Análise do time (não jogadores isoladamente) do jogo de ontem - Por Airnani
PRIMEIRO TEMPO
Gostei muito do primeiro tempo do São Paulo ontem.
O São Paulo se armou em um 4-4-1-1, com duas linhas de 4 que neutralizaram as jogadas pela beirada de campo do Inter.
O começo do jogo, vimos um lado direito forte do São Paulo, com Bruno e principalmente Thiago Mendes, que foi agudo. Ficou impedido em algumas vezes, mas teve a velocidade que há muito tempo não reclamávamos do time do São Paulo.
Depois houve uma inversão de lado entre Michel Bastos e Thiago Mendes, e o São Paulo continuou muito bem pelo lado direito, sendo mais cerebral com os toques, domínio de bola de MIchel Bastos, e Bruno cresceu muito.
Mas, pelo lado esquerdo, Thiago Mendes ficou "torto", e sempre cortando para o meio, ou para trás. Ele deixou de ser incisivo como pela direita, e passou a ser burocrático por lá.
Na frente, acho que Pato fez um grande primeiro tempo, vindo buscar jogo, fechando espaços de Rodrigo Dourado, tabelando, e correndo em espaços vazios.
O lance em que ele começou tabelando com Thiago Mendes e Michel Bastos, foi algo que há muito tempo não via no São Paulo. Velocidade na transição do meio para o ataque, e com objetividade. Pato correu no espaço vazio e teve a oportunidade de finalizar. Ali, é difícil dizer que ele perdeu o gol, pois o ângulo favorecia mais o goleiro do que ele.
Depois no escanteio, ele teve a calma e visão para repor uma bola que veio pingou dentro da área e cruzou na medida para Luis Fabiano. Essa parece ser uma bola fácil, mas, se caísse no pé de qualquer outro, talvez eles ficariam de costas, e levasse a bola para lateral e começar a jogada novamente.
SEGUNDO TEMPO
Milton Cruz pode vir a ser um grande técnico. Mas, o que diferencia um técnico experiente com um interino é a capacidade de mudar o time (não apenas fazer alterações de jogadores).
Thiago Mendes vinha jogando muito pelo lado direito, e apesar de Michel Bastos também ter ido bem por lá, tinhamos que melhorar o lado esquerdo, até para que o lateral direito deles, tivesse mais a preocupação de marcar do que atacar. Além disso, tinhamos que fazer Anderson, não jogar tão solto.
A crítica que faço a Milton Cruz é construtiva e não é definitiva. Mas, falta a ele um pouco de visão do todo, e ousar. E isso só acontece com o tempo. Sendo interino é difícil ter isso.
Mas, tem duas coisas importantes de serem analisadas. Eu faria a mesma substituição que ele fez, tirando Luis Fabiano, e colocando Centurion, mas já no vestiário. Luis Fabiano jogou bem, mas tinhamos que acelerar o jogo. O jogo estava muito morno.
Mas, a substituição não poderia ser apenas de jogador. Teriamos que mudar a disposição dos jogadores.
Colocaria Centurion na esquerda, onde ele gosta de jogar. Voltaria com Thiago Mendes pela direita, e colocaria Michel Bastos mais centralizado (tendo oportunidade de decidir em um chute de fora da área, e também para bloquear a saída de Anderson).
Pato flutuaria do meio para direita, levando a marcação para lá, e também para tabelar com Thiago Mendes.
Com isso ele abriria um espaço pelo meio, para Michel Bastos vir para chutar de fora da área, e Centurion poder entrar em diagnonal mano a mano com a bola dominada, ou entrar para cabecear contra um lateral que tem menos estatura que os zagueiros.
Mas, Milton colocou Centurion centralizado, ocupando o mesmo espaço de Pato, e continuou com Thiago Mendes "torto" pela esquerda, Michel Bastos preso na direita, sem ter chances de finalizar.
Aguirre trocou Vitinho por um volante (mesmo que esse se machucou, poderia ter colocar o menino que entrou no final, que era um jogador mais ofensivo), para neutralizar as jogadas na entrada da àrea (em que Pato e Centurion) estavam.
Aí o time não se acertou, pois Pato e Centurion não tinham espaços com 3 volantes. Aí tentou consertar colocando João Paulo, que não é centroavante de área (ele mais um jogador estilo Hulk, que chuta bem de longa e média distancia, e não gosta de ficar segundo zagueiros), e o menino foi cair exatamente pelo lado que Centurion mais gosta, que é o esquerdo (e que já tinha Thiago Mendes).
Centurion que foi jogar de centroavante, enfiado entre os zagueiros para cabecear. Detalhe, Centurion é bom para disputar a bola área no segundo pau, contra um lateral. Mas, no meio de uma zaga alta, ele jamais vai conseguir cabecear.
E depois das alterações, o Inter cresceu. O time do São Paulo ficou desorganizado na frente, Wesley entrou frio no jogo e perdeu bolas que gerou contra-ataques que poderiam ter comprometido a boa atuação de Bruno, Paulo Miranda e Doria, lá atrás.
Que venha Osorio! E com ele uma visão mais completa do jogo e principalmente do adversário. Pois, o principal de um técnico não é só olhar seu time, mas sim entender como o adversário joga.
Não é pedindo para alguém prestar atenção em Anderson que o neutralizariamos. Era fazer uma única alteração, alterando a disposição dos jogadores em campo, que sufocariamos o Inter, e por consequencia, eles não jogariam.
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