
"Leão, pede demissão" e "É Muricy" foram os cantos mais ouvidos das arquibancadas, que não deu trégua a nenhum atleta tricolor. Antes do apito inicial, quase todos os jogadores ouviram xingamentos e coros ofensivos. Quando a bola rolou, a pressão subiu ainda mais: a cada erro de passe ou jogada errada, a impaciência da torcida atingia novos níveis.
Denílson e Jadson, dois dos mais ofendidos por parte da torcida, sentiram na pele o descontentamento em lances em que foram desarmados no primeiro tempo. Logo os nomes de jogadores como Mineiro, Josué, Cicinho e Leandro - todos vencedores de títulos importantes pelo São Paulo - começaram a ser entoados. O mais constante, porém, era o pedido por Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro pelo clube, e hoje treinador do Santos.
Uma parte da torcida são-paulina, longe das organizadas, tentava combater os gritos ofensivos e incentivar o time. "Vamos torcer para o São Paulo!", bradou um torcedor pouco antes do intervalo. Mas após o gol da Portuguesa aos 11min do segundo tempo, nem essas vozes dissonantes eram ouvidas mais: de todos os lados do Canindé, os jogadores tricolores ouviam cobranças e reclamações.
As substituições foram os momentos em que os protestos mais se intensificaram. Quando Fernandinho entrou na vaga de Casemiro na segunda etapa, não era possível saber qual dos dois era mais vaiado; o mesmo ocorreu com a troca de Cortez por Maicon. Quando Lucas saiu e entrou Osvaldo, porém, o alvo ficou claro: era o técnico Emerson Leão. Nem o presidente Juvenal Juvêncio escapou dos xingamentos - o que se viu no Canindé neste sábado foram torcedores em guerra com o próprio clube.