Política Tricolor
Ninguém precisa ser estudioso em História para saber que, assim como governos com feitos notórios se reelegem com mais facilidade, administrações fracassadas costumam dar aos eleitores a motivação para eleger outros. Nos clubes de futebol, não deveria ser diferente com a presidência. Não deveria, mas é. Basta acompanhar o que acontece com o São Paulo, clube que se autoproclama o mais evoluído do Brasil.
Em sua última – e ilegal – reeleição, Juvenal Juvêncio teve mais votos que no pleito de 2008. Naquele ano, sua gestão vinha de dois títulos nacionais, o último conquistado com um mês de antecedência. Como se não bastasse, Juvenal havia sido diretor de futebol do presidente anterior, colhendo os dividendos da Libertadores e do Mundial. Como compreender que sua aprovação mais retumbante, em vez de se dar após os momentos triunfais, aconteceu logo depois de duas frustrantes temporadas? A explicação é a mesma para que a reeleição do desastroso Fernando Casal de Rey, que fez o sucessor Bastos Neto, seguido por Paulo Amaral. No lugar de substituir um grupo que acumulou derrotas e constrangimentos, os conselheiros são-paulinos preferiram premiá-los. Quando parecia óbvio que a oposição finalmente ganharia de lavada, Marcelo Portugal Gouvêa teve míseros quatro votos de vantagem. Só se pode concluir que, no São Paulo, o desempenho do time pouco importa para fazer ou desfazer um presidente. É o retrato acabado da falência do modelo (?) chamado cardealismo.
Como qualquer clube de futebol que mantém associados com objetivo de lazer, o São Paulo abre espaço para sócios com outras preferências clubísticas. Esta contingência natural foi a desculpa utilizada para a criação de um sistema em que todo presidente é indiretamente eleito pelos conselheiros. Isso é o que, segundo seus defensores, “blinda” o São Paulo de ter corintianos e palmeirenses nos seus quadros decisórios. Porém, como diz o ditado, o inferno está cheio de boas intenções. Popularmente chamados de “cardeais”, os conselheiros vitalícios formaram diversas divisões internas, não necessariamente com a finalidade de colaborar para o bem do futebol. Espelhando os vícios da política brasileira, a tal da governabilidade tricolor surge pela satisfação destas turminhas, com distribuição de cargos e vantagens. Mais ou menos o que o cardeal Bórgia fez para se tornar o Papa Alexandre VI, como nem a Igreja Católica ousa mais contestar. É assim que uma vaga como diretor adjunto vale mais que uma Libertadores. Foi assim que Juvenal Bórgia chegou ao terceiro mandato.
O cardealismo não é apenas imoral. Desde 2003, ele também é repudiado pelo Código Civil, o qual exige que mudanças estatutárias sejam aprovados por todos os sócios. É o que o Tribunal de Justiça de São Paulo já reconheceu por maioria de votos e tende a ser ratificado pelos Tribunais superiores. Sabe-se lá quando, é verdade. Os dirigentes são-paulinos não apenas contam com a lentidão judicial, como a aproveitam para ampliar o leque de transformações oportunistas nos estatutos – todas elas visando à manutenção dos grupos pró-Juvenal. Será desta forma que, mesmo ficando mais dez anos sem títulos expressivos, o SPFC terá seus rumos definidos por Juvenal, ou por quem este entender cabível como fantoche. Opositores? Ou estarão escondidos em alguma catacumba, ou travestidos de Dom Quixote. Enquanto isso, jornalistas se calam para não desagradar suas fontes, ao passo que as torcidas organizadas se calam convenientemente. Já os torcedores se portam como hienas ou desavisados perante o tsunami de mediocridade que se aproxima.
O golpe do terceiro mandato está muito distante de ser um acidente histórico no São Paulo. Talvez – se não provavelmente – tenha sido apenas um balão de ensaio, para calcular até onde vão a inação de uns, o adesismo de outros e o desinteresse de quem assiste a tudo isso de fora. Então está tudo consumado? Não acredito. A História também mostra que golpistas, mais cedo ou mais tarde, cavam suas próprias sepulturas. Se não for pela Justiça, pela própria sordidez. Mas, se os cardeais seguirem reinando, não haverá o que celebrar. Logo virão outros para transformar títulos em lamentos futuros. Como mudar isso? Para começar, com esclarecimentos no lugar de falsas esperanças. Torcer pelo clube da fé não significa dizer amém a tudo. Muito menos a pastores de lobos.
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