Homenagem - Diego Lugano (grande)
“Sou torcedor fanático do São Paulo”. – Foi com essa manchete que o portal Terra, um dos mais importantes do país, chamou os internautas a conferirem entrevista especial com o personagem desse texto.
Como na história fantástica de Miguel de Cervantes, clássico da literatura mundial, nosso herói é um cavaleiro; certo de suas fantásticas aventuras e desafios, cavaleiro sem Sancho, Diego Lugano é o maior ídolo da história recente são-paulina. Zagueiro de poderio físico elevado, raça apurada em detrimento da técnica, e identificação com a camisa que veste, o uruguaio de 31 anos nascido em Canelones segue a linha de seu antecessor Darío Pereyra: também zagueiro, ídolo, e celeste.
Lugano chegou ao São Paulo sob desconfiança, e com a alcunha de “homem do presidente”. Venceu batalhas contra moinhos de vento, ganhou o respeito da torcida, e provou seu valor. Atualmente defende as cores da equipe francesa do Paris Saint-Germain, e da seleção uruguaia – na qual carrega o número 5 nas costas, e a braçadeira de capitão nos braços; a responsabilidade que já foi de Obdulio Varela, homem que ergueu a Jules Rimet e calou o Brasil, hoje descansa sob os cuidados de Diego Lugano.
O começo da carreira futebolística no Nacional de Montevidéu, tradicional clube de seu país pelo qual fez 15 jogos e não marcou gols, determinou sua iniciação profissional. O menino Diego Alfredo Lugano Morena, conhecido em terras celestes por Tota, não teria outra ocupação que não a de jogador de futebol. Afinal, seu pai, também importante zagueiro em Canelones, capitão do clube local, foi influenciador do filho na exata escolha do que fazer.
O amadorismo é, por falar nele, sempre parte importante na carreira de um jogador. O filho do Seu Alfredo e da Dona Diana seguiu os passos do pai, e aos 18 anos atuava pelo Club Libertad de Canelones, morada de Seu Alfredo durante 20 anos, e escudo pelo qual Diego Lugano ergueu seu primeiro troféu no futebol. Segundo o site oficial do capitão uruguaio, o Decano Canario, apelido do “glorioso de Canelones”, é um clube pelo qual preserva um carinho especial, importante na carreira do defensor por lançá-lo ao futebol; foi de lá, inclusive, pelas atuações com a camisa do mesmo clube que seu pai vestira, que rumou ao Nacional. Predestinado esse tal Tota.
Prova de ser a várzea sempre a melhor escola, Dom Diego Lugano saiu dos campos do interior para o imponente da capital. Então profissional, o zagueiro não demoraria a mostrar a garra conhecida dos são-paulinos, e, consequentemente, alcançar seu lugar no time tricolor do Uruguai. Três anos no Nacional, e dois títulos uruguaios e o cavaleiro começava a jornada rumo à cavalaria. Saía de Canelones.
Sobre a passagem pelo Nacional, três anos que iniciaram sua carreira, Lugano escancara agradecimentos: “Nesses três primeiros anos tive contato com grandes campeões, e torcedores acostumados com grandes glórias”.
Em 2002, já habituado com a camisa de um dos maiores do Uruguai, foi emprestado ao Plaza Colônia sob a expectativa de acumular experiência e outras histórias merecedoras de serem contadas para, então com mais panca, voltar ao Nacional, que naquele ano esperava contar com jogadores mais prontos, de renome internacional. Erro de gestão. Talvez os diretores do clube uruguaio não esperassem, talvez nem Lugano esperasse, mas ele não era homem de ser emprestado, mas foi.
Pelo Colônia, equipe de menor expressão, Lugano aprimoraria o melhor de seu futebol. O time da cidade de Colônia do Sacramento, nos dias de hoje na segunda divisão do campeonato nacional, conquistou o caneco da extinta Liguilla Pré-Libertadores da América, torneio que classificava para o mais importante dos campeonatos continentais. Aquela campanha é lembrada pelos torcedores alviverdes de Canelones até hoje, afinal, essa foi a melhor participação do time em torneios profissionais, e mais uma vez com destaque para Lugano, capitão do esquadrão naquela oportunidade.
O plano original do cavaleiro, como já dito nesse texto, era voltar ao Nacional. Os deuses da bola tinham outras intenções, e os são-paulinos agradecem a eles por isso. Lugano desembarcaria no São Paulo depois da passagem pelo clube de Sacramento. Chegaria por aprovação do saudoso presidente Marcelo Portugal Gouvêa, falecido em 2008. O homem do presidente precisaria provar mais que o restante do grupo. E provaria. Afinal, como também já dito nesse texto, é predestinado o tal Tota.
