A. Bourgeois, CEO (Números) + Osorio, Técnico (Ciencia) = Retorno financeiro e títulos - Por Airnani
Publicado por: airnani.wordpress.com
A imprensa e grande parte dos apreciadores de futebol, falam da "profissionalização do futebol".
Porém, poucos se aprofundam no tema.
A "profissionalização do futebol", não significa apenas dizer que jogadores que vivem de futebol, tem que se cuidar.
Não significa apenas, que se o jogador treina a semana inteira não pode errar um passe.
Assim como um médico tem que se atualizar, pois há sempre novas doenças, ou doenças existentes que apresentam novos sintomas, assim como um advogado precisa de atualizar, pois as leis mudam, os profissionais dentro e fora do campo, precisam se atualizar.
Isso vale para jornalistas!!!!
O QUE O ESTUDO, A MATEMÁTICA E AS ESTATÍSTICAS PODEM AJUDAR NO FUTEBOL?
1. NO CAMPO
Juan Carlos Osorio, é um profissional que se preparou para ser técnico. Ele não virou técnico por acaso.
Ele trabalhou na construção civil, restaurantes para custear seus estudos. E isso que o diferencia dos demais técnicos brasileiros, ex-boleiros.
Ele não é obra do acaso! Ele foi jogador, depois estudou durante 4 anos, Ciências do Exercício Físico e do Rendimento Humano pela Southern Connecticut State University, e mais 2 anos em Ciência e Futebol da John Moores University, em Liverpool.
Juan Carlos Osorio, defende que o mais importante em qualquer esporte coletivo é a : TOMADA DE DECISÃO!
Alguém notou como surgiu o gol do São Paulo? Em uma cobrança rápida de escanteio, Ganso passa para Hudson que cruza para Souza:
https://www.youtube.com/watch?v=DgeyG05x7Og
Acaso? Para os que ridicularizam os estudiosos, o estudos matemáticos, os cientistas, talvez sim.
Mas, para os profissionais contemporâneos, que estudam a ciência do futebol, analisam estatísticas, NÃO.
Em uma reportagem da revista Época (http://epocanegocios.globo.com/Essa-E-Nossa/noticia/2013/12/matematica-entra-em-campo.html), com o título: "A matemática entra em campo", logo no seu início nos mostra um dado interessante:
"Você gosta quando seu time cobra um escanteio “curtinho”, em vez de cruzar a bola direto para a área? Pois é. Agora pense que, depois de analisar 1.434 cobranças, pesquisadores descobriram que só 20,5% dos cruzamentos diretos resultam em finalizações a gol, das quais 89% não se tornam gols. Em outras palavras, um escanteio “normal” vale míseros 0,022 de gol."
Para os mais ansiosos, que vão procurar exceções à regra ou um contra ponto, já afirmo:
É claro que se você tiver um jogador como Neto, Marcelinho Carioca, Jorge Wagner, ou até mesmo Marquinhos do Avaí, verá que a estatísticas desses jogadores é diferente da média.
2. FORA DE CAMPO
É sabido por todos torcedores, jornalistas e dirigentes, que os clubes brasileiros passam por uma séria crise financeira.
Além de problemas de dirigentes não remunerados e que estranhamente passam décadas trabalhando de "graça" em clubes e entidades (com a CBF), e que usam esses clubes/entidades em benefício pessoais, temos um problema de controlar ou mensurar o trabalho dessas pessoas.
Como saber qual o preço de um jogador? Como sabemos se 50% de um lateral como Cortez, vale R$8 milhões?
O São Paulo esta dando um grande passo para que profissionais possam avaliar melhor investimentos vs retorno, e minimizar prejuízos como o de Cortez, que custou "caro", assinou um contrato longo, foi afastado depois de aproximadamente 1 ano, foi emprestado para Benfica, Criciúma e agora Japão. E daqui a pouco, seu contrato se encerra.
A contratação de Alexandre Bourgeois, como CEO é muito mais que descentralizar o poder, é colocar um profissional para que o clube, deixe de contratar jogadores apenas vendo um DVD ou 2 ou 3 jogos desse jogador, e saiba avaliar qual o preço que o clube PODE e DEVE investir em um jogador.
