A paixão do meia-atacante, de 18 anos, pelo futebol vem de berço (Edno Luan/Futura Press)
Chegou a hora de o sobrenome Boschilia se destacar novamente no futebol brasileiro. Com o São Paulo já classificado para as quartas de final do Paulistão, Muricy Ramalho vai poupar parte dos titulares e, assim, dará chance ao jovem Gabriel Boschilia contra o Botafogo, no domingo.
A paixão do meia-atacante, de 18 anos, pelo futebol vem de berço. Afinal, ele carrega o sobrenome do tio-avô, o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que esteve presente em quase todas as finais estaduais e nacionais nas décadas de 70 e 80.
“Infelizmente, não o conheci. Ele morreu quando eu era criança”, lamenta-se Gabriel, sempre questionado sobre o parente famoso. “Quando falo o meu sobrenome, as pessoas já me perguntam. Meu pai conta várias histórias dele. De quando os caras mexiam e ele mandava todo mundo vir (para cima dele)... Ele era meio doido”, brinca o jovem.
Precoce e habilidoso, o canhoto despontou no Guarani. Passou para as categorias de base do São Paulo, onde foi lapidado no ano passado. Brilhou na seleção brasileira sub-17 e na Copinha. Nesta temporada, Muricy não perdeu tempo e o promoveu ao time profissional. Agora, ele vai ter uma chance de mostrar o seu valor.“A expectativa é muito grande”, admite o garoto, que tem contrato até março de 2019.
Modesto, o garoto respira futebol. Dividindo o quarto com o atacante Ewandro, ele mora no CT da Barra Funda.
“A gente joga sinuca e videogame para passar o tempo”, diz o garoto, que segue as regras impostas pelo clube. “Tem hora para chegar e sair. Aqui, você fica totalmente focado no trabalho. Às vezes, vou ao shopping. Mas fiz 18 anos agora e não tenho carro. Então, descanso para me preparar e dar o meu melhor no trabalho”, afirma Boschilia, que, portanto, vai ter tempo de sobra para se concentrar até o jogo de domingo.
ENTREVISTA:
DIÁRIO_ Pesa muito o fato de ser considerado uma das principais apostas da base do São Paulo?
GABRIEL BOSCHILIA_ Aumenta a responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, é bom. Porque é uma responsabilidade que a vida me entregou e tenho de assumir isso.
Como é conviver com Pato, Luís Fabiano e Rogério Ceni?
A experiência é inexplicável. Eu os via pela televisão e sonhava em um dia estar aqui, jogando com eles. Eu os escuto em todos os momentos e procuro sempre dar o meu melhor para impressioná-los.
O Rogério Ceni já lhe passou algum conselho?
Ele falou para eu ter calma. Disse que, no momento certo, tudo aconteceria e, quando entrasse em campo, era para ficar esperto. Se ele falou para ficar calmo, então é melhor ficar tranquilo mesmo.
Você foi promovido rapidamente para o profissional. Como foi esse processo?
Vinha trabalhando para acontecer isso. Graças a Deus, foi muito rápido e só tenho a agradecer ao Muricy por ter sido dessa maneira a minha promoção ao profissional.
O Muricy conversa muito com quem vem da base?
Ele conversa, explica que não é só chegar e jogar. Fala que não estamos preparados ainda. Eu também vejo que a base é muito diferente do profissional. O Muricy passa experiência e procura melhorar o jogador em todos os aspectos. Ele pega no pé para a gente entrar e não fazer feio.
Ele é bravo?
É bravo, mas quando precisa só (risos).
Em quem você tenta se inspirar no futebol?
Aqui no São Paulo, tento me inspirar no Rogério Ceni. As atitudes dele são excelentes. Em relação ao estilo de jogo, gosto do Ronaldinho Gaúcho. Acompanho ele jogar desde os tempos de Barcelona, Flamengo. Atlético-MG... Ele joga um futebol bonito, tem bom passe, dribla muito...
Futebol no sangue
Simpatia pelo Tricolor
O tio-avô de Gabriel Boschilia fez história no futebol. Advogado e policial militar, Dulcídio Wanderley Boschilia ficou conhecido como um dos árbitros mais polêmicos dos anos 70 e 80. Com sua personalidade forte, o juiz nunca escondeu a sua simpatia pelo São Paulo, mas garantia a imparcialidade nas partidas em que trabalhava. Brigou com jogadores e torcedores. Apitou finais de campeonatos nacionais e estaduais. Morreu em 1998, vítima de um câncer.
As qualidades da joia tricolor
Chute
Canhoto, o meia-atacante não tem medo na hora de arriscar de longa distância. Com potência e uma boa pontaria, também é especialista em bolas paradas.
Visão
O jovem talento joga de olho no posicionamento dos colegas. Com um bom aproveitamento no passe, gosta de deixar os atacantes na cara do gol.
Velocidade
Ao contrário da maior parte dos meias clássicos, o jogador, de 18 anos, tem pique para arrancar com a bola no pé e puxar os contra-ataques do time.
Participativo
Sabe se movimentar. Até por causa da experiência de ter atuado na lateral, tem destreza na marcação, apesar de não ser um especialista no fundamento.
Chegou a hora de Boschilia no São Paulo
Fonte Diário de S. Paulo
20 de Março de 2014
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