Ex-cabeludo, Aloísio toma raça platina como modelo no São Paulo

Fonte Gazeta Esportiva
Como muitos argentinos e uruguaios, com os quais já conviveu e tem amizade, o atacante Aloísio também foi cabeludo por um tempo. Aparou as madeixas apenas há dois anos – a pedido de um treinador, ao voltar do futebol suíço para o Brasil –, porém não perdeu o jeitão raçudo de jogar bola. Um estilo de se comportar similar ao dos vizinhos platinos que, juntamente com os seis gols marcados, vem deixando são-paulinos felizes desde o início da temporada.
"Minha característica é essa: trombar, ajudar, correr. Procuro ajudar meu time da melhor forma, disputando bola, ajudando meus companheiros", reconhece, em entrevista à GE.net, o jogador de 24 anos, natural de Araranguá (SC) e criado nas divisões de base gremista. Foi lá que conheceu Julinho Camargo, técnico que o ajudaria mais tarde, em 2010, no retorno do Chiasso (time da segunda divisão da Suíça) para o Rio Grande do Sul. Ajudaria, da mesma forma, a transformar seu visual.
"Eu parecia o Maradona, tinha cabelo grande mesmo. Quando me apresentei ao Caxias, o Julinho, que é muito amigo meu desde o Grêmio, pediu que eu fizesse a ele o favor de cortar. Eu não ia, mas já que ele pediu... O cabelo realmente atrapalhava às vezes, pegava nos olhos", lembra, rindo do período em que a antiga aparência divertia os outros.
"Eram vários apelidos, só parando para pensar. O pessoal me chamava de Assolan (conhecida marca de lã de aço) porque o cabelo era enrolado. Diziam que eu parecia as crianças da propaganda da Assolan", conta.
Julinho, que é careca, diz não se recordar do pedido feito a Aloísio. Não esquece, no entanto, a qualidade do atacante. "Ele ganhou vários títulos na base, sempre tendo como característica o conjunto força mais velocidade. Partia para cima, envolvendo os zagueiros com manejo de bola. Sempre teve esse porte físico e era valente mesmo enfrentando zagueiros mais velhos do que ele", cita o hoje treinador do Veranópolis, orgulhoso pelo sucesso do pupilo vestindo o uniforme tricolor.
Depois de breves passagens por Caxias, Chapecoense e Tombense, Aloísio ganhou projeção nacional no Figueirense, fazendo 14 gols no Campeonato Brasileiro passado. Apenas Fred e Luis Fabiano (atualmente seu concorrente por posição) balançaram a rede mais vezes na competição. Enquanto esteve na equipe catarinense, em algumas oportunidades foi companheiro de ataque de Sebastián 'Loco' Abreu, embora o uruguaio tenha atuado pouco em razão de lesões e convocações para a seleção de seu país.
"Procurei aprender um pouco com a experiência dele. É difícil tirar a bola do Loco dentro da área. É um cara raçudo, que briga muito. O Herrera é assim também. Além do Herrera, joguei com outros argentinos no Grêmio. Com Schiavi (zagueiro), Saja (goleiro)... Uruguaios e argentinos perdem a bola e não desistem, correm atrás. Minha característica é parecida", diz.
O torcedor do São Paulo, ao qual chegou em janeiro, gosta dessa característica. Não à toa, idolatra até hoje o ex-volante Chicão e os uruguaios Diego Lugano e Pablo Forlán. Em 2012, esgotou rapidamente a série de camisas celestes intitulada "Deuses da raça", lançada em homenagem também a Darío Pereyra e Pedro Rocha, estes mais técnicos do que os dois compatriotas. Aloísio corre para entrar nesse rol de raçudos. Após se debater feito louco para comemorar pênalti sofrido na semana passada, o qual encaminhou a vaga na Libertadores, garante seguir peleando nas quartas de final do Campeonato Paulista, contra Penapolense, e nas oitavas de Libertadores, de novo frente ao Atlético-MG, ambas no Morumbi.
"É importante todos corrermos do jeito que corremos na semana passada. Podemos até não ganhar, mas vamos brigar. Em mata-mata, tem que fazer de tudo pela vitória, ainda mais em casa. Vamos impor um ritmo forte", prometeu o ex-cabeludo, disposto da cabeça aos pés.
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