E o mais importante: Minimizar riscos do INVESTIMENTO, se tornar um GASTO, e assim arruinar as finanças do clube.
O novo CEO do São Paulo em entrevista a revista Época declarou: “Minha filosofia é tentar eliminar toda a subjetividade possível da avaliação dos jogadores”
Vamos comparar como compramos 50% do passe de Cortez por R$8 milhões (jogador empresariado por Eduardo Uram), e como Alexandre Bourgeois, que trabalhava na TEISA, um fundo de investimentos comprou 100% um outro lateral esquerdo e da seleção chilena, por R$7 milhões (US3,5 milhões, com o dolar em jun/2103 valendo perto de R$2,00):
“Os números mostram que ele acerta mais de 75% dos passes nas regiões críticas do campo. Além disso, não sofre lesões: participou de 84% dos jogos da última temporada”
Para Bourgeois, isso tem nome: ativo barato. “Quando você olha jogadores assim, percebe que existe uma imensa ‘desarbitragem’ no futebol brasileiro. Você pega quatro caras da mesma posição, com a mesma idade e os mesmos percentuais de desempenho, mas um custa R$ 1 milhão, outro R$ 4 milhões, outro R$ 13 milhões e outro R$ 15 milhões”, diz. “Você pergunta por que e ninguém sabe responder.”
Alexandre Bourgeois, baseado em pesquisa operacional, começou a trabalhar num algoritmo que dissesse quais jogadores uma equipe da série A deveria contratar para terminar o ano seguinte no G4, os quatro primeiros do Brasileirão. O algoritmo, claro, seria alimentado por informações dos jogadores. Mas quais informações? O que realmente importa? Ao acertar a mão nesses parâmetros, ele chegou a um resultado surpreendente.
“O gol, por exemplo, não importa”, ele diz – talvez se tornando a primeira pessoa do futebol a pronunciar a frase. “Gol é muito aleatório. Você chuta, a bola bate na cabeça de outro cara e entra. Outro jogador chuta, a bola bate na trave, corre por cima da linha e não entra”, diz. “O gol, para mim, vale zero.”
Ele então formulou uma hipótese. Para que um time faça gols, há duas condições básicas: ter a bola e criar uma situação de gol. “É o que leva ao evento aleatório gol”, diz. Assim, os parâmetros que avaliam os jogadores derivariam desses dois pontos: posse de bola e chances de gol. O número de passes dados por um jogador, por exemplo, não é um parâmetro. Já o número de oportunidades de gols criadas pela sequência de passes da qual ele participou, sim. A quantidade de bolas roubadas não é um parâmetro. Já o número de desarmes seguidos de passes que criam oportunidades de gol, sim. E por aí vai – são dezenas de atributos.
Aí muitos vão dizer. Ok. Mas, números são frios, e nem sempre isso dá certo.
E de nada adianta isso, se o técnico escalar mal, ou usar um esquema tático que não ajude.
Realmente isso pode acontecer. O Cruzeiro de Alexandre Mattos e Marcelo Oliveira, usou critérios assim para contratar vários jogadores em 2013, e foi bi-campeão brasileiro.
Mas, o mesmo Alexandre Mattos, não tem tido o mesmo sucesso no Palmeiras. Apesar de contratar jogadores como Robinho (que foi o jogador que mais acertou passes ano passado) e mais 23 jogadores, o time esta a 8 pontos de diferença do São Paulo.
Talvez realmente o técnico Oswaldo de Oliveira não soube armar o time, e explorar os jogadores contratados corretamente.
Agora com Marcelo Oliveira, talvez as coisas mudem.
COMBINAÇÃO DENTRO E FORA DE CAMPO, ALEXANDRE BOURGEOIS E JUAN CARLOS OSORIO
O São Paulo foi muito além do modelo do Cruzeiro. Não contratou alguém que usa um modelo, e sim quem o criou, quem o idealizou. E essa pessoa certamente saberá, corrigir erros, e adaptar melhor as condições e imprevistos.
