O São Paulo merece críticas pela má atuação ofensiva, assim como Goiás deve ser elogiado pela garra e bom trabalho de marcação.
Os esmeraldinos aproveitaram a titubeada de Lúcio e balançaram a rede no início do jogo.
Depois, se defenderam muito bem, apostaram nos contra-ataques e foram irritando o adversário ao não permitir que criasse chances claras de gol.
Ney Franco mexeu no posicionamento da equipe e trocou atletas durante o confronto para tentar rever a situação desfavorável, mas só viu seus comandados atuarem bem no começo do segundo tempo.
Para azar dele e dos são-paulinos, a grande oportunidade de o time empatar foi de Juan, que a perdeu tal qual fez na maior parte de sua carreira.
Ganso e Osvaldo, os mais talentosos do sistema ofensivo tricolor, não estavam inspirados.
A derrota pode encerrar o pequeno período de paz gerado pelos três resultados anteriores do São Paulo.
O Goiás conquistou sua primeira vitória no torneio.
Escalações
São Paulo – Rogério Ceni; Douglas (Aloísio), Lúcio, Paulo Miranda e Juan; Wellington, Rodrigo Caio, Maicon (Caramelo) e Ganso; Osvaldo e Luis Fabiano
Técnico: Ney Franco
Goiás – Renan; Vítor, Ernando, Rodrigo e William Matheus; Valmir Lucas, Thiago Mendes, Ramon e Hugo (Juliano); Araújo (Felipe Amorim) e Walter (Neto Baiano)
Técnico: Enderson Moreira
Números que mentem
Os números são importantes para quem pretende analisar o desempenho dos times de futebol, mas não necessariamente eles demonstram qual foi melhor num jogo.
O primeiro tempo de São Paulo x Goiás é o perfeito exemplo que as estatísticas mentem quando o assunto é futebol.
Os comandados de Ney Franco ficaram 64% do tempo com a bola, frequentaram o ataque constantemente, finalizaram bem mais que o adversário, cometeram apenas duas faltas e perderam por 1×0 e viram o Goiás perder duas ótima chances de ampliar.
Apesar da iniciativa ofensiva e da grande frequência no campo de ataque, os são-paulinos não tiveram chances tão claras quanto as três dos esmeraldinos.
É possível explicar as razões.
Os erros
O Goiás fez 1×0 com 1m40s. Rodrigo, ex-zagueiro do time do Morumbi, aproveitou a titubeada de Lúcio, que não subiu com ele, e cabeceou bem no canto direito.
Além de dar vantagem ao seu time, o autor do gol estabeleceu um padrão no confronto que foi mantido até o término da etapa inicial.
O São Paulo atacou sem parar enquanto o Goiás se defendeu e apostou nos contragolpes.
Em vantagem no placar, o campeão goiano colocou em prática sua proposta de se defender e contragolpear.
Para Ganso e inútil
Ney Franco abdicou do 4-2-3-1, esquema tático dos melhores momentos da equipe na temporada, e montou o 4-3-1-2 para facilitar a vida de Ganso.

Assim, o meia teria bastante liberdade de se movimentar e achar o espaço para criar os lances de gol.
Ele ficou muito parado e se perdeu no meio do ferrolho esmeraldino.
Os volantes Rodrigo Caio, Wellington e Maicon, os laterais Juan e Douglas, assim como o zagueiro Lúcio, participaram mais da criação que o meia.
Ficaram tocando a bola de um lado para o outro em busca de espaço no bem posicionado sistema defensivo do adversário.
Arriscaram cruzamentos, chutes de fora da área e buscaram constantemente Luis Fabiano, que não realizou bem o trabalho de pivô.
A outra opção foi Osvaldo. O atacante lutou bastante, arriscou vários lances individuais, preocupou os rivais, porém não conseguiu acertar o último passe e as finalizações.
Ferrolho eficaz
Enderson Moreira escalou o time no 4-4-2 com cara de 4-4-1-1.
As duas linhas de quatro atuaram bem atrás e próximas umas das outras.
Araújo e Walter formaram a dupla de ataque.
As circunstâncias da partida obrigaram Araújo e ajudar bastante na marcação.
Como é veloz deveria ser o atleta mais próximo do centroavante Walter, acabou atuando na meia para puxar o contragolpe.
O Goiás demorou 30 minutos, depois de fazer 1×0, para chutar novamente em gol.
No contra-ataque, Hugo ficou cara-à-cara com Rogério Ceni e perdeu a oportunidade.
Araújo, também em excelente condição de ampliar, desperdiçou a outra chance esmeraldina.
Arbitragem
O gol de Luis Fabiano, aos 8 minutos, foi anulado corretamente. Lúcio, que cabeceou para o centroavante, estava impedido.
Francisco Carlos do Nascimento poderia ter soprado um pênalti para o São Paulo, quando a bola bateu na mão do jogador do Goiás após o chute do adversário, porém interpretou que o esmeraldino não teve a intenção.
Devia ter começado assim
Ney Franco deixou Douglas no vestiário e voltou com Aloísio no time para o segundo tempo.
Rodrigo Caio foi atuar na lateral direita e o São Paulo se posicionou no 4-2-3-1, com Wellington e Maicon de volante, Osvaldo, Ganso e Aloísio na linha de três e Luís Fabiano mais adiantado que todos.
Aloísio atuou pelos lados e também dentro da área, na direita, como centroavante.
Ganso se movimentou bem mais e chamou a responsabilidade.

O São Paulo começou jogando bom futebol no segundo tempo.
Logo aos 3 minutos perdeu sua principal chance de empatar
Renan ou Juan?
Aloísio cruzou a bola rasteira e Juan apareceu livre, de frente para Renan.
O lateral esquerdo, até pouco tempo encostado no time, conseguiu chutar em cima do goleiro, que também mostrou reflexo ao defender.
A condição para Juan balançar a rede era muito melhor que de Renan evitar a igualdade.
O lateral, que errou cruzamentos e atuou mal, merece duras críticas pela finalização mnal executada, assim como o goleiro deve ser elogiado pela providencial intervenção.
O jogo teria sido bem diferente caso o São Paulo empatasse logo após o período de descanso.
Falta de inspiração contra a transpiração
Ao longo da segunda parte do confronto, o São Paulo foi se irritando por não fazer o gol.
Lá pelos 30 minutos, o nervosismo dos atletas aumentou porque não conseguiam furar o sistema defensivo do Goiás e ameaçar Renan.
A torcida começou a xingar Juan, pedir raça e a gritar o nome de Muricy Ramalho.
Ficou mais tensa que os boleiros e jogou contra a próprio equipe.
A verdade é que os principais jogadores são-paulinos, como Ganso e Osvaldo, não estavam inspirados, e o Goiás, extremamente guerreiro, se defendeu de maneira competente e foi ganhando confiança, se tornando mais seguro, na mesma proporção em que o anfitrião foi se enervando com a própria má apresentação e caindo de rendimento.
Ney Franco tentou aumentar a força ofensiva ao substituir Maicon por Caramelo aos 16 minutos, pois o lateral gosta de apoiar e Rodrigo Caio retornou ao meio de campo, e ao trocar o lateral Juan pelo atacante Silvinho, aos 34.
As mudanças nada alteraram, assim como as promovidas por Enderson Moreira.
Substituiu o centroavante Walter por Neto Baiano, da mesma posição, Araújo por Felipe Amorim, que também exercem funções iguais e, nos acréscimos, botou Juliano no lugar de Hugo.
As alterações não tiveram impacto positivo ou negativo no rendimento do Goiás.

fOTOS :Bruno Santos / Terra