4-3-3 vs 4-4-2, e porque o futebol do brasileiro não rende
Boa noite. Enquanto o futebol não volta, que tal uma discussão teórica?
Hoje o 4-4-3 é o esquema dominante no mundo todo. Por que?
No passado, nós torcedores tínhamos a ideia de que quanto mais atacantes, mais ofensivo seria o time. Porém, nos explicaram que o 4-4-2 se destaca porque o jogo é jogado no meio de campo. Afinal, não resolve ter 3 atacantes se a bola não chegar neles. Por que o 4-3-3 é unanimidade então?
O meio é também o lugar mais marcado do campo. Então, no 4-3-3, ofensivamente 2 atacantes abrem nas laterais para jogadas de fundo, sobrando 1 atacante na área, enquanto o meio é armado por 3 jogadores. Já no 4-4-2, os 2 atacantes ficam dentro da área – ainda que um flutue mais – obrigando 2 jogadores do meio a abrir as jogadas de linha de fundos, sobrando assim 2 jogadores no miolo do meio para armar as jogadas. Então, na prática, o 4-3-3 joga com 3 no miolo, enquanto o 4-4-2 vai ter só 2 no miolo (quase um 4-2-4, ou um 4-3-3 torto, se só 1 dos meias for para o fundo)
Pra defender a mesma coisa. No 4-3-3, os 2 atacantes voltam para marcar os laterais como sabemos, e formam uma linha de 5 no meio, com 1 atacante entre os 2 zagueiros adversários. No 4-4-2, porém, os 2 atacantes tendem a marcar os 2 zagueiros mesmo, obrigando 2 jogadores do meio a marcarem os laterias, sobrando assim 2 jogadores no miolo. Na prática, o 4-4-2, defende com 4 no meio mesmo, só que o 4-3-2, defende com 5.
Mas porque o futebol no Brasil não rende como na Europa? Será que nosso problema é que nos perdemos a identidade de futebol moleque, e é um desperdício o atacante voltar para marcar lateral?
O problema está no perfil e na mentalidade dos jogadores. Não adianta muito mudar de 4-4-2 para 4-3-3, se os jogadores só sabem fazer a mesma coisa. A questão é que o Brasil começou copiar o esquema dos europeus, sem que os jogadores soubessem cumprir as mesmas funções.
Até hoje ainda existe a ideia no Brasil de que o talento é que resolve o jogo. Portanto, é necessário 2 tipos de jogadores: talentosos para resolver o jogo, e defensivos para poder cobrir-los. É um bloco pra atacar, outro pra defender. Por isso a gente valoriza muito, o zagueiro ‘cherifão’, o ‘zagueiro-zagueiro’, o volante ‘cão de guarda’, que só sabem marcar. Bem como o chamado ’10 clássico’, o jogador ‘bom no 1x1’, o ‘goleador’, que vão só atacar o jogo todo.
Já os europeus, são formados com a mentalidade coletiva, e o 4-3-3 só distribui melhor os jogadores no campo. Todo mundo ataca e todo mundo defende. Falei um pouco disso outro post sobre a defesa do Diniz, e as novas funções dos zagueiros de posicionar e avançar as linhas, para começar o ataque. Pro europeu, até o goleiro tem que saber começar as jogadas – veja o caso Sampaoli vs Vanderlei no Santos. Então é time que ataca como um todo, coletivamente, não só os atacantes. Mas pra defender também, é o time que defende como um todo, e não só o talento dos zagueiros.
Mas no meio está a maior diferença. Aqui o Brasil a gente tem 1os volantes, que só defendem e não fazem mais nada. Segundo volantes que só carregam a bola de área a área. E os ‘10 clássicos’ mais criativos pra compensar. Ou seja, tem volante que não acerta passe, e passa o jogo todo sem chutar no gol, enquanto tem camisa 10 que volta andando.
Na Europa, não. Todos jogadores do meio defendem como volantes marcadores. O que seria um absurdo aqui, armar time com 3 volantes. Mas, exemplo, Casemiro, Modric e Kross, são volantes para nós. Eles acompanham até o final, e ‘mordem’ o tempo todo. Só que na hora de atacar, todos eles chutam no gol, todos eles tem passe em profundidade, todos controlam o ritmo do jogo e avançam o time.
No ataque o mesmo. Enquanto Salah e Mané disputam artilharia, tem atacante de beirada aqui que não sabe fazer gol, não sabe chutar no gol, e não acha um passe pra trás dentro da área.
Não falo de um jogador especifico ou outro, tem jogador que pode aprender ainda. E, claro, usei exemplos de bons jogadores europeus. Mas a diferença não é só técnica e dinheiro. Acontece é que no nível do futebol brasileiro hoje, os jogadores não parecem saber direito o que fazer dentro de campo.
Então a questão não é andar para trás, e voltar ao ‘futebol muleque’ dos anos 90. Mas formar novos jogadores que possam já ter perfil mais coletivo. Pelo trabalho bom da base nos últimos anos, os jogadores do são paulo já vem sendo formados com vantagem tática, por isso também eles atraem mais os olhos dos europeus. Porque, se a gente equiparar o atraso tático, com certeza o futebol brasileiro terá muita qualidade técnica e ficá bonito de se ver.
Espero que tenham gostado.
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Acho que esquema não tem muito a ver com o declínio do futebol brasileiro, principalmente o dos clubes. O principal problema é a falta de Profissionalismo e organização da maioria e de união entre os clubes principais, para formar uma liga lucrativa e bem organizada e não depender dos vendidos da CBF pra ter um campeonato. O resto do mundo evoluiu, houve uma abertura dos mercados, e como o nosso futebol tem menos grana que os mercados principais, acaba não conseguindo segurar os melhores jogadores que surgem aqui e tb não atrai jogadores de alto nível no auge.
