Os torcedores mais antigos do São Paulo certamente se lembram dele. Um lateral-direito baixinho, que tinha no apoio ao ataque a sua principal característica. José Teodoro Bonfim Queiroz, o Zé Teodoro, jogou no Tricolor entre 1985 e 1991, disputou 262 partidas e marcou sete gols. No time do Morumbi, conquistou cinco títulos: os Paulistas de 1985, 1987 e 1989 e os Brasileiros de 1986 e 1991. Apesar da estreita relação com a equipe paulista no passado, na noite desta quarta-feira, o ex-lateral e agora técnico será inimigo, já que comanda o Santa Cruz, adversário nesta quarta, em duelo válido pela segunda fase da Copa do Brasil.
Apesar dos lados opostos, o carinho pela equipe do Morumbi segue intacto.
- Minha passagem por lá foi extremamente positiva, conquistei cinco títulos e ainda perdi duas decisões de Campeonato Brasileiro para Vasco e Corinthians. Só não estive em campo na decisão do Nacional de 1986, porque havia tomado o terceiro cartão amarelo no empate contra o Guarani, no jogo de ida, no Morumbi e não pude atuar em Campinas. Até hoje tenho ótima relação com os dirigentes, estou sempre ligando lá para conseguir alguns atletas. O carinho segue intacto. Muito do conquistei em toda minha carreira, devo ao São Paulo – lembrou.
Santa Cruz e São Paulo vivem momentos opostos atualmente. O time pernambucano não ganha um estadual desde 2005 e hoje luta para tentar uma vaga na quarta divisão do futebol brasileiro no segundo semestre. Apesar da disparidade entre as duas equipes, Zé Teodoro sonha alto e acha que pode surpreender.
- O jogo de quarta é o jogo da vida de cada um aqui no Santa Cruz. É a oportunidade de se lançar na mídia, até porque a partida será transmitido para todo o país e o momento do São Paulo é maravilhoso depois do que aconteceu no final de semana. Com muita vontade e transpiração, posso prometer um time comprometido que vai entrar em campo sabendo o que precisa fazer. Podemos surpreender. Queremos pelo menos levar o duelo para São Paulo – afirmou o treinador, em conversa com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM após comandar o treino.
Treinador em ação no estádio do Arruda, palco do jogo desta quarta-feira (Foto: Marcelo Prado / Globoesporte.com)
Zé Teodoro diz que o São Paulo é favorito na partida de amanhã, mas isso não quer dizer que a vitória já está garantida.
- Não dá para comparar as duas equipes. Nossa folha de pagamento hoje é de R$ 200 mil mensais, temos dificuldades para sobreviver. Com atacantes machucados, terei de recorrer à base para montar o banco de reservas. Mas, quando a bola rola, não tem nada disso, são 11 contra 11. Já estamos cansados de ver surpresas na Copa do Brasil. Vimos Paulista e Santo André surpreenderem times grandes e serem campeões. Nesse ano, o Sport foi eliminado pelo Sampaio Corrêa. Jogamos na nossa casa, o estádio certamente estará lotado, conhecemos o gramado. Tudo isso pode fazer a diferença. Motivados, podemos fazer um bom jogo – afirmou.
Do Cilinho, peguei o gosto por trabalhar com jovens e a filosofia ofensiva. Do Telê, herdei a disciplina"
Zé Teodoro
Na época em que jogou no São Paulo, Zé Teodoro trabalhou com quatro treinadores: Carlos Alberto Silva, Pepe, Cilinho e Telê Santana. Embora tenha dito que pegou um pouco de cada para iniciar sua nova carreira, ele ressalta que os dois últimos foram mais importantes.
- Do Cilinho, tirei a facilidade para ler o jogo e a vocação pelo jogo ofensivo. Como ele, também gosto de aproveitar jogadores jovens e dou muita ênfase ao trabalho psicológico. O meu jogador, independente de quem for adversário, entra sempre em campo sabendo que pode fazer o que lhe foi pedido. Do Telê, sem dúvida nenhuma, peguei a disciplina com que trabalho no dia a dia. Não dou moleza e não aceitou deslizes dos meus jogadores – lembrou o treinador, que chegou ao Santa Cruz no início do ano para começar um trabalho do zero.
Em relação ao time tricolor, ele sabe que, para ter sucesso amanhã, precisará anular o rápido ataque.
- São três jogadores muito velozes, o Lucas, o Dagoberto e o Fernandinho. Eles se mexem por todo o campo e precisamos tirar o espaço deles. O São Paulo tem duas maneiras definidas de jogar. Ou atua com três zagueiros ou com duas linhas, com Rhodolfo jogando pela direita. Ainda vamos estudar os últimos jogos para pensar no que poderá ser feito para termos sucesso. É difícil, mas vamos buscar até o fim – ressaltou.