Em entrevista à Folha, o técnico contratado com a missão de tentar evitar que o São Paulo fique dois anos consecutivos fora da Libertadores cobrou dedicação de todos os atletas.
"Tem que ter um objetivo único, que é ganhar. Qual o seu objetivo? Quer jogar na Europa? Tem que querer jogar no Brasil, depois você vai. Já está em um grande clube. É uma estrela? Se dedique. Você mostra com exemplos e com cobrança. O pai não só afaga. O pai às vezes tem que chegar junto", afirmou o treinador.
A missão do São Paulo nas cinco últimas rodadas do Brasileiro é difícil. Ocupa hoje a oitava colocação, com 50 pontos, cinco a menos que o Flamengo, que hoje seria o último time a conseguir a classificação para a Libertadores.
Ricardo Nogueira/Folhapress

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Sem citar nomes, o treinador disse que a nova geração de jogadores tem qualidades, mas também muitos defeitos. O problema, de acordo com ele, não é só o deslumbramento natural da idade, passa também pelo erro dos clubes na formação dos atletas.
Diz Leão. "O que eu tenho feito [treinamento intensivo de fundamentos], é coisa que eu, no mínimo em 50% dos casos, não teria que fazer [se o trabalho na base fosse feito da maneira correta]."
Ele continua e exemplifica o que considera como um erro inaceitável.
"Tem erros de custo benefício que não dá para aceitar. O garoto chega com 12 anos e o clube manda embora com 20. Não dava para ver antes que ele não ia vingar? Esperaram chegar aos 20 para ver. Gastaram oito anos de trabalho e depois mandaram embora. O moleque nem atleta virou. Eles acham que ter centro de treinamento é uma coisa bonita. É para ser usado."
Leão diz também que não se pode viver única e exclusivamente da base. E dá a lição de como proceder na hora de contratar.
"É preciso saber escolher. Não contrate nenhum jogador porque ele foi bem contra o seu time. Acompanhe o jogador, só depois que você contrata. Todo artilheiro de campeonato é contratado. Aí chega e não faz gol. Tem que ver: de dez gols, quantos foram de pênalti, entendeu? Para você não errar. Você está investindo dinheiro. Seu erro custa muito caro. É o patrimônio da entidade, do torcedor. Não pode errar", relatou.
Por fim, Leão revelou que, com 47 anos de futebol entre jogador e técnico, o que ele quer para os três últimos anos da carreira que ele promete encerrar com 50 anos de profissão, é a felicidade. Fator preponderante para que ele continue no clube em 2012, se assim as duas partes acharem por bem. E disse que não se arrepende de nada, nem de ter deixado o São Paulo em 2005, time que seria campeão da Libertadores e Mundial, para atender um pedido de um amigo pessoal no Japão.
"Fui atender um pedido de gratidão, não posso reclamar. Fui ajudá-lo. Lógico que eu achei que ia voltar mais rápido para o São Paulo. Demorou mais. Gostaria de voltar até em circunstâncias mais tranquilas. Não no final do ano. Eu não vim para o São Paulo com preocupação de fim de contrato não. Também não me deram muito direito não. Agora, em dezembro, é outro tipo de diálogo", finalizou.