Muricy Ramalho segue se reinventando e aproveita o melhor que tem no ataque para recuperar o São Paulo

Fonte ESPN
No Beira-Rio, São Paulo se defendendo em duas linhas de quatro com Ganso e Kaká pelos lados e apostando em mobilidade na frente.
Não foram duas belas exibições do São Paulo nas vitórias sobre Palmeiras e Internacional. O time oscilou e houve também a natural resistência dos adversários em clássico regional e numa partida fora de casa. Sem contar que aconteceram depois da eliminação vexatória na Copa do Brasil para o Bragantino.
Além dos seis pontos fundamentais na tabela do Brasileirão que reconduziram ao G-4, o que fica das atuações do time de Muricy Ramalho é o esforço do treinador para abrigar na equipe toda a qualidade disponível em seu elenco. Especialmente o quarteto ofensivo.
Kaká, Ganso, Pato e Alan Kardec. Não é tão fácil coordená-los. Nem sempre os talentos se entendem. Exemplos não faltam no futebol mundial, desde o "pior ataque do mundo" formado por Edmundo, Romário e Sávio em 1995 no Flamengo até o Real "galáctico" de Ronaldo, Raúl, Beckham, Zidane, Figo, Roberto Carlos, Owen...sem títulos de 2003 a 2007.
Muricy tenta compensar as dificuldades com rotação, troca de posições e funções. No "Choque-Rei", Kaká começou do lado direito e terminou como referência em um 4-2-3-1. No Beira-Rio atuou mais pela esquerda. Ganso jogou no centro no Pacaembu e, além do gol da vitória sobre o Colorado aparecendo no meio da área para completar jogada iniciada com bola roubada no campo de ataque, ocupou o lado direito de uma segunda linha de quatro. Recuando para combater e também organizar.
A versatilidade de Kardec também é aproveitada. Como referência no ataque ou pelos flancos, até pela disciplina na volta com o lateral adversário. No duelo contra seu ex-time, começou na frente, circulou pelas pontas e apareceu na área para decidir. Pato é o que tem menos atribuições defensivas. Mas nunca com a função de centroavante. É atacante. Mesmo que fique sozinho na frente, não é pivô. Sempre tem companhia para as tabelas e pode fazer as infiltrações em diagonal a partir da esquerda que são sua marca.
Em campo, os quatro se procuram para as combinações. Mobilidade para criar espaços. Sem a bola, trabalho coletivo buscando compactação, pressão no homem da bola, bom posicionamento. Nem tanta posse - ao menos nas duas últimas partidas ficou menos tempo com a bola que os rivais. Muito pela presença de Kaká, sempre vertical e prático na tomada de decisão. Seu estilo pede contragolpes. Ainda assim, é o quarto time que mais acerta passes e o segundo em posse na competição (Footstats).
Ainda falta um pouco de profundidade, que não é compensada pelos laterais. Até porque Paulo Miranda fica mais preso à direita para Álvaro Pereira descer pela esquerda. Mas a iniciativa de apostar na qualidade é louvável.
Muricy tem suas lacunas, como a resistência para aproveitar os jovens valores da base. Também o jeito tosco no trato com os jornalistas - embora tenha melhorado neste ponto. Mas soaria incoerente manter as ressalvas ao técnico sem perceber esse movimento de mudança tão necessário no futebol brasileiro.
Talvez falte preparo, conhecimento para aplicar da melhor maneira os conceitos mais atuais. Ele, porém, ao menos tenta se reinventar. E pode fazer o São Paulo disputar o título se minimizar a irregularidade que tira pontos importantes. Vale seguir observando a evolução do time do Morumbi. A começar pelo "San-São" no domingo.
OLHO TÁTICO

No clássico paulista, Kaká iniciou pela direita e terminou como referência, naturalmente procurando o lado esquerdo.

Kardec contra seu ex-time: centroavante de início, depois circulou pelos lados - especialmente à esquerda - e apareceu na área para decidir o clássico

Pato atuou mais avançado no Pacaembu, partindo da esquerda para criar ou finalizar.

Contra o Palmeiras, Ganso circulou por todo o campo na organização como meia central.
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