O cavaleiro andante mais famoso deste e doutros tempos, Dom Quixote de La Mancha, gozava de sensata loucura para enfrentar os mais perigosos desafios do mundo. Lugano, como Quixote, quando em missão sai de si. Em campo transforma-se num guerreiro, sem desistir de bola alguma, sem pestanejar. Incansável. Característica que lhe rendeu a paciência necessária para atuar pelo clube do Morumbi, já que sua chegada, em 2003, não foi aprovada pelo então técnico Oswaldo de Oliveira, que deixava o uruguaio de fora da maioria dos jogos. Lugano suava por almejar o melhor, e assim que técnico foi embora do tricolor paulista, ainda em 2003, o uruguaio conquistou seu espaço, e pouco a pouco, jogo a jogo, chute pro mato a chute pro mato, foi provando à nação são-paulina que merecia lugar especial na galeria de ídolos.
A falta de técnica jamais foi problema, ele compensava com raça. Comia grama se fosse necessário. Amedrontava adversário, comandava defesa, liderava a equipe. Cavaleiro Lugano.
Mostra desta incansável sede por vitórias foi dada em 2006, nas semifinais da Taça Libertadores da América, contra o Chivas – MEX, no Morumbi. Eram 27” quando Fabão cometeu pênalti em Bautista. Morales bateria no canto esquerdo de Rogério Ceni, que voaria em direção à bola, e faria brilhante defesa. O Morumbi e 66.750 testemunhas viram Lugano virar a Rogério segundos depois da defesa, cerrar os punhos, e vibrar com o goleiro são-paulino, como quem diz: “É isso! não vamos perder, não vamos perder!”, A TV Globo, detentora dos direitos de transmissão, deu destaque à atitude do zagueiro. Lugano é o tipo de jogador que vence Libertadores, o tipo de jogador que qualquer equipe quer chamar de ídolo.
Naquela mesma Libertadores, numa fase antes, nas quartas de finais, Lugano foi expulso no jogo de ida, contra o Estudiantes, na Argentina. Na volta, em pleno Morumbi, teve que assistir a vitória por 3 x 0 de fora do campo, como torcedor. Ao final da partida entrou no gramado para vibrar com o elenco. De calça jeans escura e camisa social preta, o uruguaio comandava a comemoração de milhões de são-paulinos espalhados pelo mundo. Lugano é apaixonado pelo São Paulo, disso ninguém duvida.
“Foram três anos incríveis (no São Paulo). Não só pelos títulos ganhados, mas a identificação dos são-paulinos comigo, e a minha com o clube foi surpreendente. Cresci muitíssimo no maior clube do melhor futebol do mundo”. Ele completa: “Quanto mais o tempo passa, mais cresce essa identificação. Por isso não seria estranho que voltasse ao São Paulo um dia.”.
Pelo tricolor do Morumbi foram emblemáticos 95 jogos. Dentre eles o especial embate ante o Liverpool, na final do Mundial de Clubes, quando os são-paulinos celebraram pela terceira vez o topo do mundo. Naquele jogo foi monstruoso. Marcou com seriedade e jogou com foco e concentração durante todos os minutos da partida. Aquela falta em Gerrard, já aos tantos do jogo, lhe rendeu cartão amarelo e ainda mais admiração são-paulina. Lugano não afina.
Comumente o uruguaio de Canelones honra a camisa que veste, e pelo São Paulo o sentimento de identificação foi além do respeito. Na entrevista ao portal Terra lembrada no começo desse texto, em 2008, quando ainda atuava pelo Fenerbahce da Turquia, Lugano deu outra prova deste amor: “Sou torcedor do São Paulo. A minha relação com a torcida é foda. Desde que saí, parece que a identificação com os são-paulinos aumentou ao invés de diminuir. Quando vim jogar contra o Brasil, o tratamento que recebi foi emocionante. Tinha gente torcendo pelo Uruguai por minha causa. Como não me tornar torcedor do São Paulo? Sou torcedor, e fanático.”.
Foram quatro títulos. Paulista, Libertadores, e Mundial de Clubes num 2005 perfeito, e um campeonato brasileiro no ano seguinte. Quatro títulos, como o amigo leitor deve saber, são suficientes para contar muitas histórias, e a mais triste delas, na despedida do zagueiro, foi contada em 2006, num até logo ao Cavaleiro Lugano de La Canelones.
No livro de Cervantes, no início de cada capítulo, são ressaltadas as aventuras de Quixote no transcorrer das atividades, “e outros feitos que merecem ser contados”. Desde sua saída do tricolor paulista Lugano conquistou a Turquia, outros milhões de fãs, a América uma vez mais com a celeste, e outros feitos que não merecem ser contados. Isso mesmo, não merecem. Ao são-paulino cabe esperar pela volta do ídolo, porque aos tricolores, nada interessa mais que ver Lugano com sua camisa uma vez mais, para mais contos, mais histórias, e mais títulos.
Cavaleiro de valor inestimável, temido nesse e noutros reinos, e de feitos grandiosos, os são-paulinos aguardam seu retorno. Parte dessa fantástica aventura escrita em linhas tricolores, os torcedores estão no direito de pedir: volta, Lugano!
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