FORA DINIZ! O CARLOS KAISER DOS TREINADORES
FORA DINIZ! O CARLOS KAISER DOS TREINADORES
No dia 26 de setembro do ano passado, após a saída de Cuca, redigimos um texto chamado "HÁ UMA DÉCADA QUE O GRANDE PROBLEMA DO SÃO PAULO, EM CAMPO, É TREINADOR" [https://bit.ly/2PhFTgF>. Sem eximir as diretorias do período, que são quem contrata, fizemos um minucioso balanço do currículo e momento dos treinadores que dirigiram o São Paulo FC após a vitoriosa Era Muricy e provamos, por A+B, que nenhum técnico de ponta, vivendo bom momento ou em ascensão foi contratado no período (à exceção dos gringos Osorio e Bauza, lembrando que o último nos levou a uma semifinal de Libertadores com um time limitadíssimo na temporada 2016).
O texto foi publicado poucas horas antes do anúncio da contratação de Fernando Diniz, citado por nós como um exemplo do que não queríamos: mais uma aposta sem currículo e que vinha de péssimos trabalhos em clubes da Série A.
Uma vez que "o que não tem solução solucionado está", nos restava apoiá-lo, como fazemos com qualquer um que vista nossas cores, mas deixamos claro nossas conjecturas e receios, sem cornetagem de véspera [https://bit.ly/2DjVKZx>.
Infelizmente, os mais pessimistas prognósticos se confirmaram e hoje podemos cravar: Fernando Diniz é o Carlos Kaiser dos treinadores.
Não sabem quem é Carlos Kaiser? Resumimos:
Carlos Henrique Raposo, o Kaiser, foi um "jogador" gaúcho que cresceu e vive no Rio de Janeiro até os dias de hoje. É conhecido pelo inusitado título de "o maior jogador de futebol que nunca jogou futebol" e sacudiu os anos 80 ludibriando clubes de grande e médio porte do Brasil e do mundo com a ajuda de jornalistas e outros atletas [https://bit.ly/2CVXYi8>.
Com uma forma física de dar inveja a muitos jogadores profissionais, mas sem habilidades, sua fraude consistia em assinar um contrato curto e declarar que ele não estava em forma física, de modo que passaria as primeiras semanas apenas com treinamento físico onde pudesse brilhar. Quando ele tinha que treinar com outros jogadores, ele fingia uma lesão no tendão; a tecnologia na época dificultava a detecção da fraude. Quando necessário, ele conseguia um atestado com um dentista amigo que alegava ter uma infecção focal. Seguindo esses passos, ele conseguia ficar alguns meses nos vários clubes, treinando e sem nunca ser exposto como uma fraude.
Outra parte da farsa era fazer amizade com jornalistas para que eles escrevessem histórias fictícias sobre ele, deixando-o, assim, sempre em evidência. Em um artigo de jornal, foi relatado que ele teve um grande momento no Puebla, e que por isso ele foi convidado para se tornar um cidadão mexicano para jogar pela seleção. Ele também usava telefones móveis de brinquedo, caros e incomuns na época, para criar conversas falsas em línguas estrangeiras ou rejeitar ofertas de transferência inexistentes para criar uma imagem de si mesmo como um jogador valioso.
"Minha estratégia para não jogar era simples: primeiro, você tem que ter na cabeça que era uma época sem internet e sem exame de ressonância magnética. Então eu simulava lesões em treinos. Às vezes combinava com algum zagueiro e dar uma entrada mais forte, aí tinha aquela simulação marcante. Ou às vezes sentia uma dor muscular de verdade. Como não tinha exame, palavra de jogador contra a do médico", conta o próprio Kaiser.
Durante seus 26 anos de carreira. Kaiser, jogou somente 13 partidas. Doze pelo América e uma pelo Bangu, marcando um gol pelo time de Moça Bonita.
Parece impossível reproduzir algo assim nos anos 2000, com o amplo acesso a informações, redes sociais etc, mas aproveitando-se da subjetividade que rege o esporte, nossa imprensa faz o mesmo, bem debaixo dos nossos narizes, com o charlatão Fernando Diniz.
Kaiser era muito querido e os demais jogadores, inclusive alguns famosos como Renato Gaúcho, o queriam ao lado em seus times porque ele organizava farras, arranjava prostitutas, bebidas etc, mimos que se estendiam a alguns jornalistas. Não sabemos exatamente o que Fernando Diniz faz para agradar tanto os atletas sob seu comando, mas a verdade é que, tratando-se de Brasil, é pra lá de estranho que jogadores peçam pessoalmente sua contratação e o defendam com unhas e dentes independentemente de resultados. Gostaríamos muito de saber o que exatamente um multicampeão como Dani Alves, que passou 17 anos na Europa, viu de tão extraordinário no trabalho do treinador ao ponto de exigi-lo para Raí. Será que as boas campanhas sem títulos do Audax, últimos bons trabalhos de Diniz, repercutiam tanto assim nos vestiários do Barcelona? Seria Guardiola um fã do nosso treinador?
Muito mais factível e provável é que a fama de permissivo de Diniz tenha percorrido o Brasil e todos os atletas queiram a vida mansa de ser treinados por ele.
