Conhecido dos dois lados, Adrián González aposta: 'São Paulo deve tropeçar contra o Arsenal'

Fonte Lancenet
Lateral-direito não acredita em vitória do Tricolor na Argentina (Foto: Tom Dib)
Uma passagem discreta pelo São Paulo e, na sequência, dois anos no Arsenal de Sarandí que resultaram em uma conquista histórica. Esta foi a trajetória do lateral-direito argentino Adrián González entre 2009 e 2012, que não deixou saudades no Morumbi, mas que certamente será relembrado por muitos anos pelos torcedores do rival desta quitna-feira na Libertadores. Para o confronto, Adrián não toma partido na torcida e reparte o carinho entre os clubes, mas não acredita que o Tricolor vá voltar para o Brasil com vitória.
No ano passado, Adrián participou da inédita conquista do Arsenal na segunda fase do Campeonato Argentino. Hoje, aos 36 anos, desistiu da aposentadoria para jogar aquela que deve ser sua última temporada como jogador, pelo Platense. Pronto para se tornar treinador quando pendurar as chuteiras, ele disseca os rivais desta quinta-feira e aponta os obstáculos que o São Paulo deve encontrar. Para ele, o fator diferencial pode ser Rogério Ceni, para quem rasga elogios. Confira abaixo a entrevista.
Como vê o confronto e os dois times na Libertadores?
Independentemente do carinho, joguei nos dois times, tenho muito carinho pelos dois. Penso que o Arsenal é um time difícil jogando em casa, é uma equipe de muita raça, um grupo aguerrido, e não vai ser fácil para o São Paulo. Do que vi do outro jogo, no Pacaembu, me pareceu que os dois times eram bons e teriam condições de ganhar. Vi as duas equipes atuando no mesmo nível. Vai ser um jogo aberto. São Paulo tem a necessidade imprescindível de ganhar, pela situação na Libertadores e pela história do clube, que entra na Libertadores com favoritismo sempre. Arsenal, sem tanta pressão e responsabilidade, não vai sentir tanto e jogará com mais tranquilidade.
Em qual resultado apostaria na partida?
O São Paulo deve tropeçar. Podem até conseguir a vitória, mas acredito mais em um empate. Do que vi do São Paulo nesta Libertadores, falta equilíbrio no time. A equipe não defende com o mesmo poder no ataque. Na parte defensiva, tem alguns problemas na linha dos quatro defensores, mas é sem dúvida uma equipe forte no ataque. No Pacaembu, talvez por não ter esse equilíbrio, o Arsenal levou mais problemas quando o São Paulo estava atacando, nos contra-ataques. Joguei por dois anos no Arsenal, e eles sempre jogam no mesmo esquema, com duas linhas de quatro e dois atacantes. É um time que faz muitos desarmes no meio de campo, tem boa marcação. Vai ser difícil para o São Paulo.
O São Paulo tem a pressão de ganhar pela situação e pelo favoritismo. E o Arsenal? Tem ambição na Libertadores?
Tem um objetivo, sim. Claro que não tem a responsabilidade e pressão do São Paulo. Mas é um dos grandes objetivos do clube que use a Libertadores para mostrar um bom trabalho. O Arsenal foi campeão da Sul-Americana, foi campeão argentino no ano passado, não tem a ambição de ganhar agora o título da Libertadores, mas quer se mostrar.
Em 2012, você jogou a Libertadores pelo Arsenal e acabou eliminado na fase de grupos, que tinha adversários como Boca e Fluminense. A ambição do clube no ano passado era a mesma desse ano?
Não, não. Naquele momento era diferente, era menor, porque estávamos disputando a ponta do Campeonato Argentino. Era um elenco jovem, que se encorpou com alguns jogadores mais experientes, como eu. E foi um grupo muito difícil, com Boca e Fluminense. Mas a ambição era outra, porque a prioridade era o nacional.
