Para finalizar esta discussão sobre Ney Franco x Rogério Ceni. Marcello Lima arrebentou.
O ser humano quando leva pancada de todos os lados, quando se sente ofendido, procura sempre o alvo de maior importância para revidar.
O amigo acompanhou aqui no blog, desde o começo, o trabalho de Ney Franco no São Paulo. Como setorista do clube, acompanhei diariamente dez meses e meio de seus doze no clube.
Escrevi sobre a parte tática, sobre as mudanças, sobre os erros e acertos do treinador e também sobre seus atritos (e de seu auxiliar) com o elenco até o clima ficar insustentável, como realmente ficou. O trabalho de Ney Franco foi bom no segundo semestre do ano passado e péssimo em 2013.
Só não foi demitido após a eliminação na libertadores e na parada do campeonato para a disputa da Copa das Confederações, porque Adalberto Baptista, até então diretor de futebol, o segurou no cargo.
Quando saiu, o treinador recebeu cutucadas de Rogério Ceni, Fabrício, Rafael Tolói, Osvaldo, só para citar alguns. Ouviu tudo calado. Quando resolveu responder, em entrevista ao jornal “O Globo” escolheu o líder do elenco como alvo.
Sem duvida Ceni era seu principal desafeto desde o episodio Cícero-William José na Copa Sulamericana do ano passado, na partida contra a LDU de Loja no Morumbi, quando o goleiro pediu a entrada do meia e o técnico colocou o atacante.
Daquele dia em diante, Ney Franco não aceitou mais “palpites” e opiniões de Ceni sobre a parte tática da equipe, a falta de dialogo aconteceu com outros lideres do elenco ao longo do semestre. O convívio era profissional mas sem nenhuma profundidade, sem nenhuma empatia entre as partes.
Será que Ney Franco não sabia da influencia de Rogério, da participação do jogador nos assuntos extracampo?
Por sua carreira, por tudo o que conquistou no clube, a própria diretoria o consulta sobre uma ou outra contratação.
Faz tempo que Rogério extrapolou a condição de “apenas” jogador no São Paulo e passou a ser também um conselheiro, um cartola informal, que mais cedo ou mais tarde assumira oficialmente esta função, diga-se de passagem.
Quem vive o dia a dia do São Paulo, sabe que Rogério não interfere na escalação do treinador, mas da sim seus palpites, conversa sobre as melhores alternativas para se vencer um jogo, enfim, tem sua opinião e a expõem para a comissão técnica.
Ney Franco não teve jogo de cintura e não soube trabalhar com o goleiro, cortando o dialogo, impondo sua autoridade de treinador e ponto final.
Sobre queimar Ganso e Lucio, me pareceu mais um ataque pessoal do que a realidade dos fatos.
Foi Rogério que deixou Ganso na reserva?
Foi Rogério que fez Ganso não render ate agora o esperado?
Foi Rogério que cutucou Ney Franco ao ser substituído indo diretamente para o Ônibus em Sarandi?
Foi Rogério o culpado por Lucio não ter a mínima obediência tática se mandando para o ataque como se fosse um meia ou um atacante desguarnecendo a defesa em vários jogos?
Foi Rogério o culpado por Lucio não aceitar criticas feitas por Ney Franco e Paulo Autuori chegando a ponto de ser afastado?
A verdade é que, nesta discussão não há santo.
Ney Franco bateu de frente com o principal líder do São Paulo, fez um trabalho pífio neste ano que não o sustentou e mesmo com o apoio do diretor de futebol não teve personalidade para peitar o goleiro e capitão São Paulino.
O que fala agora na imprensa deveria ter sido dito na frente de Rogério e de todo o grupo, teve a oportunidade de lavar a roupa suja e não o fez, agora Inês é morta.
Rogério falhou ao elogiar o treinador diante do grupo no dia de sua saída. Deveria ser sincero ou então ter se calado, seu silencio diria muito mais ao grupo do que um falso elogio.
A questão que vem sendo colocada em baila pela imprensa é se um jogador deve ou não ter tanto poder em um clube de futebol, pode extrapolar seus limites alem do vestiário e se deve interferir na escalação.
Pelo que leio e ouço a maioria é contraria a situação.
Minha opinião?
Sobre jogador opinar sobre a escalação acho absolutamente normal e acontece costumeiramente no futebol em todas as equipes (aconteceu, por exemplo, no São Paulo de Telê na final do Brasileiro de 91) principalmente com os jogadores mais experientes, como Ceni, Seedorf, Juninho Pernambucano, etc…
A ultima palavra obviamente é do treinador mas o dialogo é salutar e tem que existir. O que não pode é dirigente querer se meter na parte técnica. No campo das questões administrativas, contratações, vida política, acho que não deve acontecer. No máximo uma consulta sobre um reforço e outro e nada mais.
Se Rogério dá palpites em outras áreas, é porque tem liberdade para isso.
A única coisa que posso dizer em onze anos de convívio diário com o capitão São Paulino, é que Ceni é um líder positivo, visa sempre o melhor para o time, quer sempre vencer, conquistar títulos pelo São Paulo. Não é um líder desagregador, muito pelo contrario, seu caráter o impede de fritar ou queimar um companheiro de profissão. Pode passar a imagem de arrogância e prepotência para a grande maioria dos torcedores rivais ou não e profissionais de imprensa, e realmente, simpatia e carisma não são seu forte junto à opinião publica. Mas, caráter, honestidade, obstinação e dedicação nunca lhe faltaram.
Se bateu de frente com o ex-treinador é porque viu que a coisa não estava boa e tentou ajudar, as vezes funciona as vezes não.
Palavra de quem conviveu com ele por onze anos como setorista do São Paulo, seja no CCT, seja pelos jogos da vida.
Fonte: http://www.marcellolima.com.br/?p=1008#more-1008
Quando um jogador possui inteligência acima da média e exerce liderança, é criticado. Jogadores geniais sempre exerceram e exercerão liderança natural em seus clubes, seleções, em qualquer equipe. Rogerio Ceni é genial. Técnico que não sabe lidar com isto, cai mesmo.
– Já vi Rogério voltar de jogo, no intervalo, e falar: “Vamos fazer isso e isso”, diferente do que o técnico tinha falado, e nós fazíamos. Porque a gente sabia que, se fizesse o que ele queria, ganhava o jogo. Sei que vai dar polêmica, mas é verdade – conta Souza.
Quando Rogério Ceni disse sobre o legado zero, foi uma referência a tudo que o técnico demitido desconstruiu em 2013, as incoerências absurdas que apagaram todo o bom trabalho de 2012. Ney Franco não foi um técnico a altura do São Paulo. Claro que o ídolo nunca será maior que o clube e Rogério tem humildade para isto.
Sds.
Peixoto.
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