Mais estranha ainda é a reação da nossa imprensa esportiva a seus fracassos: os mesmos jornalistas que nunca pouparam multicampeões como Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes e Abel Braga, entre outros, e hoje pedem a cabeça de Tite na seleção brasileira por uma derrota de 1x2 contra a forte seleção belga numa Copa do Mundo, parecem ficar completamente cegos quando se trata do "dinizismo".
"Dinizismo" que também é uma invenção absurda: não há nada de objetivamente peculiar no trabalho de Diniz que lhe faça merecer status de inventor de uma forma de jogar. Seu estilo de posse de bola e condução com toques da defesa ao ataque já era uma versão requentada do "tiki-taka" espanhol popularizado em 2006 (quando Diniz ainda era jogador), de lá pra cá esse estilo de jogo tornou-se obsoleto, foi aprimorado e hoje temos no Brasil treinadores como Jorge Jesus e Sampaoli que trazem visões de jogo muito mais modernas e efetivas.
"Diniz não tem resultados, mas não abre mão do futebol bonito", diz a imprensa. O futebol que o São Paulo joga hoje é "bonito"? "Diniz é um estudioso da bola", é outro clichê semanal das mesas redondas esportivas. Um sujeito que se mantém utilizando o mesmo esquema HÁ UMA DÉCADA sem ganhar nada é um "estudioso"? "Ele não abre mão de suas convicções!", dizem, mas em qualquer outro treinador isso é chamado teimosia.
O BLOG DO MENON, num excelente texto de ontem, tocou em pontos certeiros: Diniz é um Jim Jones, um líder de seita. Seus defensores são fanáticos religiosos em guerra com os fatos [https://bit.ly/39MANCS>.
O currículo de títulos do treinador contém uma Copa Paulista e um Paulistão A-3 pelo extinto Votoraty em 2009 e outra Copa Paulista pelo Paulista de Jundiaí em 2010. De lá pra cá, mais nada.
Seus trabalhos incluem uma demissão do Botafogo de Ribeirão Preto após 4 jogos em 2011, uma pífia campanha de 17 partidas com sete vitórias, três empates e sete derrotas no Paraná Clube em 2015, e uma passagem muito interessante pelo Athletico-PR: assistiu, exercendo o cargo de coordenador técnico geral, Tiago Nunes ser campeão paranaense 2018, assumiu o time, foi eliminado da Copa do Brasil perdendo em casa e deixou o time na zona de rebaixamento do Brasileirão, Tiago reassumiu e não apenas saiu do G4 como o classificou o time para a Libertadores, ganhou a Copa Sul-Americana daquele ano e a Copa do Brasil do ano seguinte. Diniz então foi para o Fluminense, onde foi demitido após deixar a equipe na 18ª colocação do Campeonato Brasileiro de 2019, somando três vitórias, três empates e nove derrotas na competição. Após sua saída o Fluminense escapou do G4, terminando o campeonato na 14ª posição.
O "prêmio" por essa sequência de fracassos que compõe uma carreira vexatória? Assumir o São Paulo Futebol Clube.
Como diz um integrante nosso, "Diniz sempre cai pra cima". Quanto piores são seus trabalhos maiores os clubes que o contratam na sequência.
Acontecia o mesmo com Carlos Kaiser, que tinha como grande desculpa as lesões. Diniz tem a "falta de tempo", os "elencos limitados, com falta de material humano para implementar suas ideias" (como se a maior virtude de um treinador não fosse adaptar-se ao material que tem e extrair seu melhor) etc. Jorge Jesus construiu um Flamengo campeão da Libertadores em meses (com o mesmo elenco que Abel Braga não estava conseguindo fazer dar liga), Ricardo Catalá, treinador do Mirassol, conseguiu nos eliminar dentro da nossa casa no Paulistão com um time chamado às pressas, que sequer treinou, mas o pobre Diniz precisa de dez, quem sabe vinte anos para implementar um único sistema de jogo, que aparentemente é o Santo Graal do futebol. Segundo nossa imprensa esportiva é imprescindível que esse dia chegue. A redenção humana perante o Cristo depende de Diniz ganhar alguma coisa, então tenhamos paciência.
Inclusive, após essa eliminação em casa para o terceiro time do Mirassol reunido às pressas, ele já está credenciado a assumir a seleção brasileira, não? Alô, SporTV, FOX Sports e ESPN Brasil, sempre tão severas com o Tite: tá na hora de começar a campanha.
Um adendo final, só houve um clube em que Carlos Kaiser não conseguiu se criar: a porcada, com quem já tinha pré-contrato assinado, um dos melhores de sua carreira. Ao saber disso, integrantes da MV foram procurá-lo em um hotel, o coagiram e, obviamente, ele desistiu da ideia e fugiu.
Futebol é isso: charlatão só se cria onde tem trouxa pra abraçá-lo.
FORA DINIZ! FORA LECO!
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Essa matéria é muito boa:
https://w.noangulo.com.br/por-favor-parem-de-torcer-por-fernando-d iniz/
fora diniz
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