São-paulino de coração, Souza quer ver seu time prejudicar arquirrival (Arquivo/ Diário SP)
Líder de seu grupo e já classificado para a próxima fase do Campeonato Paulista, o São Paulo vai enfrentar o Ituano, domingo, às 16h, no Morumbi. Mas mesmo de bem com a vida e jogando em casa, o Tricolor verá boa parte de seus torcedores apoiando o adversário.
O motivo de tal situação é simples de ser explicado. Caso a equipe de Itu ganhe a partida, o Corinthians, terceiro colocado do Grupo B, ficará mais distante de uma vaga nas quartas de final do estadual.
“Sou torcedor do São Paulo até as 15h59. A partir das 16h, sou Ituano desde criancinha”, brinca o meia Souza, que ganhou o bicampeonato brasileiro (2006 e 2007), o Mundial de Clubes e a Libertadores, ambos em 2005, com o Tricolor. Neste domingo (16), ele defende as cores do Ceará.
Esta não será a primeira vez em que o São Paulo vai passar por tal situação. Há dez anos, o clube ajudou o Corinthians a não cair para a Segunda Divisão do estadual. Naquela ocasião, Grafite fez dois gols na vitória do São Paulo sobre o Juventus por 2 a 1.
“Teve um dos gols do Grafite em que eu estava atrás dele. Fiquei torcendo para a bola não sobrar para mim (risos). Ainda bem que ele fez”, brincou Souza, que garante não ter feito corpo mole em 2004.
Sem amizade/ Quem também poderia se beneficiar de uma vitória do São Paulo é Jadson. Hoje destaque do Corinthians, o meia mantém um ótimo relacionamento com todos os tricolores. Mesmo assim, não ligou nesta semana para pedir favor aos antigos colegas.
Souza reconhece que esse tipo de ajuda inexiste quando a bola rola. “Não há essa conversa, até por toda a rivalidade envolvida. E mesmo se um jogador amigo seu ligar, o máximo que você pode fazer é falar que ajudará, mas, na hora do jogo, vai se esquecer de tudo e cumprir com o seu papel quando a bola passar na sua frente”, diz.
Já que o São Paulo vai fazer a sua parte dentro de campo, é esperar para ver se o destino reservará um novo Grafite.
Comando da equipe de Itu é todo tricolor
Como se não bastasse o clima de “camaradagem” entre São Paulo e Itu em virtude das circunstâncias do jogo, o adversário de domingo no Morumbi tem uma relação bem forte com o Tricolor.
Gestor do Ituano, Juninho Paulista despontou para o futebol mundial justamente no Tricolor, sob o comando do Mestre Telê Santana e de Muricy Ramalho, em 1993.
“É um carinho grande que tenho tanto pelo Ituano quanto pelo São Paulo. É especial, diferente quando o time vai jogar no Morumbi”, reconheceu o dirigente, que não se esquece das conquistas que obteve no estádio do Tricolor, como a Supercopa Sul-Americana de 1993, contra o Flamengo.
“Acho que a melhor parte do futebol é quando você está no campo. O ambiente mais gostoso é o do vestiário. E quando você entra em um estádio no qual tem uma história vitoriosa, acaba sentindo uma nostalgia muito grande”, completou o ex-jogador.
Em sua passagem pelo São Paulo, Juninho também fez parte do Expressinho e viu de perto o começo da carreira de Muricy e de Rogério Ceni, seu companheiro de grupo no título da Conmebol de 1994.
“É uma relação bacana, de muito respeito (que tenho com eles). Não somos aqueles amigos diários, mas batemos um papo bacana quando nos encontramos”, contou Juninho.
Além do gestor, o Ituano tem no comando técnico da equipe o ex-volante Doriva, que também apareceu para o futebol no São Paulo. O ex-jogador da seleção participou da conquista dos títulos da Libertadores e do Mundial de 1993.
Entrevista
Souza_ Ex-jogador do São Paulo
‘Quem fizer o gol vai ficar marcado para sempre’
DIÁRIO_ Você passou por uma situação parecida com essa atual do time do São Paulo, quando enfrentou o Juventus, em 2004. Como foi a semana antes daquela partida?
SOUZA_ Eu me lembro de que se criou um clima ruim. As pessoas queriam que a gente entregasse o jogo, falaram que quem fizesse o gol conta o Juventus ficaria marcado.
Você acha que, desta vez, quem marcar um gol contra o Ituano também vai ficar marcado negativamente?
Com certeza, quem fizer o gol vai ficar marcado para sempre. O Brasil é o único lugar do mundo em que você é pago para fazer gols, mas, às vezes, é criticado porque marca um gol em um jogo no qual não é para fazer isso (risos).
Você tiraria o pé de uma dividida se estivesse em campo?
Nunca tiraria o pé. Até porque o Muricy não quer saber de ajudar ou prejudicar o Corinthians. Ele quer é dar um padrão para o time dele.
O Grafite ficou chateado com a reação da torcida em 2004?
Ele ficou muito chateado com o que aconteceu. Depois do jogo, tinha muita gente falando que ele era corintiano.
Naquela partida, o Cuca era o técnico do São Paulo...
Sim, o Cuca era o técnico. Ele sempre dava uma balinha ou um chiclete para quem ele achava que marcaria um gol. Quase sempre ele dava essa bala para o Luís Fabiano ou o Rogério Ceni. Queria ver ele dar para alguém que estava no banco de reservas... Mas, nesse jogo, acho que deu os chicletes para o Grafite (risos).
Souza joga no Ituano contra o ex-time
Fonte Diário de S. Paulo
15 de Março de 2014
Avalie esta notícia:
10
3
VEJA TAMBÉM
- MONSTRO NA ZAGA? Livre no mercado, zagueiro histórico vira assunto no São Paulo com crise defensiva- BAITA ATITUDE! Roger Machado abre mão de parte da sua rescisão contratual
- ALVO DEFINIDO: São Paulo busca a contratação de defensores para a equipe
- ADEUS! São Paulo oficializa rescisão contratual com zagueiro
- BOMBA: São Paulo negocia naming rights com empresa gigantesca
URGENTE! Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo