A fase do São Paulo de Juvenal Juvêncio não é das melhores. Dentro de campo, o time não conquista um título desde o Brasileirão de 2008 e não consegue voltar à Taça Libertadores da América, obsessão de todo torcedor tricolor. Ano após ano, o presidente e seus comandados mexem no elenco, mas a verdade é que têm muito mais errado do que acertado nas contratações.
Do lado de fora, a situação não é das melhores. Após uma briga política com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Juvenal viu o estádio do Morumbi ser ignorado para a Copa do Mundo de 2014. E desde o começo deste ano, o clube sofre por não ter um patrocinador master na camisa - sem essa receita, não há como contratar bons reforços, e o time não deslancha em campo.
Na partida do último sábado, contra a Portuguesa, Juvenal foi o mais citado nos protestos feitos por torcedores comuns e organizados - ao lado de Emerson Leão, claro. Apesar do momento adverso, porém, Juvenal dificilmente se coloca em situações difíceis. Na entrevista coletiva concedida na última terça-feira, soube se livrar com tranquilidade das perguntas mais embaraçosas e arranjou espaço até para fazer piadas.
– Nosso passado recente é de conquistas, todos sabem disso. Além do mais, quando eu era diretor, em 2003, estávamos há dez anos longe da Libertadores. Comigo, fomos (ao torneio) em sete anos consecutivos. O torcedor não quer saber de nada, ele só quer que o time ganhe o jogo, a bola tem de entrar. Tudo que envolve não faz parte do pensamento, só quer saber de vitória. Torcedor vive na emoção e eu tenho de usar a razão. Daqui um ano e meio, eu vou embora, mas vou deixar tudo alinhado, pronto e competente. Futebol é difícil, não se ensina na escola – disse.
Juvenal rebate os momentos difíceis falando dos rivais. Por exemplo, quando questionado se não era o momento de aumentar o padrão de investimentos dos clubes, respondeu atacando rivais como o Fluminense, que é bancado pela Unimed.
– O São Paulo deveria ser elogiado e ser exemplo, mas não o que é acontece. Clubes brasileiros vão quebrar, não pode se pagar o que se paga atualmente. Veja a saúde financeira dessas equipes. Poucos clubes investem na categoria de base como o São Paulo. Isso precisa ser levado em consideração – afirmou.
O estilo “mais razão e menos coração” de Juvenal Juvêncio faz o São Paulo perder jogadores para os rivais. Para citar alguns, em 2009 o dirigente não quis pagar US$ 300 mil para contratar o argentino Dario Conca, que acabou indo para o Fluminense. No ano passado, chegou a conversar com o atacante Emerson Sheik, do Corinthians, que acabou indo para a Parque São Jorge devido uma diferença de R$ 150 mil mensais.
Companheiros de diretoria sofrem
O estilo de administração de Juvenal Juvêncio compromete até mesmo pessoas de sua administração. Não é difícil ele mudar de ideia sobre algo que estava definido. No ano passado, quando o vice de futebol, Carlos Augusto de Barros e Silva, confirmou a demissão do então técnico Paulo César Carpegiani em uma sexta-feira, Juvenal mudou de ideia no final de semana e voltou atrás no que estava definido. O desconforto foi tamanho que Barros e Silva deixou a diretoria de futebol.
Juvenal tem estilo completamente diferente dos outros mandatários do futebol paulista, por exemplo. O corintiano Mário Gobbi, o palmeirense Arnaldo Tirone e o santista Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro são facilmente acessíveis por telefone. Juvenal não atende, não dá entrevistas. Causou surpresa entre os jornalistas a sua presença no CT da Barra Funda para falar sobre a demissão do técnico Emerson Leão.
Palestrante das horas difíceis
Com os atletas, Juvenal funciona como um terapeuta de choque. No estádio do Morumbi, está em todo jogo. Nas partidas longe da capital paulista, não vai em todas as viagens. O dirigente tem no goleiro Rogério Ceni e no atacante Luis Fabiano seus principais confidentes. Quando sente necessidade, fecha o elenco em uma sala de reuniões e dá “palestras”, cobrando reação e falando pesado. Ele fez isso, por exemplo, na partida contra a Ponte Preta, pela Copa do Brasil. E fará isso novamente no sábado, no duelo contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, quando resolveu seguir com a delegação.
Centralizador, Juvenal ignora torcida e não faz 'mea-culpa' por fase ruim
Com estilo de administração diferente dos rivais, cartola diz que torcedor não sabe tudo o que ele faz pelo time e acredita em êxito ainda em 2012
Fonte globo.com
27 de Junho de 2012
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