Ótima postagem. Tbm gosto de falar sobre teoria e esquemas táticos. Este tipo de análise enriquece bastante o futebol.
Realmente o esquema não tem nada a ver com o declínio do futebol brasileiro, até pq o mundo todo joga nesse esquema ou variações dele.
O que favorece isso é a precária formação dos jogadores, a falta de talento natural e a pressa de vender os jogadores. Os elencos são trocados a cada semestre, técnico a cada trimestre, não se tem sistema de jogo que se mantenha.
Com certeza o futebol brasileiro vem numa decadencia. Porem isso é devido a 2 motivos. O primeiro é pq os proprios gestores que querem logo vender seus jogadores pra faturar grana. Dai eles com a pressa pra ganhar dinheiro formam mau o atleta, pulando varias etapas, como por exemplo ja foi falado de atletas que nao sabem chutar a gol, nao falo só dos atacantes e sim do time todo tem que treinar chute a gol, hj fico puto com futebol brasileiro que nao vemos um volante quando abre chutar pro gol. Outo motivo é pelos proprios atletas tbm que jovens com 18, 19 anos ja se acham estrelas e querem ir para europa e muitas vezes vai para um clube pequeno que nao vai dar a mesma estrutura que o clube formador poderia dar, assim vemos muitos jovens na base das equipes que nao tem identidade nenhuma com o clube, e sem responsabilidade tbm.
Quero só ver o Pablo como ponta. Se realmente jogar nas beiradas, vai ser sofrível de assistir.
Vi a escalação e lembrei logo de você k Em condições normais, também prefiro jogador com perfil, formação e experiência na função que foi escalado, obviamente. Mas vamos torcer.
Excelente exposição. É um debate interessante e bem técnico, visto que o ponto de vista de cada treinador infere muito no modo de atuar do time. Qualquer esquema tem prós e contras. O SPFC teve muito sucesso no 4-4-2.
O cara do facebook faz uma observação importante em relação ao futebol dos anos 80 e 90.
Tem muita coisa do ''futebol moderno'' que se viu lá trás com o Telê.
1. Os times dele já tinham uma mentalidade de atacar coletivamente.
2. Muitas jogadas ensaiadas feitas dentro do jogo, e de ultrapassagem com os laterais e os meias, por exemplo.
3. Os laterais participavam da armação do jogo
4. Ele não jogava com atacante fixo. .
O Guardiola, que enfrentou o São Paulo do Telê e perdeu, incorporou algo desse jogo coletivo. Exemplo, os laterais do time do Guardiola armam o jogo por Dentro, enquanto os atacantes abrem na linha lateral. O Guardiola também apareceu com o tal do ''falso 9'' e os jogadores se revesando para finalizar as jogadas na frente.
Então falar que futebol moderno é coisa de gringo, e que devemos jogar diferente é desconhecer a história do futebol Brasileiro.
Depois disso, o problema foi a falta de planejamento que deu certo pelo talento individual nos 90. Em 94 o Brasil vinha muito mal, e tinha sido remontaram em cima da hora para a Copa do Mundo. É claro que não daria para fazer muita coisa taticamente. Armaram um time intenso que jogava basicamente no erro do adversário. E deu certo. Venceu 94, foi a final em 98, e venceu 2002, sempre jogando assim. Uma hora não deu mais.
Sobre o 4-3-3, não é modinha minha, é uma constatação. Mas não é obrigatório mesmo não. O Tottenham do Pochettino, com Song e Kane, e o Atlético do Simeone com Griezmann e Diego Costa, fizeram sucesso no 4-4-2 recentemente. Só que o Real Madrid não foi o caso: 4-3-3, Kross-Casemiro-Modric, Ronaldo-Benzema-Bale.
Obs: Era pra ter postado em ''OFF'', foi mal.
Eu acho inadimissível um jogador profissional de futebol não saber os fundamentos básicos de seu setor, é claro que uns são melhores que o outro, mas para um atacante saber chutar ao gol é o básico.
Acho inadimissível um lateral não saber cruzar por exemplo, um zagueiro não saber dar carrinho, etc. E isso é o que tem demais no futebol brasileiro, jogador valorizado demais que entrega de menos dentro de campo e ainda por cima é mimadinho e protegido pela tal lei.
Mas é isso, futebol brasileiro a decadência a anos.
Ótima observação, eu iria falar disso mas esqueci.
Tem muito jogador de futebol no Brasil que realmente não sabe o fundamento básico, como você bem disse. Mas há uma parcela de culpa da comissão técnica. Eles também pedem jogadores que só fazem uma função dentro de campo. Exemplo: dar bicuda para lateral, bater, não deixar o adversário jogar. Ou então só para quebrar as linhas, ir pra cima. E o resultado é que o resto, ou seja, o básico, eles não sabem fazer.
Você pode ver isso na base também. O futebol brasileiro sempre vai formar jogadores muito técnicos, só muitas vezes o critério de seleção é questionável. Se tiver um jogador que joga bem coletivamente, domina bem os fundamentos, e tem porte físico, as vezes é preterido. Porque ele vai ter que dar lugar para o atacante talentoso que consegue driblar 5 de uma vez mas erra o gol na frente do goleiro. Ou então vão selecionar o lateral habilidoso e driblador, mas que chega na frente e não acerta o bendito do cruzamento. E vão ser valorizados ainda pelo jogo bonito.
O problema é nossa mentalidade também. Mas, concordo em tudo. Jogador profissional não saber o fundamento não tem cabimento.
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