Rogério Ceni com a edição histórica do L! (Foto: Tom Dib)
No dia seguinte ao centésimo gol, escrevo a pedido do LANCENET! e afirmo que nunca em minha vida, nem em aniversários ou nos títulos brasileiros e da Libertadores, recebi tanto carinho das pessoas.
Acho que recebi umas 80 mensagens de texto, a caixa postal do meu celular lotou. Foi especial ter visto a alegria do time, os torcedores atrás do gol rodando a camisa, os fogos... Nem um roteirista escreveria de forma tão perfeita como ocorreu.
O próprio Paulo César Carpegiani me falou depois do jogo que sempre fica atento nas cobranças de falta, mas, dessa vez, havia apertado as mãos de maneira diferente, sentiu alguma coisa. Quando cheguei ao vestiário, fiquei emocionado.
Todo mundo me esperava e me aplaudiu quando entrei. Abracei um por um, desde o Ratinho, nosso roupeiro, o Sérgio Rocha (preparador físico) e o José Sanchez (médico), gente que está comigo há tantos anos, até o Rhodolfo, último a ter chegado. Fiquei muito feliz pelo reconhecimento de todos, é um prazer jogar ao lado desses caras.
Num país em que é difícil haver coisas boas, poder fazer alegria de tanta gente. E muita gente participou disso. Desde o Muricy Ramalho, com quem comecei a bater, até o Carpegiani, com quem, pela primeira vez, em 1999, fiz dois gols no mesmo jogo e, agora, o centésimo.
Para mim, estava escrito que seria de falta, como tudo começou. Deus quis que fosse assim e num jogo de maior importância. Desde 2005, quando fiz 21 gols, e depois 16 em 2006, sabia que poderia chegar aos cem. Naquele instante, me tornei batedor de pênaltis. Só com as faltas, não chegaria. Apesar das penalidades a favor do São Paulo terem diminuído, as chances aumentaram e a confiança também.
A lesão de 2009 me fez ter dúvidas. Após a cirurgia no tornozelo, não sabia se voltaria a jogar em alto nível, se teria todos os movimentos. E faltava muito para o centésimo...
Curiosamente, o jogo contra o Corinthians foi o que menos treinei faltas este ano. Algo me dizia que tinha de economizar minha perna. Bati dez faltas de cada lado e dez pênaltis. O aproveitamento do lado que saiu a falta foi bom. Acertei seis das dez. Do outro lado, só uma.
Essa talvez seja a marca mais expressiva. Pode ser que alguém, pelos pênaltis, a alcance. Mas os 56 gols de falta, para um goleiro, acho muito difícil. E, quando falei em lutar contra coisas ruins, é porque o futebol brasileiro precisa da união das pessoas que o comandam. Eu me orgulho do São Paulo porque, por meio do Clube dos 13, luta por uma bandeira melhor para todos. Não falei contra a Globo. É a emissora com mais condições de trabalho, o maior veículo do país, uma potência. Mas que seja de uma forma justa. Se há tantas pessoas ruins para o futebol, que visam benefícios próprios, que essa emissora possa fazer o Brasileirão ser diferente, sem disparidade entre os clubes.
Por fim, tenho certeza de que essa bola não teria entrado se não fosse a fé, o pensamento positivo e a vibração de tanta gente, presente ou não no estádio. Existe o trabalho, a dedicação, a repetição. Mas, às vezes, coisas divinas acontecem. E quem levou a bola para o gol foi o torcedor são-paulino. Obrigado!
A pedido do LNET!, Rogério Ceni escreve à torcida
Goleiro agradeceu ao apoio das arquibancadas: 'Quem levou a bola para o gol foi o torcedor. Obrigado!'
Fonte Lance!
29 de Março de 2011
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