Mano conversou com o presidente Mário Gobbi e com o coordenador Alessandro antes de se posicionar (Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Mano Menezes usou boa parte da entrevista coletiva que concedeu nesta terça-feira para esclarecer as insinuações que fez após a eliminação do Corinthians do Campeonato Paulista. Sorridente antes de o assunto ser abordado, o técnico mudou a sua feição para minimizar a polêmica criada com o colega Muricy Ramalho.
“Bom...”, iniciou Mano, respirando fundo antes de abordar a derrota do São Paulo sobre o Ituano, que ajudou a decretar o fracasso estadual do Corinthians. “Em nenhum momento, dentro do vestiário ou na minha entrevista coletiva, houve uma transferência de responsabilidade. Não adianta jogar um contra o outro, que não dará certo. Aqui, ninguém se faz de vítima ou transfere responsabilidade. Não nos classificamos porque não tivemos competência para isso. Eu disse que perdemos a vaga na série de seis jogos que ficamos sem vencer”, defendeu.
Não foi só isso o que Mano disse depois de o Corinthians empatar sem gols com o Penapolense, no domingo. O técnico também adotou um tom irônico ao citar a disposição do São Paulo para reverter o placar de 1 a 0 contra o Ituano, justificou que assumiu o ônus de reformular o time campeão mundial em 2012 e criticou severamente a arbitragem do Campeonato Paulista, além de ter desvalorizado o torneio.
Em relação à postura do São Paulo contra o Ituano, Mano não mudou o seu ponto de vista. Apenas foi mais ameno do que quando invocou os “deuses do futebol” a darem uma futura lição no rival – o atacante Romarinho foi além, chegando a se dizer certo de um resultado “armado” no Morumbi.
“Não somos ingênuos, mas não podemos tapar o sol com a peneira. Uma coisa é você falar sobre alguém não querer ganhar de forma desonesta – e isso não falei nem vou falar se não tiver uma prova muito contundente. O que eu estava dizendo é que a motivação do São Paulo provavelmente não era a mesma de um jogo normal. Um jogo em que a torcida pede para o time perder, em que comemora a derrota, não é normal. Então, também temos o direito de ter sentimentos”, explicou.
O sentimento de Muricy Ramalho com a posição de Mano Menezes foi de revolta. O técnico do São Paulo não gostou de ouvir que “cada um sabe a consciência que deita no travesseiro”. Julgou que a sua conduta moral foi colocada em dúvida e desabafou em programas de televisão.
“Em nenhum momento, falei sobre a honestidade das pessoas. Portanto, era desnecessária a defesa que foi feita ontem pelo melhor dos advogados, o Muricy, uma pessoa corretíssima, que merece todo o nosso respeito”, enalteceu Mano, apesar de repetir algumas vezes que “ninguém é vítima”.
Mano Menezes e Muricy Ramalho têm proximidade desde os tempos em que ambos trabalhavam em Porto Alegre, o primeiro pelo Grêmio e o segundo pelo Internacional. Foi Sidnei Lobo, auxiliar do corintiano e comandado pelo são-paulino quando jogador, que aproximou a dupla. “Eu me considero amigo do Muricy”, avisou Mano, que não fará mais esforços para apaziguar a situação. “O meu pronunciamento foi público, então não acho correto tratar isso de forma privada depois. Estou falando publicamente o que penso. Acho que já é suficiente para saberem que ninguém está discutindo a honestidade de ninguém.”
Muricy não foi o único que se sentiu ofendido. Incomodado com o mal-estar gerado por suas declarações, Mano lembrou que ainda sofre com as suspeitas levantadas em relação à conduta do Corinthians na derrota por 2 a 0 para o Flamengo, em 2009, que prejudicou o São Paulo na disputa pelo título brasileiro daquela temporada.
“Também ouvimos insinuações em 2009, e isso não é agradável. Precisamos nos preocupar com isso, pois já é um conjunto de fatos. Em 2010, foi a mesma coisa na partida entre São Paulo e Fluminense. Não me venham com hipocrisia, dizendo que é algo que nunca acontece. Na semana passada, ficamos falando o tempo todo de um assunto que não acontece? Se todo o mundo abordou, parece-me que alguma coisa está mal. E não houve nenhuma campanha para me defender lá atrás. Então, vamos parar com isso. Ninguém é vítima nessa história”, insistiu Mano Menezes, antes de esquecer os “deuses do futebol” e cobrar uma intervenção contra futuras desconfianças.
Mano nega que tenha transferido a culpa pela eliminação para Muricy
Fonte Gazeta Esportiva
18 de Março de 2014
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