[OFF] Atlético-PR veta entrevistas e abre polêmico debate sobre institucionalizar cobertura do time
Não sei se já postaram isso aqui, mas se ainda não, vale a pena ler.
Sou contra esse tipo de radicalismo, mas num momento em que nosso time, nossos parceiros, nossa torcida e nossos ídolos são bombardeados constantemente por aqueles que se dizem jornalistas, começo a me perguntar se não seria essa a solução.
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Em uma medida inédita no futebol brasileiro, o Atlético-PR anunciou na última semana que as entrevistas de jogadores e de comissão técnica em dias de jogos estão vetadas, em nome do fortalecimento da cobertura nas mídias oficiais do clube. No entanto, o gesto de institucionalização imediatamente provocou reação indignada na imprensa diretamente atingida pela determinação e abriu debate sobre normas de atuação jornalística.
Para debater a questão, o UOL Esporte ouviu a posição do Atlético-PR, de representantes de categoria e de jornalistas que vivem a rotina do clube [opiniões no fim da reportagem>.
No comunicado oficial divulgado pelo clube na última semana, a imprensa foi informada da proibição de contato com jogadores e comissão técnica em dias de jogos. Na mesma nota, o Atlético manifestou que os pedidos de entrevistas exclusivas para dias sem partidas serão analisados pelo departamento de comunicação.
Com o ato, o Atlético-PR do presidente Mario Celso Petraglia indica esperar que a cobertura da rotina do time passe a ficar concentrada por seus veículos oficiais, em intenção de fazer a torcida consumidora de informação migrar para o site, a TV e a rádio do clube (TVCAP e Rádio CAP).
Mas já na estreia do novo modelo a sensação de constrangimento foi experimentada entre as parte envolvidas. Segundo a imprensa local, durante o empate da equipe reserva com o Rio Branco no último domingo, no estádio Janguito Malucelli, o desconforto acompanhava os treinadores do time (Arthur Bernardes, que comanda o time sub-23 no início do Estadual, e Ricardo Drubscky). Os profissionais teriam recusado os microfones com pedidos de desculpas.
Também no domingo, o massagista Bolinha, querido pela torcida, voltava a atuar depois de superar um problema da saúde, que o alijou dos gramados por mais de um ano. Ele também foi impedido de atender os profissionais de rádio.
Dias depois, na última terça-feira o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Paraná, Guilherme Carvalho, se reuniu com o diretor de marketing e comunicação do Atlético, Mauro Holzmann, para expor a insatisfação da categoria com as restrições de atuação.
Além do mal-estar com a imprensa e o consequente distanciamento do torcedor, com a medida o Atlético-PR também assume o risco de limitar a exposição de mídia de seus parceiros. Atualmente o time de Curitiba ostenta a marca da Caixa como particionador máster, além da Netshoes em outro espaço da camisa de jogo.
Em contato com a reportagem do UOL Esporte através de sua assessoria de imprensa, a Caixa manifestou que não se pronuncia sobre o assunto, uma vez que "todas as cláusulas de contrato estão sendo cumpridas".
Presente na manga do uniforme do Atlético-PR, a Netshoes também prefere não se posicionar.
Por meio de seu diretor de marketing, Mauro Holzmann, o clube paranaense disse que tomou a decisão sem consultar seus patrocinadores. Também afirmou não temer um mau relacionamento com a imprensa local e falou em “parceria” pelo fato de a mídia poder utilizar os serviços do clube para a divulgação de notícias.
“Existe um pouco de desinformação nisso tudo. Não há retaliação a nada. O Atlético-PR só quer valorizar suas mídias. E buscamos e conversamos com algumas delas em busca de uma parceria”, falou ao UOL Esporte. "O patrocinador continua tendo o que sempre teve. Vendemos a camisa, tem lá a marca com a camisa."
Um atenuante que apimenta o debate é o fato de a Arena da Baixada ser estádio oficial da Copa de 2014, com obras financiadas em parte pelo poder público.
OPINIÕES SOBRE O CASO
MAURO HOLZMANN, diretor de marketing e comunicação do Atlético-PR Queremos valorizar o nosso conteúdo. É uma questão de entendimento. A questão dos direitos de TV, por exemplo, causou impacto anteriormente. Agora estamos tentando valorizar nosso conteúdo no mercado. Não é uma retaliação [sobre a cobertura da imprensa>. Eles [jornalistas> vieram conversar com a gente [em uma reunião com o sindicato> simpaticamente. Perguntaram qual era a razão. Falamos que não existe retaliação e que só queremos valorizar nosso produto
RODRIGO FERNANDES, editor de Esportes do jornal Gazeta do Povo Esta restrição antes dos jogos na verdade já existia. Apenas confirmou uma lógica de atuação da atual diretoria do clube. Na pré-temporada os jogadores e a comissão técnica também não concederam entrevista (...) Acho que é uma decisão esdrúxula, porque se toma o princípio que tratamos o Atlético como mercadoria, trata o clube como produto. Mas na verdade o que nos interessa é o conteúdo. Se fosse assim, nosso noticiário teria um viés mais festivo, mas não temos nenhum compromisso com esse tipo de jornalismo, preocupado em agradar, de conveniência. Essa é a incompreensão do clube.
ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE IMPRENSA (em nota ao UOL Esporte) Numa sociedade aberta a informação, sobre ser essencial, carrega o principio da transparência como um interesse geral. No caso em tela, como o estádio do Atlético – a Arena da Baixada – se candidatou para receber uma das sedes da Copa do Mundo e, nessa situação, recebe recursos públicos, a transparência é de obrigação democrática.
CELSO SCHRÖDER, presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) Vejo isso como uma medida não inteligente, pois você ignora um sistema social que tem 400 anos. Alguém profissionalmente conta as histórias que a sociedade quer saber, que de alguma forma é autorizado pela sociedade para isso. Foi a sociedade que produziu isso. Não me parece inteligente ignorar isso (...) O segundo aspecto é autoritário, perigoso. Não constitui censura, existe o direito da fonte de falar ou de não falar. Mas esse direito de ser a única expressão, de proibir que cumpram um papel social, inspira um germe autoritário. Porque você tem o objetivo de silenciar o mensageiro, de impedir esse profissional, que traz a contradição, não reproduz necessariamente os interesses da fonte, que tem a missão de confrontar as informações com outras fontes.
FELIPE DUTRA, repórter que acompanha o Atlético-PR pela Rádio Banda B É horrível, nunca havia passado por uma situação dessa. Prejudica a todos nós, prejudica os torcedores também, que ficam sem informações do Atlético-PR. Só têm através do site oficial, só o que é dito por meio oficial. Estamos de mãos atadas (...) Eles têm todo o direito de fortalecer o material deles, mas fica ruim prejudicar o trabalho da imprensa, proibir que tenhamos acesso a um jogador ou a um dirigente. A mídia deles e as emissoras podem conviver.
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