Como vê a situação do São Paulo, que pode se complicar caso não ganhe esse jogo?
Vai ter um problema grande, porque é muito pequena a possibilidade de ganhar em La Paz, depois, contra o The Strongest. Só quem joga na altitudade sabe o quanto é difícil, verdadeiramente. Eu já joguei, outros já jogaram, e sei da diferença. Até por isso, acho que o São Paulo vai jogar tudo aqui. Mas se jogar aberto como foi no Pacaembu, terá problemas. Mas o São Paulo também é uma equipe que aparece neste tipo de situação, pela história do clube, principalmente na Libertadores.
Você conviveu com o Rogério Ceni. Aos 40 anos, ele está no último ano da carreira. Como ele passa para o elenco a importância de vencer um jogo desse?
Rogério, nestes e em outros momentos, se mostra uma pessoa vencedora. É um jogador que nasceu para esse tipo de partida, de final, de decisão. Eu lembro de 2010, quando joguei no São Paulo e estávamos na Libertadores. A ambição dele é como se fosse de um jogador jovem, que nunca ganhou título, apesar de ele já ter ganhado tudo que poderia como futebolista. Aqui, chamamos isso de "fogo sagrado", como no Brasil chamam de raça, que é a força que jogadores como o Rogério têm dentro de si. Rogério, mais do que isso, tem o fogo sagrado e sabe transmitir aos outros jogadores, sabe contagiar o grupo todo. Eu presenciei isso. Então é por isso que ele se mantém como um dos melhores goleiros ainda, e por isso que pode fazer sempre a diferença.
Wellington e Luis Fabiano estão suspensos. Acha que o São Paulo perde muita força?
Sim, perde. Joguei com o Wellington quando estive no São Paulo, e é um jogador que me encanta. Não contar com esse tipo de jogador em uma decisão faz com que o time perca muito, sim. Principalmente com o nível que tenho visto do Wellington recentemente, vai perder muito. Sem Luis Fabiano também. É um craque, que a qualquer momento pode definir a partida, e o time vai sentir falta. Mas o São Paulo tem sempre um bom plantel, acredito também nas opções que o elenco tem e no espírito do clube, que é sempre muito forte.
Você ainda pretende jogar por mais alguns anos ou vê a aposentadoria próxima? Sabe o que fará no futuro?
Estive até o ano passado no Arsenal, e tinha a intenção de parar ao fim do contrato, mas por intermédio de um amigo fui para o Platense, que precisava de minha experiência. Estou jogando na divisão de acesso do Campeonato Argentino. Então, depois de junho vou ver se estou com vontade de seguir jogando. Agora, tenho que ter outros projetos. Não é só por dinheiro. Se não tiver algo interessante, vou seguir outro caminho. Já fiz um curso de treinador, e se quiser já posso dirigir algum clube, mas não quero me adiantar. Agora ainda sou jogador, mas já estou me preparando para seguir outro caminho. A ideia é ficar no futebol, já tenho um projeto importante em Buenos Aires com juvenis, para formar jogadores. Tenho que ficar no campo, onde sou feliz.
Como vê a diferença econômica entre o futebol brasileiro e o argentino? Alguma vez foi tão grande?
Nunca foi tão diferente. A diferença faz mal, notei tudo isso no Sao Paulo, quando grandes jogadores começaram a voltar para o Brasil, como Adriano, Ronaldo, Robinho. Então a economia embarcou o esporte foi impulsionado pelos projetos da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016. Acho que também teve a ver muito com isso, e cria-se até uma brecha com o jogador argentino, que vê o Brasil como um ótimo mercado. Os jogadores aqui veem o Brasil com bons olhos, hoje se olha como o europeu. Estamos vendo Seedorf no Botafogo, Deco no Fluminense, então a Argentina está a um par de passos atrás. Isso se vê também na Copa Libertadores, os clubes argentinos não chegam mais com a mesma força dos brasileiros.
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