O processo disciplinar contra o ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, teve mais um desdobramento importante nesta quinta-feira (30). O dirigente não compareceu à audiência marcada pela Comissão de Ética do Conselho Deliberativo e, por meio de seus advogados, solicitou o encerramento do procedimento. A justificativa apresentada foi a de que, após renunciar ao cargo de conselheiro vitalício e ao título de sócio, ele não faria mais parte do quadro associativo do clube.
A estratégia, porém, não prosperou. Os relatores da Comissão de Ética rejeitaram o pedido da defesa e decidiram dar continuidade ao processo disciplinar. Com isso, a audiência foi realizada normalmente, mesmo sem a presença de Casares.
Ao final da sessão, Amanda Nunes, advogada da acusação, explicou em entrevista ao Arquibancada Tricolor que a Comissão entendeu não haver motivo para interromper a apuração.
"O Casares não compareceu. Os advogados dele peticionaram justificando que ele não iria comparecer, uma vez que ele usa o artigo para falar que saiu do quadro associativo e, por isso, não teria motivo para ser julgado. Contudo, essa solicitação não foi atendida pelos relatores. Eles rejeitaram o pedido", afirmou.
Segundo ela, as testemunhas previstas para a audiência também não compareceram, alegando compromissos pessoais. Com isso, a fase de instrução foi encerrada e o processo entra agora na etapa final, com prazo para manifestação da defesa antes da elaboração do relatório pelos membros da Comissão de Ética.
Acusação vê tentativa de evitar puniçãoEm outra declaração após a audiência, Amanda Nunes afirmou que a renúncia de Julio Casares ao quadro associativo foi uma tentativa de evitar uma eventual expulsão do São Paulo.
"Foi a forma que ele quis para não ser expulso. Tem duas semanas que eu só leio estatuto, vejo precedentes e estudo tudo para chegar até aqui. Foi a última jogada dele, que com certeza não deu certo, tanto é que nós estamos aqui fazendo a audiência normalmente", declarou.
A advogada também disse acreditar que a decisão final poderá ser favorável à acusação. Segundo ela, Casares teve a oportunidade de apresentar sua defesa pessoalmente durante a audiência, mas optou por não comparecer.
Quais são os próximos passos?Encerrada a audiência, Julio Casares terá cinco dias para apresentar suas alegações finais. Após esse prazo, o relator elaborará seu parecer, que será analisado pelos demais integrantes da Comissão de Ética.
O procedimento apura supostas irregularidades administrativas e possível gestão temerária durante o período em que Casares presidiu o São Paulo. Caso a Comissão recomende alguma penalidade, o processo seguirá o rito previsto no Estatuto Social do clube até uma decisão definitiva.
A ausência do ex-presidente e a tentativa de encerrar o processo aumentaram a repercussão política do caso nos bastidores do São Paulo, que agora aguarda o parecer da Comissão de Ética para definir os próximos capítulos de um dos episódios mais delicados da recente história administrativa do clube.