Famoso por seu estilo “xerife”, Lúcio foi contratado para colocar ordem na zaga do São Paulo. No entanto, após um início de ano sofrendo muitos gols, foi somente após a entrada de Rafael Tolói na equipe titular que as coisas se acertaram.
O técnico Ney Franco começou a temporada com Lúcio e Rhodolfo formando a dupla de zaga. O resultado, no entanto, não foi dos melhores: duas vitórias, um empate e três derrotas em seis jogos, com nove gols sofridos.
Reserva no início de 2013, Tolói logo ganhou a condição de titular ao lado do veterano de 34 anos. Se ainda demora um pouco para estabilizar, essa formação já apresenta números mais positivos nos mesmos seis duelos: quatro vitórias e dois empates, com seis gols sofridos.

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Em outras três partidas, a zaga utilizada por Ney Franco era a reserva, com Edson Silva no equipe. Ao todo, em 15 compromissos neste ano, o São Paulo sofreu 17 gols.
O pior início da defesa são-paulina na última década aconteceu em 2005 – foram 21. A diferença é que naquele ano, quando o clube se sagraria campeão paulista, da Libertadores e mundial, o ataque fez 43 gols nos mesmos 15 jogos, contra 31 de 2013.
Lúcio, ainda em fase de readaptação ao futebol brasileiro, falou ao iG Esporte que a explicação pode estar no sistema ofensivo implantado pelo técnico Ney Franco.
“Não vejo problema [na defesa]. Claro que [a alta média de gols sofridos] é um fato, não tem como dizer que não, mas a forma de jogar com três atacantes deixa a equipe mais exposta”, analisou o “capitão sem faixa”, como vem sendo chamado o zagueiro.
“Fiquei 12 anos fora. Muita coisa mudou, a forma de trabalho, de jogar. O futebol brasileiro está bem mais veloz e competitivo. Aos poucos estou me adaptando”, completou o atleta, que é um dos líderes no ranking de desarmes no Paulistão.
Tolói, que vem arrumando o buraco, também não enxerga um problema real na zaga e diz que o time está bem.
“A parte defensiva não é só os zagueiros. Toda a equipe tem que ajudar”, falou o camisa 2, que também disse não enxergar um problema no setor. “A gente não quer sofrer gols, mas a equipe vem jogando bem”.
No clássico contra o Palmeiras, no último domingo, Lúcio foi expulso e o São Paulo conseguiu aguentar boa parte do segundo tempo com um homem a menos. Mas o zero no placar se manteve principalmente pela má pontaria do Palmeiras, que acertou somente quatro chutes ao gol em 18 tentativas.
Boa defesa pode ser indicativo de título
No início de 2007, a defesa são-paulina já dava indícios de que seria a melhor do País. Foram apenas nove gols sofridos nos 14 jogos iniciais da temporada. Ao final do ano, veio o título brasileiro com sobras graças a uma zaga que tomou, em média, 0,5 gol por partida.
Em 2008, o sistema defensivo piorou um pouco. Mas, ainda com média inferior a um gol sofrido por jogo, foi importante para a conquista do terceiro campeonato nacional seguido. De 2009 para cá, porém a zaga caiu de produção e culminou no breve jejum de títulos do São Paulo, quebrado somente na Copa Sul-Americana do ano passado.

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