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Desde 1997, 80 goleiros já tiveram de se conformar em tomar um gol de Rogério Ceni. Ser vazado por um jogador que, teoricamente, deveria apenas usar as mãos e não sair de sua área era para ser motivo de martírio para cada vítima.
– Para falar a verdade, eu não queria fazer parte dessa estatística, não (risos). Mas fazer o quê? Assim como eu, muita gente também sofreu – afirma Pitarelli que, em 2000, levou o gol de número 14.
Muitos, porém, não têm esse sentimento. Não que gostaram de ter a rede balançada por outro goleiro, mas veem Rogério Ceni como um ídolo por seu comportamento, sua qualidade em campo, seja com as mãos ou com os pés.
Para contar as histórias das vítimas do ídolo são-paulino, o LANCENET! optou em vasculhar o paradeiro de cada um. Eles estão espalhados, escondidos, pelos mais diversos lugares do Brasil e do mundo.
Pitarelli, por exemplo, atua no pequeno Santacruzense, da Série A3 do Campeonato Paulista. Lutsenko, que defendia o Uralan (RUS) e sofreu um dos gols não reconhecidos pela Fifa, hoje é auxiliar-técnico da equipe júnior do clube ucraniano Dínamo de Kiev.
No discurso de cada um dos mais de 30 goleiros entrevistados, a maioria exalta o feito de Ceni. Todos queriam ter evitado, mas não conseguiram. Quando uma falta ou pênalti é marcado, Marcelo Grohe, do Grêmio, resume o que se passa pela cabeça deles:
– Lá vem Rogério Ceni!
Com o capitão do Tricolor vem a chance de se consagrar ou ter de aguentar algumas gozações.
– Poxa, vai tomar um gol de goleiro? Mas a gente consegue relevar, o tempo vai passando. Não me atrapalhou de forma alguma na minha carreira – analisa Marcelo Cruz, que está no Uberlândia.