Estado, para que se facilite o intercâmbio comercial e o estabelecimento de empresas mexicanas lá. Eles precisam ter as regras do jogo bem claras", acrescentou.
A relação com o Toluca
Valentín herdou o Toluca de seu pai, o empresário espanhol Nemésio Díez Riega, que chegou ao México com 13 anos de idade e foi dono e comandante da equipe alvirrubra por muitos anos. Apaixonado por futebol, o atual presidente manteve a paixão do pai pelo clube, e, com a força da cerveja Corona, o transformou em uma das grandes potências do futebol mexicano, rivalizando com América, Chivas e outros.

Toluca é um dos times mais ricos do México
Recentemente, Valentín, de olho no centenário da equipe, em 2017, anunciou que irá expandir o velho estádio do clube (rebatizado de Nemesio Díez em homenagem ao patriarca), ampliando a atual capacidade, que comporta apenas 21 mil torcedores.
O "conselheiro dos ricos" também é voz ativa no time, não se limitando a investir dinheiro. No início deste ano, por exemplo, participou das festividades de 99 anos do Toluca e, ao cortar o bolo de aniversário, bradou em alto e bom som que a conquista inédita da Libertadores é a obrigação dos "Diabos Vermelhos" nesta temporada.
"Estamos às vésperas de celebrar o centenário de nossa instituição, e creio que temos a oportunidade de conseguir mais uma estrela para nosso uniforme. Mais que uma oportunidade, é uma obrigação. Me perguntaram se vamos priorizar a tentativa de conquistar o Mexicano ou a Libertadores, e eu digo: queremos os dois", afirmou.
Para isso, prometeu fazer grandes investimentos no plantel comandado pelo ex-atacante paraguaio Jose Saturnino Cardozo, que, em seus tempos de jogador, foi o maior artilheiro da quase centenária história dos alvirrubros.

Toluca liderou grupo do Grêmio na Libertadores
"Em fevereiro do ano que vem, queremos ter uma grande celebração, e para isso faremos um grande esforço econômico. Vocês verão os investimentos no estádio e nos arredores. Sempre fomos um grande clube e vamos demonstrar isso", assegurou.
Na primeira fase da Libertadores, o Toluca terminou na liderança do grupo 6, com quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota (para o Grêmio, em partida que os mexicanos usaram uma formação reserva). Nesta quinta, será a vez do São Paulo ser colocado à prova contra os milhões de dólares da cerveja Corona e do ambicioso milionário mexicano. A partida será às 21h45 (horário de Brasília), no Morumbi.