Ceni nega ter influência na cúpula do São Paulo

Fonte diario de SP
8 de Agosto de 2013
O São Paulo encerrou nesta quarta-feira a sua turnê pela Europa e Ásia. O desempenho do time em campo, no entanto, ficou em segundo plano. Em Kashima, no Japão, e do outro lado do mundo, no CT da Barra Funda, os holofotes estavam voltados para o goleiro Rogério Ceni.
Em entrevista ao “O Globo”, o técnico Ney Franco acusara o arqueiro de ser o todo-poderoso do Morumbi, ao afirmar que ele fritava colegas, como Ganso e Lúcio. Sem perder tempo, o Mito retrucou as críticas e disparou contra o ex-treinador.
“Não tenho muito para falar do Ney Franco. Mas para vocês não ficarem sem nada, só queria dizer que, se eu tivesse toda influência que ele acha que tenho, ele estaria no olho da rua há muito tempo”, falou Ceni. “Não esperaria (para demiti-lo) se tivesse o poder de decisão. Sou apenas um funcionário do clube, não decido, não mando. Mas se eu tivesse condições de ter a influência que ele acha que tenho, ele estaria longe há muito tempo”, completou.
No meio deste tiroteio, uma dúvida ficou no ar: seria mesmo o capitão o poderoso chefão do Morumbi? As opiniões de quem convive ou conviveu de perto com o Mito durante os últimos 20 anos são distintas.
Preparador físico do São Paulo até o fim deste primeiro semestre, Alexandre Lopes não muda uma palavra de Ney.
“Concordo com tudo o que ele disse. Era isso o que acontecia e acontece no São Paulo”, afirmou Lopes, ao DIÁRIO.
Quem continua trabalhando com Ceni acabou ficando em cima do muro, como o vice-presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.
“Nunca vi ele interferir. Mas não seria estranho uma pessoa com um vínculo e uma história tão grandes ter esse interesse (de opinar)”, ponderou.
Há também a ala que concorda com Rogério e nega qualquer interferência do capitão, tanto na escalação quanto na política. Os treinadores Muricy Ramalho e Emerson Leão, que trabalharam com o goleiro, garantem: não passaram pela mesma experiência de Ney.
“Comigo lá, isso nunca aconteceu”, garantiu Leão.
Entrevista
Emerson Leão_ Ex-técnico do São Paulo
‘Deve ter sido triste para o Ney’
DIÁRIO_ Alguma vez o Rogério Ceni interferiu no seu trabalho no São Paulo?
EMERSON LEÃO_ Jamais aconteceu isso comigo. Até por eu ter uma personalidade diferente. Mas é uma questão de hierarquia e respeito. Só o Juvenal Juvêncio (presidente do clube) tentou interferir no meu trabalho, quando mandou eu não escalar o Paulo Miranda.
O que você acha desse tipo de interferência, então?
É um absurdo. Agir de uma maneira na frente da pessoa e, pelas costas, de outra. Seria até algo meio que “antiRogério”.
Qual foi a sua reação ao ler essas declarações do Ney?
Fiquei perplexo com tudo isso que ele falou. Se for verdade, ele deve ter sofrido muito, deve ter sido muito triste para o Ney.
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