A reportagem do GLOBOESPORTE.COM esteve em Paulista na última segunda-feira. Em Jardim Paulista Alto, Rivaldo, que chegou à cidade com seis anos, é celebridade. Seja no bar em frente ao campo onde o camisa 10 começou a jogar, seja na frente da igreja ou perto do mercado, só se fala na partida de quarta e na chance de ver o ilustre filho da cidade enfrentando o seu time do coração. No campo onde o meia já dava show quando criança, seus três principais amigos contam as horas para o início da partida.
Aécio, Ronaldo e Nildo, amigos de Rivaldo, não escondem a ansiedade com a partida da próxima quarta-feira, no estádio do Arruda, entre Santa Cruz e São Paulo (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)
Nildo Soldado tem 40 anos e é um sindicalista da região. Com 41, Ronaldo Alves da Costa trabalha em obras na cidade. Já Aécio Oliveira, de 36, atualmente está desempregado. O trio enche a boca para falar do amigo que, mesmo após todo o sucesso alcançado na carreira, mantém a simplicidade do menino que adorava correr atrás de uma pipa ou entrar na mata para roubar frutas dos vizinhos quando criança.
- O que o Rivaldo é hoje era exatamente quando criança. Era comum vê-lo na rua brincando com um passarinho na mão. E mesmo depois de rico e tendo sido eleito o melhor jogador do mundo, não mudou uma vírgula. No futebol, ele já era um fenômeno quando criança. Sabíamos que teria um grande futuro – conta Nildo, que como o amigo famoso, também tentou ser jogador de futebol. Chegou a jogar nos juniores do Remo e do Paysandu, mas largou tudo pelo serviço militar.
Nildo conhece Rivaldo desde 1987 e conta que, mesmo com as dificuldades que a vida impôs ao craque e amigo, o meia manteve a simplicidade e não perdeu o foco.
- Além do sonho de ser jogador de futebol, Rivaldo trabalhava para ajudar nas despesas da casa. Vendia coxinha na praia, fazia uns bicos aqui e ali. O pai, seu Romildo, era um amor de pessoa e, quando morreu, foi um baque para todos nós. O Rivaldo teve força para continuar a carreira e depois foi só dar tempo ao tempo – lembrou.
Campo do Gonzagão, onde Rivaldo iniciou o sonho de ser jogador (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)
Ronaldo, que começou a andar com Rivaldo após as peladas no campo do Gonzagão, diz que o camisa 10 era tão bom com uma bola nos pés que não se intimidava mesmo quando jogava entre os mais velhos.
- Ele tinha muita bola. Quando dividíamos as equipes, ele começou a se destacar tanto que passou a enfrentar garotos mais velhos. Mesmo assim não tinha para ninguém. Para nós será uma alegria o jogo de quarta. Todo mundo aqui está ansioso principalmente porque o jogo envolve o Santa Cruz, nossa paixão, e o Rivaldo, que é como se fosse um irmão – ressaltou.
Aécio é o mais tímido entre os três. Mas, no pouco que falou, percebe-se uma gratidão enorme por Rivaldo.
- O que ele fez por mim e pela minha família pouquíssimas pessoas fariam. Por isso, toda vez que ele vem aqui, aos finais de ano, faço questão de ir até a casa da mãe e dar um abraço. Ele é uma pessoal especial demais – disse.
Gostamos muito do Rivaldo, mas o Santa é o Santa. Vamos ganhar por 3 a 2 e o Rivaldo fará dois gols pelo São Paulo. Assim será a noite perfeita"
Nildo
Ronaldo conta que Rivaldo não costumava aprontar muito quando criança. Mas lembrou-se de um episódio.
- Uma vez entramos na mata para pegar madeira e fazer fogueira, já que era época da festa de São João. Só que era uma propriedade de uma empresa e o vigia descobriu o que estávamos fazendo. Lembro que tínhamos uma foice, que nos ajudava a puxar a madeira. O vigia tentava pegar a foice e nós começamos a fazer ele de bobo, numa roda. Até que ele conseguiu interceptar. O Rivaldo, o mais franzino de todos, não se intimidou e puxou a foice da mão do cara, que acabou sofrendo um corte. Depois, foi uma correria só. O tempo passou e, anos depois, o vigia veio pedir autógrafo ao Rivaldo. E lembramos dessa história. Foi muito engraçado – lembrou.
A família de Rivaldo nem mora mais no bairro. Hoje, está instalada em um confortável condomínio fechado na praia de Maria Farinha. Mesmo assim, o meia faz questão de lembrar suas origens e, em todo fim de ano, vai a Jardim Paulista Alto para rever os amigos.
- A pelada de fim de ano é lei aqui. Ele não perde uma. Me lembro de uma vez em que Rivaldo veio jogar aqui logo após ser eleito o melhor jogador do mundo. Fizemos um amistoso solteiros contra casados. Até que teve um pênalti. O Rivaldo bateu e o Neneca defendeu. O goleiro virou celebridade, deu até entrevista no jornal. Mas o importante mesmo é a festa que sempre fazemos – ressaltou Nildo
Nildo mostra o ingresso do jogo de quarta-feira. Apesar da amizade com Rivaldo, ele aposta em vitória do Santa Cruz por 3 a 2 (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)
O trio de amigos só se divide quando a reportagem pergunta sobre quem vai vencer a partida desta quarta-feira.
- Rapaz, aí complicou. Gostamos muito do Rivaldo, mas o Santa é o Santa. Vamos ganhar por 3 a 2 do São Paulo e o Rivaldo vai marcar dois gols. Assim será a noite perfeita – emendou Nildo, que teve o placar endossado por Ronaldo. Já Aécio tem opinião diferente.
- Eu sou Rivaldo Futebol Clube. Se ele for jogar no Íbis, eu torço pelo Íbis. O São Paulo vai ganhar por 2 a 1 – apostou.