Pintado recebeu o L!Net em Penápolis minutos antes de delegação viajar a São Paulo (Foto: Bruno Uliana)
Responsável por levar o Penapolense às quartas de final do Paulistão na estreia do clube na Série A1, o técnico Pintado já faz parte do momento mais glorioso da história do clube do interior. Nesta sexta-feira, ele recebeu o L!Net no CT do clube, em Penápolis, a cerca de 500 quilômetros da capital. Domingo, no Morumbi, ele enfrentará o São Paulo, pelo qual também escreveu história nas Libertadores de 1992 e 1993, e no primeiro Mundial. No Tricolor, foi personagem importante também na ascensão de Raí, que, para Pintado, tem de servir de exemplo para Paulo Henrique Ganso.
A história é contada por Raí no livro “1992, o mundo em três cores”, escrito em parceria com o jornalista André Plihal e lançado em novembro do ano passado. O ex-camisa 10 conta que recebia críticas de Pintado quando se limitava a passes laterais, e não tentava armar o jogo de forma mais contundente. E diz que foi o respaldo do ex-volante que fez com que ele evoluísse em campo.
Sobre o jogo de domingo, Pintado não fala em coração dividido, ou em lamentações por ter de tentar vencer o clube pelo qual se declara torcedor. Pelo contrário: diz que é mais uma oportunidade de mostrar trabalho e capacidade para, um dia, realizar o sonho de ser treinador do São Paulo, que ele acha que acontecerá naturalmente. Antes disso, elogia Ney Franco, o coloca como um dos melhores do Brasil e enaltece a classificação às oitavas de final da Libertadores sobre o Atlético-MG, jogo que ele viu, torceu e estudou.
L!Net: Como está sendo participar do momento mais importante da história do Penapolense? Você e o elenco já têm noção disso?
Pintado: Acho que, desse grupo, eu talvez seja quem tenha um ppouco mais de história. Costumo dizer a eles que essa história que estamos construindo vai ficar eternizada, então é um momento muito bom. Ficar marcado na história é muito importante, e ninguém vai conseguir mudar o que estamos escrevendo. Com o passar do tempo, vamos valorizar cada treino, cada jogo que fizemos. E esse jogo contra o São Paulo pode marcar o momemnto mais importante de todos nós, porque vai mudar nossa vida pessoal e profissional depois dessa decisão.
L!Net: No livro lançado pelo Raí no ano passado, ele conta algumas histórias suas, e uma delas fala sobre como você o ajudou a se tornar um grande meia, dizendo para que ele tentasse mais assistências, sem medo de errar. Acha que o Ganso está em uma situação semelhante?
P: Essa cumplicidade dentro de campo é muito importante. E esses detalhes são fundamentais. O que o Raí falou são algumas coisas muito íntimas nossas, era um trabalho sem o Telê Santana saber, sem o Moraci Sant'anna (preparador) saber. Era muito do grupo, tínhamos essa responsabilidade. Agora, o Ganso pra mim é craque. Já provou isso e provou mais uma vez contra o Galo. Ele precisa, sim, desse apoio porque ele sente a desconfiança dos outros, por isso ficou duvidando durante um bom tempo. Ele vai evoluir, sem dúvida, e o São Paulo tem esses jogadores de peso para dizer isso para o Ganso, para dar esse suporte que eu dei pro Raí naquela época.
L!Net: Acha que a situação de agora do Ganso é semelhante àquela do Raí? Quem deve ter o papel que você exerceu na época?
P: Sim, eu acho, não tenho dúvida, e acredito que o Rogério Ceni e o Luis Fabiano possam fazer. Podem dar esse suporte pra ele: “Erra, velho, erra, que a gente conserta o que você errar. Porque as que você acertar a gente vai fazer gols e vai ganhar o jogo”.
L!Net: Você já disse que tem o sonho de ser treinador do São Paulo. Enfrentar o clube é chance de mostrar trabalho ou te deixa chateado?
P: Para mim, o que fica muito evidente é que eu conqusitei essa visibilidade também como treinador. Como atleta, o que fiz pelo São Paulo está escrito e bem marcado. Agora começo a escrever uma nova história como treinador. Enfrentar o São Paulo numa quartas de final me transporta para dentro do clube, para os momentos que passei lá conquistando títulos. É um objetivo meu de vida profissional um dia trabalhar no São Paulo como técnico. Acredito que isso vá acontecer naturalmente. Quero seguir o exemplo do Ney Franco. Um dos nortes para mim na carreira é trabalar como ele trabalha, com a competência, seriedade e humildade que ele tem. São Paulo é muito forte em todos os sentidos. Ney Franco é o grande diferencial. Não seria exagerado dizer que a força do São Paulo está no treinador. Ney Franco é exatamente a pessoa que o São Paulo precisa. No São Paulo, primeiro vem a grandeza do clube, pra depois vir o profissional competente.
L!Net: Antes do jogo contra o Atlético-MG, havia pressão sobre ele. Mostrou que vale a pena manter? Assistiu ao jogo como torcedor?
P: É por isso que eu continuo aprendendo e estudando, e busco os exemplos, como o Ney. A gente percebia que a preocupação dele era em conseguir o resultado, e não em se manter no cargo. Nunca tentou responder crítica. No momento de dificuldade eu sempre disse que o Ney era muito capaz. O Ney é um cara supercompetente, e vai levar o São Paulo a muitos títulos. Força do clube com a competência do Ney e dos atletas levou o clube a esse grande resultado, que pode ter sido o jogo do título da Libertadores. Assisti, fiquei muito ligado, torci, mas não torci porque sou são-paulino. Para mim, foi uma aula, eu estudei o jogo. Como o São Paulo conseguiu reverter aquela situação? Falei com o Rogério Ceni antes do jogo, disse que a força dele e a força do clube fazem a história que não deixa abalar a confianla. E ele respondeu que iria lutar até o último minuto, que não poderia desistir. Ele transmitiu essa energia, e por isso é o grande ídolo e líder, e será respeitado
Campeão em 92 e adversário agora, Pintado compara: 'Ganso precisa desse suporte que dei ao Raí'
Técnico do Penapolense e rival do São Paulo nas quartas do Paulistão, Pintado elogia Ganso, mas pede mesma ajuda que deu a ídolo tricolor. Raí já relatou orientação em livro
Fonte Lancenet
27 de Abril de 2013
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