A virada do São Paulo sobre as 'malditas' linhas de quatro

Fonte ESPN
Reprodução Fox Sports
Flagrante das duas linhas de quatro do time boliviano bem próximas impedindo o avanço são-paulino pela esquerda.
Tão clichê quanto o “não tem mais bobo no futebol” são os protestos no Brasil contra os times “com nove homens atrás da linha da bola” e, principalmente, o trauma diante das “duas linhas de quatro”.
Compreensível. Equipes brasileiras tradicionalmente sofrem sem brechas para tabelas pelo meio, ultrapassagens pelos flancos e jogadas individuais. Ainda mais o São Paulo, que rende quando coloca intensidade e rapidez no jogo com Jadson ditando o ritmo. Sem muita paciência para girar a bola e criar a fresta na retaguarda do oponente.
O Strongest fez o esperado: negou espaços executando com disciplina e abnegação um 4-4-1-1 com linhas compactas, os meias Soliz e Cristaldo bem abertos auxiliando os laterais Bejarano e Torrico no combate a Douglas e Cortez.Pablo Escobar articulava em busca de Reina.
A bola parada – outra reclamação comum, mas só quando funciona contra – colocou o time boliviano na frente com o gol do zagueiro Barrera e empurrou ainda mais para trás os oito, às vezes nove homens.
Curiosamente, mesmo diante de uma barreira, o tricolor conseguiu acelerar a transição ofensiva e o trio de ataque foi decisivo: passe de Aloísio, chute de Luis Fabiano e gol de Osvaldo no rebote.
Olho Tático

No primeiro tempo, o compacto 4-4-1-1 do Strongest só foi superado pela velocidade do tridente ofensivo do São Paulo.
O empate no final do primeiro tempo parecia pavimentar uma virada mais tranquila, mas só quando Ney Franco trocou Denilson e Aloisio por Ganso e Cañete o São Paulo ganhou fluência. O desenho no meio-campo no 4-3-3 mudou com dois meias e Wellington mais plantado. A dinâmica também foi diferente.
Ganso enfim saiu da inércia e tocou, girou, entrou na área. Cañete foi outro a deixar o toque mais fácil, aumentando o índice de posse de bola para 69%. Bastou o argentino criar o espaço da direita para o meio com inteligência e o brasileiro se deslocar com ímpeto poucas vezes visto nos últimos tempos para Luis Fabiano fazer história com o 12º gol na Libertadores , igualando Rogério Ceni – quarto na edição 2013.
Olho Tático

Com Ganso e Cañete, São Paulo atacou com dois meias no mesmo 4-3-3 e ganhou toque mais qualificado.
No apito final, alívio pela virada no Morumbi após a derrota na estreia. Mas as reclamações de sempre, como se o adversário tivesse obrigação de encarar fora de casa um time superior tecnicamente de peito aberto. Não tem.
O Strongest montou as “malditas” linhas de quatro. O mérito do São Paulo foi superá-las, apesar do incômodo de quase sempre.
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