Quando 20 mil dos mais de 100 mil torcedores invadiram o gramado do Morumbi, no dia 17 de junho de 1992, para comemorar a conquista do primeiro título do São Paulo na Taça Libertadores, Lucas ainda nem era nascido. Menos de dois meses depois, o meia-atacante veio ao mundo, mas o que aquele grupo conquistou 20 anos atrás também influenciou a vida do atual craque do Tricolor.
Afinal, aquele feito mudou a história do clube para sempre. “O São Paulo passou a ser visto como um grande clube em todo o mundo”, destaca Zetti.

Titular absoluto daquela conquista, o goleiro fez história defendendo a última cobrança na decisão por pênaltis contra o Newell’s Old Boys — o São Paulo venceu o time argentino por 3 a 2. No tempo regulamentar, vitória por 1 a 0, com outros dois personagens marcantes da história tricolor: Macedo e Raí.
Reserva, o atacante entrou aos sete da etapa final, quando o jogo seguia 0 a 0. “Na primeira bola que peguei, entrei driblando em diagonal e o Gamboa puxou minha camisa”, recorda-se Macedo. O capitão Raí bateu o pênalti no canto esquerdo e garantiu o empate no resultado agregado, que levou à decisão para as penalidades — o São Paulo havia perdido o jogo de ida por 1 a 0, em Rosário.
Loucura/ Nas penalidades, foi a estrela de Zetti que brilhou (leia a entrevista na página ao lado). Com a taça garantida, a massa foi ao delírio. “Alguém me pôs nos ombros e eu não vi mais nada. Não sabia aonde estava indo”, diverte-se o goleiro.

A loucura foi tanta que os jogadores tiveram de ser levados às pressas para o vestiário, enquanto a polícia tentava controlar o público. Detalhe: alguns chegaram lá quase pelados. “Levaram luva, chuteira, meião, fiquei só de sunga”, confirma Zetti. Macedo também perdeu quase toda a roupa. “Vi torcedor arrancando a grama do Morumbi para guardar”, conta o atacante.
O assédio não parou por aí. Semanas depois, quando visitava uma tia em Limeira, Macedo viu a rua da casa dela ser tomada por uma multidão eufórica. “Fiquei com a mão doendo de dar autógrafos.”
O título da Libertadores abriu a porta para o Mundial, no Japão. Mas essa é outra história...
