ão Paulo x Atlético-PR no Morumbi.
Favorito? São Paulo.
Errado.
O favorito ontem era o Atlético-PR.
Disse no “Esporte em Discussão” e na abertura da transmissão pela Jovem Pan.
Portanto, pelas circunstâncias, o empate não foi uma tragédia.
Olhando camisa e tradição o São Paulo seria o favorito. Mas, olhando o atual momento, tabela, time mais entrosado, elenco mais completo, o favorito era sem dúvida o Furacão.
O Atlético-PR briga pelo G-4, vem fazendo uma campanha praticamente igual a Grêmio, Vitória, Corinthians e Internacional. O São Paulo está péssimo, luta contra o rebaixamento.
A mesma análise serviu para Flu x Corinthians.
O empate no Rio, teoricamente, é bom resultado para o visitante. Mas, olhando o time do Flu, misto, sem os melhores e com vários garotos da Copinha, fica claro que o Corinthians perdeu uma boa oportunidade de somar 3 pontos.
Não é toda hora que você enfrenta o Flu sem Fred, Jean, Deco, Bruno, Carlinhos…
A mesma análise serve para São Paulo x Atlético-PR.
Clemente na lateral direita, zaga improvisada com Rodrigo Caio de zagueiro e Tolói penso, entrosamento zero, Lucas Evangelista recém promovido da base, ataque inofensivo, ineficiente, com dois jogadores muito fracos tecnicamente: Osvaldo e Aloísio.
Aliás três: Ademilson.
Neste momento, o Atlético-PR tem um time bem mais acertado.
O empate foi bom para o visitante, claro, mas o Furacão poderia ter saído com a vitória diante de um Tricolor improvisado, nervoso, sem confiança, vivendo uma das piores fases da sua história em termos de resultados.
Foi um bom jogo, movimentado, equilibrado.
O São Paulo começou bem a partida, com personalidade, confiança e coragem. Atacou, pressionou, dominou 25 minutos, fez o gol, legal, merecido. Depois recuou e pagou caro. O Atlético-PR cresceu, criou duas boas oportunidades e marcou de pênalti, indiscutível.
Empate justo no primeiro tempo.
O Tricolor voltou bem, começou novamente atacando, mas desta vez durou pouco. A partir dos 15 minutos o nervosismo foi tomando conta do time. A inteligência e a frieza tática deram lugar a “raça” burra. Afobados, os jogadores começaram a precipitar as jogadas, erraram todos os passes e o time não conseguiu criar mais nada.
Jadson não foi bem e Ganso mais uma vez não fez nada.
O Atlético-PR dominou os últimos minutos, terminou muito mais tranquilo, consciente, tocando a bola, criando oportunidades. O Furacão terminou mais próximo da vitória. Rogério Ceni evitou a derrota, com pelo menos duas grandes defesas.
Os veteranos Rogério Ceni e Paulo Baier foram os destaques positivos da partida.
Baier fez seu 94o gol em Brasileiros, artilheiro isolado dos pontos corridos. Maravilha.
Osvaldo foi o destaque negativo, mais uma vez.
O Maikon Leite do Nordeste voltou. Sua fase de Seleção foi exceção. Aloísio é esforçado, mas a sua deficiência na finalização é incrível. O “Boi Bandido” só faz gol quando a bola está praticamente lá dentro. Aliás, falando nisso, ontem o atacante quase atrapalhou mais um gol do time. Sorte que não tocou na bola e não interferiu no lance.
É muita “raça”, pouca inteligência e pouca qualidade.
Mas, neste momento, após a saída de atacantes melhores, é o que tem no elenco.

A torcida, que na imensa maioria das vezes atrapalha, ajudou. Apesar do frio e do horário, mais de 25 mil torcedores no Morumbi, ajudando, empurrando e vaiando Juvenal no final. Agindo desta forma, inteligente, a torcida pode fazer a diferença contra o rebaixamento.
Agora o São Paulo precisa arrancar o empate contra o Flamengo, esperar os lesionados voltarem, treinar e trabalhar duro porque a luta contra o rebaixamento é longa e dolorida.
O Atlético-PR sonhou com o G-4 e, com todo respeito, vai continuar sonhando.

Time paulista teve trabalho para vencer a marcação do adversário
Foto: Bruno Santos / Terra