O fim da história do São Paulo Futebol Clube
Saudações, amigos tricolores!
Não, o São Paulo não vai acabar. Não é disso que trata este texto.
Alicerçado pelas declarações de Daniel Alves, afirmo que o que chega ao fim é a sua história, conforme vinha sendo construída – e contada. Uma nova fase – e uma nova história – já começou e o introito não é soberano.
O futebol brasileiro foi majestoso enquanto o processo de profissionalização na Europa não iniciara ou não se concluíra. Além de títulos mundiais, os campeonatos nacionais eram relevantes, os times (relativamente) fortes e os jogadores se formavam e se mantinham por longo período desfilando em campos locais.
Não havia ambiente para que um time se distanciasse muito dos demais. Os recursos eram poucos e as técnicas amadoras. A formação de jogadores era pródiga e, mesmo que um grande time passasse anos sem um título, conseguia inverter a sorte, tornar-se campeão e, a partir daí, retomar sua posição no cenário nacional. A política clubística atrapalhava, mas não destruía – porque não se atuava em ambiente profissionalizado e tecnológico.
O São Paulo soube, como nenhum clube, sobretudo a partir da década de 1970, operar no ambiente amador do futebol brasileiro. Nesse período – ou nessa fase da história – foi o maior.
Ocorre que a economia do futebol mudou. Quem tem recursos deixa quem não tem para trás. Não há mais limite para o distanciamento entre quem se organiza e não se organiza.
A realidade de mercado foi desprezada pelo São Paulo. Enquanto admirava sua soberania, incorporando a patologia de Dorian Gray, os adversários se organizaram e, em muitos aspectos, o superaram: estádios, centros de treinamento, títulos internacionais; o que era exclusivo, passou a ser detido por todos – ou quase todos.
Para agravar a situação, o São Paulo mergulhou em seus dramas políticos e, paradoxalmente, manteve sua postura de auto-adoração. O ápice foi a renúncia do presidente Carlos Miguel Aidar.
Na esteira desse episódio, seu sucessor e atual presidente, Leco, aprovou uma reforma estatutária que se anunciava como a via modernizadora que colocaria o São Paulo à frente de todos os demais. Ao menos a arquitetura estatutária fora desenhada para esse fim.
E o que aconteceu desde então?
O São Paulo continua a ser o mesmo de sempre, ensimesmado em suas glórias do passado, abusando de uma ilusória soberania.
A culpa tem um nome? Não. A culpa é coletiva.
As instituições (ou os órgãos) e os indivíduos falharam, dos associados aos dirigentes, passando pelos torcedores. Uns têm mais culpa do que os outros, evidentemente, mas todos (ou quase todos, com raras exceções) foram coniventes com a manutenção do modelo arcaico de administração de um estatuto contemporâneo.
Dois exemplos ilustram essa afirmação.
O primeiro diz respeito ao papel do conselho de administração. Sua criação simbolizava o ritual de aprendizagem e de passagem ao modelo realmente empresarial, de que se falará a seguir. Trata-se de órgão que deveria definir a orientação geral, fiscalizar, controlar e estabelecer relações com o mercado, e a exigência estatutária de membros independentes prenunciava o ingresso de pessoas de mercado – como é o caso do conselho do Bayern Munich, que conta com a participação do chairman da Volkswagen, do conselheiro sênior da Allianz, do conselheiro da UniCredit Bank, do CEO da Deutsche Telekom e do CEO da Deutsche Börse , capazes de ajudar a implementar o processo transformacional que se anunciava.
O segundo envolve um processo interno que já deveria ter sido finalizado, de acordo com o art. 170 e seguintes do estatuto social – pelo que se noticia, está parado no conselho de administração desde maio de 2018, e culminaria numa pergunta aos associados: querer ou não querer o deslocamento do futebol para uma empresa autônoma, controlada pelo São Paulo e dirigida profissionalmente.
A realidade é que a tensão atual, marcada pela insatisfação da totalidade dos torcedores, não tem nada a ver com a promessa de transformação estrutural que o estatuto trouxe, mas com a falta de título. Se o São Paulo estivesse ganhando, mesmo que à conta do comprometimento futuro, talvez ninguém – ou quase ninguém– se insurgisse.
A falta de títulos não é, porém, a causa do problema; é a consequência. Aliás, qualquer ataque institucional por esse motivo, por mais doloroso que seja, é ilegítimo.
O São Paulo perdeu a oportunidade, logo após o início do segundo mandato de Leco, de pular no trem vitorioso de sua nova história; se ainda correr, e muito, conseguirá pegá-lo na estação seguinte. Se o perder novamente, já não haverá mais meio de alcançá-lo.
E aí talvez seja realmente o fim de um grande time, que apenas terá um grande passado.
- Desfalque na escalação: SPFC perde titular e Dorival muda
- Aurélio Cunha se retira da corrida presidencial o São Paulo
- Crespo, Roger, Arboleda, Enzo e Cédric e mais: onde o São Paulo está errando?
- São Paulo recorre a empréstimo milionário a bancos para conter rombo no caixa

Notícias
Desfalques importantes: São Paulo se prepara para enfrentar o Santos com perdas de peso
Bobadilla prioriza recuperação e deve estar disponível contra o Santos
Elenco do São Paulo de 2023: Veja o paradeiro dos atletas três anos após a conquista da Copa do Brasil
Torcida do São Paulo lança Tricoler, novo clube de leitura para são-paulinos
Data definida: Saiba quando Lucas deve estar disponível para o São Paulo
Olho neles: Saiba o desempenho dos 6 atletas emprestados pelo São Paulo
São Paulo perde Domingos Duarte por ligamento e avalia Toloi, Sabino e Osorio
São Paulo vira sobre Corinthians e quebra tabu na final
Torcedores serão punidos? Bets nas camisas causam polêmica
Lucas volta aos treinos e São Paulo tem esperança no SanSão
Com gol decisivo, SPFC dá passo importante rumo ao título
São Paulo derruba tabu na Neo Química Arena e joga por empate no Morumbi para ser campeão
Virada histórica: São Paulo vence o Corinthians por 2 a 1 na ida da final do Brasileirão
Scarpa revela papo com Dorival e explica por que recusou ida ao São Paulo
CBF barra liberação de Djhordney e São Paulo perde titular para clássico contra o Santos