Segundo o novo CEO do São Paulo Alexandre Bougeois: “O futebol tem um problema: o conjunto é maior que a soma das partes”, diz. Ou seja, montar um time não é só achar 11 bons jogadores. Nem sempre 11 craques formam um time vencedor, e nem sempre um time vencedor está cheio de craques. Então ele apresenta o campo da matemática que dá conta de problemas dessa natureza: a pesquisa operacional.
O novo CEO do São Paulo, começou a trabalhar num algoritmo que dissesse quais jogadores uma equipe da série A deveria contratar para terminar o ano seguinte no G4, os quatro primeiros do Brasileirão. O algoritmo, claro, seria alimentado por informações dos jogadores. Mas quais informações? O que realmente importa? Ao acertar a mão nesses parâmetros, ele chegou a um resultado surpreendente.
“O gol, por exemplo, não importa”, ele diz – talvez se tornando a primeira pessoa do futebol a pronunciar a frase. “Gol é muito aleatório. Você chuta, a bola bate na cabeça de outro cara e entra. Outro jogador chuta, a bola bate na trave, corre por cima da linha e não entra”, diz. “O gol, para mim, vale zero.”
Para que um time faça gols, há duas condições básicas: ter a bola e criar uma situação de gol. “É o que leva ao evento aleatório gol”, diz. Assim, os parâmetros que avaliam os jogadores derivariam desses dois pontos: posse de bola e chances de gol. O número de passes dados por um jogador, por exemplo, não é um parâmetro. Já o número de oportunidades de gols criadas pela sequência de passes da qual ele participou, sim. A quantidade de bolas roubadas não é um parâmetro. Já o número de desarmes seguidos de passes que criam oportunidades de gol, sim. E por aí vai – são dezenas de atributos.
Juan Carlos Osorio tem trabalhado muito coisas que pouco se ouviam no futebol brasileiro: Rodízio, tomada de decisão, intensidade, periodização tática, sequencia "larga" de passes, etc.
E para os que apreciam futebol, sabem que apesar do resultado do jogo contra o Avaí, o time criou inúmeras oportunidades de gol, marcou pressão no campo adversário, os jogadores se posicionaram bem "alargando" o campo, abrindo as pontas com Michel Bastos e Thiagos Mendes, e com Ganso e Souza "aprofundando" pelo meio.
Vimos Souza ter 2 chances claras de gol, e uma ele converteu. Vimos Ganso chutando 2 bolas a gol, e Michel Bastos chutando de fora 3 vezes, além de uma cabeçada dentro da área.
Vimos Carlinhos indo para linha de fundo 3 vezes, e cruzando para trás (Chute de Souza para fora, chute de Ganso, que o zagueiro tirou, pois o goleiro estava caído, e chute de Michel Bastos que o goleiro defendeu).
Isso é futebol organizado, estudado nos detalhes.
O time ainda precisa melhorar? Sim sem dúvidas. Precisa melhorar a finalização, principalmente jogadores, que antes com outros técnicos, chegavam pouco para finalizar como Souza, Ganso e Thiago Mendes.
Bourgeois, mal chegou, Osorio completou seu terceiro jogo, e o que mais empolga é que mesmo assim, estamos à frente de Inter-RS, Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG, que jornalistas diziam que tinham mais condições de ganhar o título.
Ainda temos jogadores como Edson Silva (Uram) e Reinaldo no elenco, heranças da última gestão.
Mas, se perceberem, Cortez (Uram), Maicon (Uram), Douglas (traffic), Lucas Evangelista (Traffic), Osvaldo (50% de grupo de investidores), Paulo Miranda (60% de grupo de investidores), Denilson (60% de grupo de investidores), jogadores contratados pela última gestão com ajuda de investidores, não estão mais no elenco para ESSE campeonato.
E partir de agora, certamente chegarão atletas com um perfil diferente, com valores mais aceitáveis, que tenham retorno dentro e fora de campo.
As contratações não serão mais apenas por indicação de Milton Cruz. Serão estudadas, analisadas.
E a curto médio e longo prazo, não tenho dúvidas de que o São Paulo voltará ser o clube mais admirado, respeitado, invejado como sempre foi, conquistando títulos e sendo o exemplo de administração!
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